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    Terça-feira, 29 de agosto de 2017, atualizada às 18h16

    Psicóloga orienta como pais podem ajudar filhos com autismo

    Angeliza Lopes
    Repórter

    Se antes a falta de informação e compreensão para o diagnóstico do autismo eram comuns, hoje o distúrbio neurológico pode ser confirmado ainda na infância. Os primeiros sintomas manifestam-se, geralmente, por volta dos 2 a 3 anos de idade, caracterizados por problemas na comunicação, socialização e no comportamento, que fazem com que a criança apresente algumas características específicas, como dificuldade na fala e em expressar ideias e sentimentos, mal-estar em meio aos outros e pouco contato visual.

    “Quando falamos que o autismo se manifesta por volta dos 2 e 3 anos é, na verdade, quando os pais passam a observar melhor os sintomas, que ficam mais notórios na idade escolar, mas os sintomas podem ser percebidos a partir dos 12 meses”, esclarece a psicóloga especialista em autismo, Sandra Cristina Vieira.

    A profissional acrescenta que os pais podem detectar o distúrbio ao observar a isolamento da criança e a dificuldade de interpretar sinais sociais e expressões, como o sorriso, que demonstra alegria ou o choro, reação comum para tristeza. “Situações estas que podem ser aprendidas com os pais e ou com terapia cognitiva. Autista não olha nos olhos do outro. Além disso, ela não mostra medo em situações de perigo real e pode se apegar a determinados objetos”, completa Sandra.

    Caso estes comportamentos sejam observados, o indicado é que os pais levem a criança para avaliação de um psicólogo especialista ou neurologista, e, logo confirmado o autismo, busquem orientação de um profissional, para que os responsáveis saibam como prosseguir com a melhor educação para o desenvolvimento do autista. Sandra afirma que quando os pais são bem esclarecidos quanto a melhor forma de guiar a criação de seus filhos, os mesmos podem ter grande evolução no aprendizado e autonomia.   

    “Depois de bem orientados, os pais vão direcionar a educação em casa de acordo com o espectro, observando às rotinas que lhe são peculiares. A independência é um dos principais objetivos do tratamento, muitos autistas têm dificuldades em realizar tarefas simples, como ir ao banheiro e tomar banho. Contudo, vemos as mães realizando estas tarefas até mesmo com seus filhos já adultos, dificultando processo de aprendizado e evolução. Não se deve ceder a tudo que ele pede e deseja, é importante sempre mostrar o certo e o errado, valorizando as coisas que fazem certo”, detalha.

    Confira abaixo algumas dicas da psicóloga para quem possui uma criança com autismo na família:

    • Informar-se;
    • Incentivar seu filho a se cuidar sozinho;
    • Dar tarefas para ele realizar em casa;
    • Treinar o aprendizado;
    • Dividir as responsabilidades dentro de casa;
    • Estabelecer limites;
    • Momentos em família, estabelecer ralações com avós, tios, primos...;
    • Trocar ideias sobre autismo com outros pais;
    • Criar situações para seu filho desenvolver habilidades sociais, como parque, cinema, shopping;
    • Acompanhar o desenvolvimento na escola;
    • Criar estratégias (lembrar sempre que o autista aprende no concreto);
    • Buscar ajuda de profissionais especializados em autismo;

    Diagnósticos imprecisos

    Mas, nem sempre foi simples o diagnóstico do autismo. Ana Maria Destro conta que seu filho, hoje com 28 anos, foi diagnosticado com Síndrome de Asperger (SA) - condição neurológica do espectro autista, quando tinha 13 anos. “Antes de completar um ano de idade, percebemos que seu desenvolvimento era diferente. Apresentava nervosismo e dificuldade para falar. Levamos a um neurologista que diagnosticou hiperatividade. Mesmo tomando os remédios, ele tinha dificuldade em se expressar e se mostrava confuso”, diz.

    Ela relata que demorou a colocá-lo no maternal, diferente das suas outras duas filhas, que foram para escola bem novas. “Como já atuei muitos anos como professora, alfabetizei ele junto com as minhas filhas em casa, onde também aprendeu figuras geométricas e cores. Chegou a frequentar escolas menores quando pequeno, e, antes mesmo do diagnóstico correto, teve acompanhamento de fonoaudiólogo, terapeuta e psicólogo. Depois, frequentou escolas mais adaptadas e terminou o ensino médio em colégio regular, onde interagiu bem”.

    Ana acredita que o fator tempo foi importante para entender melhor como direcionar seu desenvolvimento. “Vejo que faltou um pouco em seu desenvolvimento, por ser mais introspectivo. Hoje, buscamos encontrar algo que ele tenha prazer em fazer e trabalhar de forma continuada. Qualquer um consegue muito deles, eu consegui pela fé e amor”, destaca.

    Mesmo com todo os esclarecimentos sobre o autismo. A psicóloga Sandra Vieira afirma que ainda se depara com profissionais que ainda não sabem diagnosticar Transtorno do Espectro Autista (TEA). “Muitos chegam em meu consultório com diagnóstico de Transtorno do Deficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) ou Deficit de Atenção (DA)”.

    Além disso, ela diz que professores também são pouco preparados para as atividades com estes alunos. “Por isso, montei um curso sobre autismo, justamente para orientar pais, professores e áreas afins a como entender o TEA, aprender mais sobre o que ocorre e como ajudar melhor seu aluno ou filho”, destaca a profissional com 21 anos de experiência na área.

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