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    Quarta-feira, 4 de setembro de 2019, atualizada às 10h

    Depressão não é apenas um sentimento de tristeza, mas uma doença psiquiátrica crônica

    Jorge Júnior
    Editor

    Muito além de um “simples” sentimento de tristeza, a depressão “é uma doença psiquiátrica crônica e recorrente que produz uma alteração do humor caracterizada por uma tristeza profunda, sem fim, associada a sentimentos de dor, amargura, desencanto, desesperança, baixa autoestima e culpa, assim como a distúrbios do sono e do apetite”, segundo o Código Internacional de Doença (CID 10 – F33). No mês do Setembro Amarelo, campanha de prevenção ao suicídio, o Portal ACESSA.com preparou uma série de matérias sobre o tema.

    A psicóloga clínica Camila Parisi explica que a doença pode impactar negativamente em diversas áreas da vida da pessoa. “A depressão ainda é marcada por forte estigma da sociedade, que muitas vezes perpetua crenças errôneas e, devido à desinformação, contribui para a manutenção do preconceito que rodeia essa doença. Certamente já ouvimos que depressão é frescura e que a pessoa deprimida não melhora porque não tem força de vontade. Além disso, é muito comum ouvirmos que aquela pessoa que aparentemente tem uma vida perfeita, que tem dinheiro, fama e um casamento feliz não pode ter depressão”.

    Recentemente, o Fantástico lançou a série “Não Tá Tudo Bem, mas Vai Ficar”. Nela, o médico Drauzio Varella aborda as causas e sintomas da doença que atinge mais de 300 milhões de pessoas no mundo. A cantora sertaneja Paula Fernandes, o padre Fábio de Melo e o rapper baiano Baco Exu do Blues foram alguns dos artistas que relataram que já passaram por este problema. “Diversos artistas, que supostamente têm a vida que muitos desejariam ter, já assumiram sofrer com a depressão, demonstrando que essa doença é mais comum do que se imagina e pode acometer qualquer pessoa, independente da classe social, do gênero, da raça, de convicções religiosas, etc. Esse é o caso de milhões de brasileiros que sofrem com a doença: muitas vezes não tem conhecimento do que é a depressão e de seus sintomas, tem vergonha e/ou resistência em pedir ajuda e medo das críticas externas”.

    ACESSA.com: Como a pessoa identifica se está com depressão?

    Camila Parisi: Existem vários aspectos que podem ser indicativos desse transtorno. Um deles é a presença do humor deprimido. No entanto, é importante fazer a diferenciação entre a depressão e o sentimento de tristeza, aspectos que muitas pessoas confundem. A tristeza é uma emoção, um sentimento que todos temos diante de perdas, decepções e acontecimentos ruins que ocorrem em nossas vidas e é normal nos sentirmos tristes às vezes. Porém, é preciso ficarmos atentos a essa emoção.

    Quando a tristeza não passa, quando ela tem uma duração mais longa, permanecendo por dias seguidos, e é mais intensa, mesmo sem causa aparente, isso pode ser um dos sintomas de depressão. Outros sintomas estão relacionados a sentimentos de desesperança, a baixa autoestima, a diminuição da energia, alterações no apetite, no sono e na libido, além de falta de prazer em realizar atividades, ou seja, a pessoa deprimida pode perder o interesse por coisas que antes a satisfaziam. Ademais, pode haver pensamentos recorrentes sobre suicídio ou morte. Se você tem apresentado esses sintomas, é muito importante que procure profissionais qualificados para a realização do diagnóstico e do tratamento.

    ACESSA.com:  O que fazer quando não se sente mais prazer nas coisas e o sentimento de tristeza predomina?

    Camila Parisi: No início da doença pode ser mais difícil identificar os sinais. Mas, se você tem percebido alterações no humor e que não tem feito suas atividades com a mesma energia, com o mesmo prazer de antes, fique atento. O mais importante é que você não passe por isso sozinho. Falar é a melhor solução, pedir ajuda, dividir o que você sente com amigos, familiares e profissionais qualificados podem contribuir para que você consiga superar esse transtorno.

    ACESSA.com: A quem a pessoa deve recorrer para ajudar a passar por essa fase?

    Camila Parisi: É essencial que se busque auxílio de profissionais preparados, ou seja, psicólogos e psiquiatras. Quadros depressivos mais leves costumam responder bem ao tratamento psicológico. No entanto, várias pesquisas já mostraram que, quando se alia o tratamento psiquiátrico ao tratamento psicológico, os resultados são potencializados. Além disso, a prática regular de atividades físicas associada a esses tratamentos tem demonstrado efeitos positivos.

    A medicina e a psicologia dispõem de métodos de tratamento comprovados cientificamente, portanto, tem a possibilidade de auxiliar quem sofre de depressão a superar a doença, a voltar a ter uma vida produtiva e com propósito e a ter mais qualidade de vida.

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