Ana Stuart Ana Stuart 3/07/2009

Os Ex

 
Quando falamos em dependência emocional nos referimos aos dependentes de gente, de afeto, os compulsivamente dependentes.

A serotonina, hormônio do prazer e da alegria, que é liberado quando estamos com alguém que gostamos muito, nos trás sensações inesquecíveis.

Certamente nestes bons momentos nosso organismo libera este hormônio incrível. A sensação é tão boa que queremos mais e mais.

A depressão é justamente a escassez deste hormônio no organismo. É quando não sentimos prazer em nada e muito menos alegria.

É muito normal e saudável querermos sentir estas sensações boas, mas quando nos tornamos dependentes delas, nós nos escravizamos e perdemos o senso crítico e até a consciência.

Os neurocientistas têm feito diversas pesquisas nesta área, até mesmo para entendermos a causa do uso disseminado das drogas, seja ela qual for. Afinal, até a comida, quando nos escravizamos a ela para obter o prazer e a sensação de plenitude, se torna uma droga.

Já o apego patológico ao outro é uma das principais causas da dificuldade de desligamento.

É quando os ex não suportam a rejeição. Podia até não haver amor, mas havia prazer. Então, tornou-se um vício, uma obsessão mesmo.

O que vem por trás da posse é a sensação, seja de prazer, de medo, de abandono, de rejeição.

Medo de mudança, medo do novo, medo de agora ter que encarar a nós mesmos.

O pior de tudo é a constatação de não suportar a solidão, de não suportar ficar em péssima companhia,- eu mesmo.

A única saída é voltar para a caverna escura, onde já se conhece e não se enxerga e nem se quer enxergar.

Mas por falar em ex, o que vem de novo na vida dele ou dela torna-se o pesadelo. Passa a ser a constatação cruel de que era ruim e que fizemos tudo errado, que fracassamos.

Enfim, é muito difícil ver o outro bem na história, quando a nossa está péssima. Será inveja?

É muito difícil vibrar com a felicidade do outro. É mais difícil ainda não importunar o outro com desculpas inadequadas e assumir as próprias mazelas.

O outro lado da moeda também funciona desta forma.

Falta serotonina, a depressão se instala e o ex era a bengala.

Então como deixá-lo partir? Ou o outro é depressivo e eu sou a bengala dele? Então como vou viver sem ter quem dependa de mim afetivamente?

Ou como o outro conseguiu ficar sem mim, que ousadia...

Saber ser ex é muito difícil! Costumo dizer que é uma arte. Muitos ex passam a ser amigos ou, no mínimo, a ter uma convivência saudável, e a partir daí se relacionar como nunca.

Quando se é ex, é que se conhece o outro. Afinal, não há nada a perder, mostra-se a cara, a intimidade já não é tão assustadora.

Existe o mito do término, este sim é assustador. Muitos não suportam e até fantasiam.

A diferença está no real e no que foi idealizado.

De qualquer forma, o desligamento emocional é um ato corajoso e nobre.

Certamente, quem libera o outro é nobre e nobremente será Feliz no seu momento!


Ana Stuart
é psicóloga e terapeuta familiar

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