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    Ana Stuart Ana Stuart 31/8/2010

    Pães

    Pai e filhoO machismo antigamente alimentava a distância entre pais e filhos, devido à autoridade e à rigidez. As mães é que possuíam a maior proximidade física e emocional.

    Mas com evolução dos tempos passou a ser considerado "problemático" o pai que não se aproxima de seus filhos.

    Hoje é vergonhoso um jovem pai não ajudar a mãe do bebê a cuidá-lo.

    Na teoria do apego de John Bowlby as crianças necessitam de um relacionamento saudável e seguro com um adulto.

    Pais estão assumindo filhos na separação conjugal ou adotando a guarda compartilhada. Entendendo que o relacionamento saudável e seguro da criança também pode ser só ou conjuntamente com o pai - é quando o chamamos de pães – ou o pai maternal.

    Baseados também na premissa de que as mães mimam seus filhos e a tendência dos pais é a de desafiá-los. Jogá-los para o alto, se distanciar para que venham até eles nadando ou andando de bicicleta. Normalmente este pai desafia o cognitivo e a segurança pessoal. Mas não o impede de se inteirar das emoções e sentimentos com a criança.

    Outro fator interessante é quando o pai entende que pode falar de seus sentimentos, pode até chorar com os filhos - até mesmo para quebrar o ritual de que homens não choram - mas que isto não o impede de manter sua autoridade para colocar limites.

    Os pais estão entendendo que o machismo os distância de seus filhos e os bloqueia em relação à figura de autoridade no seu desenvolvimento adulto, entendendo também que o machismo está ultrapassado.

    Observa-se na prática que os pais que não conversam com seus filhos e que excedem na autoridade causam sequelas muitas vezes irreversíveis em seus filhos, principalmente em relação às filhas, que no futuro terão medo de enfrentar figuras de autoridade, medo de se relacionar com os homens, sendo totalmente submissas ou excessivamente liberais e autoritárias justificando que "homem nenhum me manda".

    Enfim pais participativos e maduros facilitam o desenvolvimento da autoestima e o fortalecimento do ego em seus filhos perante a vida. Atuam como facilitadores.

    Estamos numa era em que tanto a figura do pai quanto a da mãe devem caminhar juntos, independente se estes pais estão juntos ou não.

    Muitas vezes o fator limitador da atuação paterna é a própria mãe que rejeita e critica este pai na frente da criança, gerando uma comunicação dupla e tirando a autoridade moral dele. E com isto sofrendo no futuro as consequências na educação dos filhos. Esta mãe possui a autoestima baixa por isto necessita demonstrar maior autoridade.

    Outro fator desencadeante de baixa autoestima nos filhos é quando na separação as mães denigrem a imagem dos pais com os filhos, também impedindo que estes desenvolvam sua autocrítica quando adultos.

    São muitos os fatores desencadeantes da distância entre pais e filhos, mas com o aparecimento dos pães este quadro vem se modificando gradativamente, o que vem trazendo saúde emocional para todos!!



    Ana Stuart
    é psicóloga e terapeuta familiar

    Os autores dos artigos assumem inteira responsabilidade pelo conteúdo dos textos de sua autoria. A opinião dos autores não necessariamente expressa a linha editorial e a visão do Portal ACESSA.com

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