Consciência da própria culpa pode ser positivaEm contrapartida, a culpa inconsciente é capaz de promover a autossabotagem e a busca por castigos a um passado reprimido

Clecius Campos
Subeditor
9/9/2011
Foto de mulher arrependida

Ter a consciência de ser culpado por algum ato pode ser encarado de forma positiva. Conhecer a própria culpa e refletir sobre ela são atitudes bem-vindas, de acordo com a professora do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Bianca Faveret.

"Em um mundo em que o individualismo exacerbado e a filosofia do impossible is nothing [nada é impossível] estão em vigência, ter um pouco de culpa é ter noção de responsabilidade. É pensar 'não fui cuidadoso com o mundo ou com o próximo', 'onde eu errei?'. Esse sentimento é positivo."

Segundo ela, a psicanálise entende como negativa a culpa inconsciente, aquela que não é percebida pela pessoa que a sente, mas que é capaz de promover a autossabotagem e a busca por castigos a um passado reprimido. "É um sentimento de ordem inconsciente. A pessoa não percebe que está culpado, mas a culpa reflete-se nos castigos que o homem promove para si mesmo. E é algo bem complicado, pois a culpa aparece, frequentemente, dessa forma, nos consultórios."

De acordo com Bianca, a noção da culpa inconsciente surge com a psicanálise desenvolvida por Sigmund Freud. "Ele dizia que nossa mente não é unitária, é dividida em sistemas mentais. No sistema consciente, a culpa nos provoca vergonha, arrependimento. No inconsciente, ela transporta-se para a repressão." A professora explica que, dessa forma, reprimimos desejos, pensamentos e ideias tidos como indevidos, imorais ou incorretos, mas que estão no subconsciente, refletindo em nossas ações.

A pessoa começa a perceber que sofre uma culpa inconsciente a partir do sentimento de angústia e quando promove, repetidamente, situações que geram sofrimento para si mesmo. "É uma verdadeira autossabotagem. O paciente erra tanto contra si mesmo, faz tantas bobagens, briga tanto com a própria vida, que acaba procurando pela terapia." No consultório, são feitas atividades e reflexões que levam a pessoa a encarar a própria culpa. "Devagar, o material inconsciente começa a aflorar. É uma descoberta da própria pessoa. Conhecer a própria culpa é bom: enquadra e dá valores."

Os textos são revisados por Thaísa Hosken

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