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    Dengue e doenças neurológicas; conheça os riscos do vírus ao sistema nervoso

    Sintomas variam com a região afetada; vacina custa até R$ 280, mas tem média eficácia

    Bruno Caniato
    *Colaboração
    14/01/2017

    Dor de cabeça, febre, dores musculares e nos olhos e lesões na pele. A dengue é epidêmica no Brasil pelo menos desde os anos 80, segundo dados do Ministério da Saúde, e seus sintomas clássicos são mais do que conhecidos pela população. O que pouca gente sabe, porém, é que o vírus transmitido pelo Aedes aegypti pode causar sérios danos também ao sistema nervoso, podendo levar a fraqueza muscular, paralisia, doenças autoimunes e até à morte. É o que explica o neurologista Adriano Miranda.

    De acordo com o médico, as complicações neurológicas decorrentes da dengue podem ocorrer de formas diretas e indiretas. "Na fase aguda, a principal complicação é a chamada encefalopatia da dengue: o paciente pode ficar um pouco desorientado, ansioso ou deprimido, mas em função de alterações metabólicas causadas pela doença", explica. "Porém, também na fase aguda, o vírus pode agredir diretamente o sistema nervoso, causando encefalite [inflamação do cérebro] e mielite [inflamação da medula]". As duas condições agravam o quadro do paciente, segundo ele, porque retardam o processo de recuperação e podem deixar sequelas no sistema nervoso; o indivíduo já fragilizado pode sofrer convulsões, entrar em coma e morrer.

    Pós-infecção

    Além dos sintomas da fase aguda, existe também um risco frequente de complicações pós-infecciosas, que podem se manifestar em torno de quinze dias após a doença. "O vírus é um gatilho para o sistema imunológico, e o indivíduo pode apresentar sintomas de doenças imunomediadas – onde os próprios anticorpos atacam a medula, o cérebro ou o sistema nervoso periférico", esclarece. As complicações pós-infecciosas podem apresentar um leque de sintomas, dependendo dos nervos atingidos pelos anticorpos. "Se houver uma lesão cervical [mais alta] à medula, o paciente pode perder os movimentos nos braços e pernas; se for mais baixa, pode perder a força nas pernas e o controle urinário, por exemplo", explica.

    Caso o sistema nervoso periférico seja danificado, o indivíduo pode sofrer de Guillain-Barré, uma doença autoimune que paralisa gradativamente os movimentos musculares. "A Síndrome de Guillain-Barré é caracterizada por um formigamento, que geralmente se inicia nos pés e vai subindo pelo corpo, causando fraqueza muscular", ensina o neurologista. "Se a fraqueza chegar ao diafragma, o músculo da respiração, o paciente pode sofrer de falta de ar e precisar de suporte respiratório."

    Prevenção e tratamento

    Ainda segundo Adriano, até o momento, não existem indícios conclusivos de um grupo de risco para estas complicações; os sintomas se manifestam independente do sorotipo (a "variação") do vírus, da gravidade da infecção e da forma de manifestação (clássica ou hemorrágica). O tratamento mais comum é a pulsoterapia com corticóides, que apresenta bons resultados na fase pós-infecciosa, mas baixa eficiência no tratamento da mielite e encefalite.

    Desenvolvida pelo laboratório francês Sanofi Pasteur, a vacina contra a dengue já existe em Juiz de Fora desde agosto do ano passado, mas ainda não é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Nas quatro clínicas pesquisadas pelo Portal ACESSA.com – Vaciclin, Crescer, Saúde.com e Climar –, cada dose da vacina custa entre R$ 220 e R$ 280, dependendo da forma de pagamento.

    A chefe do Departamento de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde, Michele Freitas, esclarece que "a vacina é recomendada a pessoas de 9 a 45 anos, sendo aplicadas três doses com intervalo de seis meses entre cada uma", explica. "Ela abrange os quatro sorotipos do vírus, é indicada em regiões endêmicas e contraindicada a indivíduos com imunodeficiência, gestantes, lactantes e pessoas que tenham sofrido reações em doses anteriores". Segundo Michele, a imunização tem eficácia média de 66%, variando de acordo com o sorotipo – a variação do vírus que circula em Juiz de Fora é o sorotipo 1, para o qual a eficácia da vacina é de cerca de 58%. Uma nova vacina, desenvolvida pelo Instituto Butantã, está em fase final de estudos; contudo, ainda não há previsão para que o Ministério da Saúde disponibilize nenhuma das duas vacinas existentes no SUS.

    Epidemia

    Segundo dados do primeiro Levantamento Rápido do Índice de Infestação do Aedes aegypti (LIRAa) de 2017, Juiz de Fora apresenta um índice de 3,4%, colocando o município em situação de alerta. O Ministério da Saúde considera satisfatório um valor abaixo de 1%, situação de alerta entre 1% e 3,9% e risco de surto com valor superior a 4%.

    Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, o índice é o menor dos últimos cinco anos. Em dezembro de 2015, foram registrados 500 casos de dengue, contra 16 no mesmo período de 2016. Foram vistoriadas 5.838 residências, com maior incidência registrada nos bairros Milho Branco, Santa Cruz, Vila Ozanan, Granjas Bethel/Santa Clara, Jóquei Clube 2, São Mateus, Jardim São João e Nossa Senhora das Graças.

    *Bruno Caniato é estudante de Jornalismo da UFJF

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