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    Lei de incentivo à saúde vocal do professor municipal é sancionada em JF

    Especialista explica que os principais problemas enfrentados pelos professores referem-se à chamada disfonia comportamental

    Nathália Carvalho
    *Colaboração
    20/4/2012
    voz

    Foi publicada nesta sexta-feira, 20 de abril, a sansão da Lei 12.529 que dispõe sobre a instituição de uma política de incentivo à saúde vocal do professor da rede municipal de ensino de Juiz de Fora. O objetivo é proporcionar aos professores o tratamento dos distúrbios e das disfonias pelo uso da voz no exercício da profissão.

    "O educador tem muito problema de disfonias, devido ao uso constante e contínuo da voz, uma vez que a nossa ferramenta de trabalho é a fala. Com isso, quando os professores não são bem orientados, eles sofrem muito com o problema, tendo, na maioria das vezes, de fazer tratamentos com fonoaudiólogos ou realizar preventivos no decorrer do tempo de trabalho", explica a autora da lei, a vereadora Ana Rossignoli (PDT), que também é professora.

    A lei garante assistência de prevenção na rede pública de saúde, orientações para o uso adequado da voz e realização de exames. Caso detectada alguma disfonia no profissional, será garantido o acesso a tratamentos fonoaudiológico e médico pela Prefeitura. "Vamos acompanhar o projeto juntamente com a Secretaria de Educação, dando sugestões, a fim de que o município garanta a qualidade desses profissionais."

    Disfonia comportamental em professores

    A doutora em fonoaudiologia Cal Coimbra explica que os principais problemas enfrentados pelos professores referem-se à chamada disfonia comportamental. "O instrumento de trabalho do professor é a sua própria voz e o cuidado com ela é uma questão de saúde. Os aspectos mais recorrentes são a falta de ar durante a aula, ruídos externos, manifestação de alergias e tensão no pescoço".

    Cal explica que esses problemas são ocasionados pelo fato de os professores usarem de sua fala durante muito tempo seguido, todos os dias da semana e só descansar nos finais de semana. "Em uma pesquisa que fiz com professores sobre sua saúde vocal, percebi que muitos não têm o hábito de procurar um especialista diante de um problema. Como a voz descansa no sábado e no domingo, eles acabam achando que melhorou e voltam à rotina normalmente."

    Os ruídos externos durantes as aulas são considerados outros graves problema. "O professor é obrigado a competir com os barulhos das escolas e das ruas, como buzinas, gritos, conversas de alunos. Isso faz com que ele fale cada vez mais alto e comprometa sua voz". E para aqueles que já possuem problemas com alergias, como rinite e sinusite, por exemplo, a situação agrava-se ainda mais. "Com o nariz congestionado, as pessoas são obrigadas a respirar apenas pela boca. Isso resseca todo o trato respiratório e causa vermelhidão em determinados pontos. Nesses casos, é necessário tratamento imediato".

    Por fim, a especialista lembra da tensão no pescoço, ocasionada pela má postura e pela necessidade de gritar em determinadas situações. "A soma de todos esses fatores causam esse tipo de disfonia, e a prevenção deve ser feita sob orientação de um fonoaudiólogo". Ela explica que o tratamento, chamado fonoterapia, é baseado em técnicas que auxiliam a pessoa a falar mais baixo e ter o domínio de sua própria voz, adequando-a ao ambiente inserido. "A falta de cuidado pode complicar muito a vida de um professor que, ao prejudicar sua própria saúde, acaba tendo que utilizar licenças médicas para se afastar do trabalho."

    *Nathália Carvalho é estudante do 8º período de Comunicação Social da UFJF

    *Colaborou: Jorge Júnior, repórter

    Os textos são revisados por Mariana Benicá

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