Acelerar taxa de vacinação pode salvar mais 50 mil vidas, aponta nota técnica

Para chegar aos resultados, os pesquisadores utilizaram simulações numéricas a partir de modelos matemáticos

da Redação - 25/06/2021

Em sua quinta edição, a nota técnica do Programa de Pós-graduação em Modelagem Computacional (PPMC) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) apresenta resultados que apontam a taxa de vacinação diária como a variável mais importante para conter a pandemia de Covid-19 no Brasil – e que, para que mais mortes sejam evitadas, é crucial que ela seja acompanhada de medidas de prevenção, como distanciamento social e uso de máscaras. Para chegar aos resultados, os pesquisadores utilizaram simulações numéricas a partir de modelos matemáticos.

Em cada modelo, são levadas em consideração variáveis que representam, entre outros dados, as diferentes taxas de vacinação e as eficácias de vacinas disponíveis. “Nesta edição, consideramos duas novas informações: a de transmissão do vírus e a de redução de mortalidade entre os vacinados”, adianta o pesquisador do Programa de Pós-graduação em Modelagem Computacional (PPMC) da UFJF, Rodrigo Weber, um dos responsáveis pela nota técnica. A inserção de novos dados foi possível baseada em estudos realizados em países que registram taxa de vacinação acelerada, como Inglaterra e Chile. O pesquisador explica que essas informações são importantes pois demonstram a atuação das vacinas fora de ambientes controlados.

O que pode acontecer se o Brasil manter a taxa atual de vacinação diária?
Diferentes valores foram testados pelos pesquisadores para simular o efeito da pandemia no Brasil pelo período de um ano. O primeiro cenário apresentado pela nota é baseado em cálculos que utilizam a atual taxa de vacinação (que compreende, aproximadamente, 360 mil pessoas vacinadas com a primeira dose diariamente): se o Brasil seguir neste mesmo ritmo, a Covid-19 não seria controlada até o fim do ano, independentemente da eficácia das vacinas, uma vez que o número de casos ativos ainda seria significativo sem a ampla adoção de medidas preventivas, como isolamento e uso de máscaras.

“Além disso, com essa atual taxa, não seria atingido o objetivo de 160 milhões de pessoas imunizadas até dezembro, como anunciado pelo atual ministro da Saúde no dia 11 de junho deste ano”, informam os pesquisadores. As projeções também sugerem que o total de mortes entre o final de junho e o final de 2021 pode variar entre 188 mil e 211 mil, considerando, respectivamente, a eficácia entre 50% e 90% das vacinas.

O pesquisador Rodrigo Weber destaca que é importante ter em mente a impossibilidade de cravar as informações com precisão detalhada, uma vez que não é possível quantificar, em simulações numéricas, elementos imprevisíveis como o comportamento social da população ou a falta de insumos para vacinas. “É preciso ressaltar que tratam-se de projeções, não previsões, e que servem para nos alertar dos possíveis cenários que temos pela frente. Mas é seguro dizer que nenhuma das projeções demonstrou ser promissora. Muitas vidas serão perdidas se nada for feito.”

E se a taxa de vacinação diária for dobrada – ou quadruplicada?
“Dobrando a atual taxa de vacinação, as mortes projetadas são reduzidas em 13%, com mais de 23 mil mortes a menos do que o cenário com a taxa atual de vacinação. Quadruplicando a atual taxa de vacinação, as mortes projetadas são reduzidas em 28%, com cerca de 50 mil vidas salvas até o final do ano”, descreve a nota técnica. O pesquisador Rodrigo Weber lamenta ao informar que as projeções do número total de mortes em 2021 são altas em todos os cenários estudados – o que demonstra ainda mais a necessidade de aliar à vacinação as medidas de prevenção contra a transmissão do vírus. “O distanciamento social e uso de máscaras ainda são de fundamental importância para prevenir a propagação da doença e diminuir o número de mortes ao longo do ano.”

“É duro dizer isso mais uma vez, depois de tantos meses de pandemia, mas torna-se necessário devido ao fato de que não houve uma iniciativa nacional que instituísse essas medidas básicas para conter o coronavírus. Não podemos continuar, como país, a tratar a Covid-19 como uma doença normalizada, algo que deveria ser parte do nosso cotidiano. Para acabar com a pandemia, ou ao menos contê-la, precisaremos correr para compensar os meses perdidos a tempo de salvar mais vidas.”

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