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    Segunda-feira, 7 de novembro de 2011, atualizada às 19h

    Médico desmistifica uso de diurético como causa da crise do cantor Luciano

    Jorge Júnior
    Repórter
    remedio

    O uso de diurético pode não ter sido o fato que catalisou a crise protagonizada pelo cantor sertanejo Luciano, irmão e parceiro musical de Zezé di Camargo. De acordo com o médico cardiologista do Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), José Dondici Filho, o principal efeito colateral causado pelo remédio é a perda de potássio, mas, seguramente, a redução não teria chegado a 10%.

    "São os medicamentos mais antigos que se utilizam. Eles são usados desde o início da década de 60. O efeito colateral do medicamento é muito pouco. Podemos dizer que o cantor prestou um desserviço à saúde pública. Quadros clínicos como o dele são raríssimos e podem acontecer somente em casos de uso abusivo desse tipo de medicamento."

    Os diuréticos são recomendados para tratar a pressão alta e o acúmulo de líquido no corpo que ocorre em algumas doenças, como insuficiência cardíaca congestiva, doença hepática e doença renal. São medicamentos que auxiliam na liberação do excesso de sódio (sal) e de água. Funcionam, fazendo os rins expelirem mais sódio pela urina. Em contrapartida, o sódio passa a carregar a água do sangue, o que acaba reduzindo a quantidade de líquido nos vasos sanguíneos, acarretando uma redução na pressão nas paredes das artérias. O uso indiscriminado seria capaz de causar perda excessiva de sódio e desidratação.

    No entanto, segundo Dondici, a internação de Luciano pode ter tido outras causas. "Conforme o cantor informou posteriormente, o motivo que o levou ao hospital não foi necessariamente o diurético. Outros fatores, como a mistura de calmante com bebida alcoólica, foram muito mais graves." A discussão com o irmão, Zezé di Camargo, também ter agravado o problema. "Em algumas situações emocionais, o diurético pode vir a causar algum efeito negativo. Num caso de grande descarga de adrenalina, o potássio, que circula pela célula, pode ser jogado para o sangue, alterando assim o processo circulatório."

    Uso para emagrecer é falha grave

    Ainda de acordo com o médico, o uso incorreto do medicamento para perda de peso é uma falha grave. "Muitas vezes, há relatos de pessoas que tomam diurético para emagrecer. E isso é um perigo a saúde. Ao tomar o medicamento, o indivíduo vai sim perder peso, já que estará eliminando água de seu corpo. No entanto, esta eliminação não é natural e pode causar um quadro de desidratação excessiva. Perde-se peso num dia, mas, em compensação, no outro dia, após fazer uma refeição, recupera-se os 'quilinhos' novamente. E ao ingerir excessivamente o remédio, para aumentar a eliminação de líquido, corre-se fortemente o risco da pessoa ter uma para cardíaca fatal. Portanto, uso de diurético para perda de peso é veementemente proibido", afirma.

    Além disso, as perdas externas de potássio podem provocar câimbras, fraquezas, tonteiras e, em casos mais acentuados, arritmia e morte. "Caso a pessoa sinta um desses sintomas, ela tem que dosar o uso de potássio, tomando-o pela boca, pela veia ou injetando-o." Recomendando para retenção líquida, como em casos clínicos de hipertensão arterial e insuficiência cardíaca, o uso indiscriminado na dosagem, além da perda de potássio, pode causar desidratação e perda de sódio. "Mas, isso apenas em casos isolados. Salientamos que quem faz uso do medicamento pode seguir tomando-o normalmente." O médico destaca que, caso o medicamento seja usado com uma finalidade correta, ele é muito seguro.

    Os textos são revisados por Thaísa Hosken

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