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    Parar de fumar requer esforço e mudançasPortal ACESSA.com ouviu depoimentos de pessoas que deixaram o vício e puderam constatar melhorias no paladar, no olfato e na pele

    Aline Furtado
    Repórter
    1º/12/2011
    Cigarro

    Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), aproximadamente 200 mil mortes ocorrem, a cada ano no Brasil, em decorrência do tabagismo. As informações a respeito dos problemas ocasionados pelo vício são divulgadas em campanhas e pela mídia.

    Entretanto, muitas pessoas optam por começar a fumar ou dar continuidade ao hábito ao longo dos anos. Mesmo diante desse cenário, é fácil encontrar quem largou o vício e afirma, hoje em dia, estar melhor física e psicologicamente.

    O Portal ACESSA.com ouviu depoimentos de quem já teve o cigarro como companheiro, mas deixou de lado o vício. Histórias de quem largou o costume são exemplos de esforço e vontade de mudar. "Os primeiros meses após a decisão de parar são críticos. A vontade de fumar vem a todo momento, principalmente após as refeições", lembra o autônomo Antônio Rosa da Silva, que fumou durante seis anos e parou há doze anos.

    Ele conta que começou ainda jovem, por considerar que o ato de fumar acaba fazendo com que estivesse encaixado na turma de amigos. "Saímos para beber e todo mundo fumava. Não tinha como eu ficar de fora. Durante o tempo em que eu recusava, acabava, mesmo sem fumar, chegando em casa com cheiro, porque todos da turma fumavam. A necessidade de me encaixar foi tão grande que precisei aprender, literalmente, a tragar."

    Silva afirma nunca ter tido problema com o cigarro. "Como o fumo sempre esteve ao lado da bebida, acabei percebendo alterações de forma geral. Não dissociava a bebida da nicotina. Um estava diretamente ligado ao outro. Percebia que algumas pessoas chegavam a me evitar devido à bebida. Diante disso, acabei tomando a decisão de parar com os dois. Consegui parar de uma só vez e contei com o apoio fundamental da minha família. Apenas a força de vontade foi o suficiente." Hoje, ele comemora ter parado de fumar, afirmando que sua saúde agradece.

    Venceu o vício na quarta tentativa

    O assessor de investimentos Nestor Duarte conta que só conseguiu dar um basta no cigarro depois de parar e voltar por três vezes. "Voltei por falta de convicção no propósito de parar, por estresse e, principalmente, falta de vergonha na cara." Ele começou a fumar aos quinze anos, incentivado por um colega, da mesma idade. "Comecei fumando de um a três por dia, foi assim durante aproximadamente oito meses. Mas, logo vieram as baladinhas e a bebida, e, com isso, o cigarro já era um amigo presente. Foi quando percebi necessidade."

    Depois disso, Duarte relata que começou a comprar maços de forma regular. "Na época, meu pai, que também fumava, descobriu e não brigou. Pelo contrário, de vez em quando fumava do meu cigarro, dizendo que era 'melhor'." Assim como Silva, o assessor confirma que o início do vício teve ligação com o fato de estar inserido entre os amigos. "Não comecei por ver meu pai fumar, mas quando vi outra pessoa, da minha idade, fazendo. Eu era mais descolado e legal com a companhia do cigarro. Eu me sentia mais adulto por fumar e sentia mais liberdade."

    Depois de anos fumando, Duarte lembra que a disposição e o fôlego começaram a diminuir. "Mas, ainda assim, isso não foi suficiente para me fazer parar de fumar. Com o tempo, o que passou a me incomodar foi o cheiro, que já estava impregnado em mim. A essa altura, incomodava muito as pessoas com quem tinha contato. Não via mais vantagem em fumar, passando a perceber que minha saúde estava comprometida."

    Uma das tentativas de parar de fumar foi, para o assessor, "curiosa". "Eu e um amigo tínhamos a mesma vontade de deixar o vício. Decidimos, então, beber e fumar muito. Acendíamos um cigarro atrás do outro, dois de uma só vez, totalizando vinte para cada, até que desenvolvemos um nojo considerável do cigarro. Para mim, funcionou por uns três meses. Quando voltava a fumar, sentia enjoos e dores de cabeça. Isso fazia com que eu me sentisse fraco. Parei, de fato, há quase três anos, quando o cigarro acabou e eu decidi não comprar mais. Foram dez anos fumando." Ele relata que ainda sente dificuldade em respirar quando pratica atividade física que exige muito esforço. "Em comparação com as outras vezes nas quais parei, dessa parece que nunca fumei na vida."

    Setenta dias sem cigarro

    Completando nesta quinta-feira, 1º de dezembro, setenta dias sem cigarro, o jornalista Zilvan Martins afirma que ainda não se considera vitorioso por ter deixado o vício depois de 18 anos fumando. "É como nos casos de recuperação da dependência de álcool, vivo um dia após o outro." A decisão de parar veio depois de o seu pai sofrer, em 2009, um acidente vascular cerebral (AVC). "Foi um AVC muito forte, que deixou meu pai com dificuldades de fala e, na época, o médico afirmou que a culpa total foi do cigarro."

    Desde então, Martins afirma ter começado a pensar em parar, o que foi adiado até o dia 21 de setembro desse ano. "É como se eu estivesse, inconscientemente, preparando-me para colocar um ponto final no vício." O jornalista conta que começou a fumar aos 19 anos, quando cursava faculdade. "Foi para me enturmar. Comecei fumando pouco. Depois de um tempo, fumava dez por dia. Mais recentemente, fumava vinte cigarros. Se saísse aos finais de semana, com a bebida, acabava chegando aos quarenta cigarros."

    Quando resolveu parar, Martins buscou ajuda profissional, passando a ingerir medicamentos. "Nos dez primeiros dias de ingestão do remédio, o número de cigarros consumidos por dia era reduzido de forma gradativa. No décimo dia, precisei parar de vez. Atualmente, sinto minha língua de forma mais sensível. Antes, tinha uma espécie de crosta, ocasionada pelo tabaco." Para ele, o primeiro mês foi o mais difícil. "É como se perdêssemos um amigo, que estava sempre ao nosso lado, mas os benefícios são grandes." Entre eles, o aumento da capacidade de concentração, além da melhoria do paladar, do olfato e da pele, constatados pelo jornalista ao longo dos setenta dias.

    Os textos são revisados por Thaísa Hosken

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