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    Profissionais explicam porque é tão difícil largar o vício de fumarO tabaco é formado por 4.700 substâncias, entre elas, a nicotina, o monóxido de carbono e o alcatrão. A causa da dependência química é a nicotina

    Aline Furtado
    Repórter
    2/12/2011
    Cigarro

    De acordo com estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca), são esperados, no ano de 2012, 43.850 novos casos de câncer acometendo órgãos do aparelho respiratório, como pulmão, laringe e esôfago. Um dos fatores mais decisivos para a ocorrência desses tipos de câncer é o uso do cigarro, que contribui, ainda, de forma significativa, para o surgimento de doenças do aparelho circulatório. O tabaco é responsável por 30% das mortes por câncer no Brasil, além de acarretar 30% das mortes por doenças coronarianas.

    Mesmo diante das informações a respeito dos males causados pelo cigarro, segundo o médico cardiologista José Maria Domith, meninos e meninas têm começado a fumar cada vez mais cedo. "Enquanto vários adultos tentam deixar o vício, jovens entre 12 e 18 anos começam cedo e, na maioria dos casos, fumando muito." Para mudar este quadro, instituições ligadas à área da saúde investem, cada vez mais, na conscientização, a fim de que as pessoas deixam de lado o hábito de fumar. Mas, afinal, por que é tão difícil abandonar o cigarro? 

    O médico explica que o tabaco é formado por 4.700 substâncias, entre elas, a nicotina, o monóxido de carbono e o alcatrão. A causa da dependência química é a nicotina. Com isso, para parar de fumar é preciso criar artifícios para que o organismo se adapte à abstinência desta substância. Entre os tratamentos disponíveis para quem pretende parar de fumar estão métodos como a goma de mascar, adesivos, cigarro eletrônico, além de medicamentos, como antidepressivos, por exemplo. Há, ainda, quem recorra a terapias comportamentais, que auxiliam na dependência psicológica.

    "Cerca de 75% dos fumantes têm intenção de deixar o vício, contudo, esbarram em dificuldades quando tentam fazê-lo por conta própria. Com isso, hospitais da cidade oferecem apoio por meio de programas específicos. Neles, as pessoas passam a entender a importância da mudança de hábitos, com adoção de atividades físicas e alimentação saudável." Os tratamentos oferecidos por programas duram, em média, três meses.

    Dicas para parar

    Além de buscar apoio de profissionais, a psicóloga Ana Paula Gomes Fernandes lembra que quem pretende deixar o vício deve, antes de qualquer coisa, conscientizar-se de que deseja parar de fumar porque o cigarro faz mal à saúde. "A dica é começar reduzindo o número de cigarros fumados a cada dia. Adotada esta medida, marque um dia para parar de fumar definitivamente."

    Ana Paula lembra que podem ser usados artifícios como beber água, mascar cravo, canela em pau ou gengibre, como forma de substituir o cigarro. "Outra dica é eliminar maços, caixas de fósforos, isqueiros e cinzeiros e outros objetos que remetam ao cigarro." Isso porque, além da dependência química, desencadeada pela nicotina, tem a dependência psicológica, que ocorre devido aos hábitos e costumes adquiridos pelo fumante durante a fase de vício. "É uma espécie de escora psicológica."

    Ela recomenda, ainda, fazer exercícios de respiração profunda. "Inspire de maneira profunda, segure a respiração, conte até cinco. Em seguida, solte o ar com a boca semiaberta. Basta repetir o exercício por cinco vezes seguidas." Como quem fumou por muito tempo costuma sentir efeitos provocados pela falta de nicotina, como enjoos, dores de cabeça, tremores, entre outros, a psicóloga ensina que, antes de ceder à vontade, é preciso que o ex-fumante bloqueie a ansiedade, telefonando para algum conhecido, lendo um livro etc.

    Neoplasias do aparelho respiratório

    As estimativas do Inca apontam que, no caso dos homens, a neoplasia de pulmão deve ocupar a segunda colocação na lista de novos cânceres, com um total de 17.210 detecções, perdendo apenas para o câncer de próstata. Entre as mulheres, o número de novos casos registrados no próximo ano deve ser de 10.110, ocupando o terceiro lugar. Já o câncer de laringe, menos comum entre as mulheres, deve acometer 6.110 homens. Ainda segundo a estimativa, o câncer de esôfago deve atingir 7.770 homens e 2.650 mulheres em 2012.

    Conforme informações do Inca, na maioria das populações, os casos de câncer de pulmão provocados pelo uso do tabaco e de substâncias relacionadas representam 80% ou mais dos casos desse câncer. Comparados com os não-fumantes, os tabagistas têm cerca de 20 a 30 vezes mais risco de desenvolver câncer do pulmão. "Infelizmente, quando o paciente chega ao consultório, o estágio do tumor já é avançado. Com isso, o câncer de pulmão está entre os que mais matam, tendo a relação mortalidade/incidência de 86%."

    No caso do câncer de laringe, o segundo mais comum após o de pulmão, no aparelho respiratório, o tabaco é considerado o principal fator de risco. Quando diagnosticado em fases iniciais, o câncer de laringe pode ser curado entre 80% e 100% dos casos. O fumo, tanto o fumado, quanto o mascado e o aspirado, figura entre os fatores de risco do câncer de esôfago.

    Os textos são revisados por Thaía Hosken

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