Fumaça inalada pode causar de irritação na garganta a dificuldade de respiração

Por

Fumaça inalada pode causar de irritação na garganta a dificuldade de respiração Especialista destaca a toxicidade da fumaça expelida durante o incêndio que destruiu lojas e edifícios na rua Floriano Peixoto e na avenida Getúlio Vargas

Aline Furtado
Repórter
25/10/2011

O incêndio que atingiu lojas e edifícios na rua Floriano Peixoto e na avenida Getúlio Vargas na última segunda-feira, 24 de outubro, pode ser percebido a quilômetros de distância devido à intensa fumaça escura que cobriu não só a região central de Juiz de Fora, mas tomou o céu da cidade. A fumaça, quando aspirada, é capaz de causar desde irritação na garganta até espasmos brônquios, que é a dificuldade de respiração.

A fumaça foi resultado da combustão de produtos altamente inflamáveis, como isopor e papel, encontrados na loja de artigos para festas, onde teve início o incêndio, além de artigos em borracha e plástico e líquidos, como querosene, comercializados em uma loja da avenida Getúlio Vargas.

"Devido ao material do qual era feito grande parte dos produtos queimados, derivados de petróleo, a fumaça teve características extremamente tóxicas", afirma o médico pneumologista, Marcos Thadeu Rangel Lhotellier. Segundo ele, devido às proporções do evento, o risco é grande não só para quem sofre de problemas respiratórios. "Pessoas que já têm problemas como rinite alérgica e asma correm ainda mais risco. Na data do incêndio, a quantidade de fumaça era grande, mas isso vai diminuindo conforme o fogo vai sendo combatido. Entretanto, o odor, por ser muito forte, fica suspenso e pode causar muitos males."

Entre os problemas que correm o risco de ser acarretados pelo contato com a fumaça estão os relacionados ao aparelho respiratório, além da visão. "Congestionamento nasal, ardência na garganta, dor de cabeça, irritação nos olhos, tosse e espasmos brônquios, que é o impedimento da passagem de ar para os pulmões, são alguns dos sintomas causados pela inalação e pelo contato com a fumaça."

O pneumologista destaca que o fato de Juiz de Fora ser uma cidade onde ventos são constantes é favorável. "Como venta muito, a fumaça acaba sendo levada. Mas é certo que a área onde ocorreu o incêndio ficará, por um longo tempo, com o forte cheiro de material queimado. Com isso, é importante lembrar a situação do comércio da região. É preciso que os empregadores estejam atentos à saúde dos trabalhadores. Além disso, deve ser feita uma limpeza no local, para retirar os restos, que contribuem para o odor."

Lhotellier lembra, ainda, que, além da fumaça, o risco de doenças respiratórias pode ser acarretado, ainda, pela poeira produzida pela demolição. "Teremos a soma da poeira com o material calcinado, que é a transformação de produtos em cal devido à ação do fogo. Por isso, é importante que as pessoas evitem o local, buscando abrigar-se longe da fumaça e da poeira."

Comércio de portas fechadas

Os textos são revisados por Thaísa Hosken