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    Febre amarela Vírus se espalha e causa alarde em algumas regiões do país e nenhuma cidade está fora do risco de ter casos da doença, inclusive Juiz de Fora

    Thiago Werneck
    Repórter
    19/01/2008

    A onda de febre amarela no centro-oeste do país, onde 12 pessoas já morreram por causa da doença preocupa a população. Apesar da Secretaria de Saúde da cidade garantir que não há motivos para alarde em Juiz de Fora, o infectologista Mário Novaes (foto abaixo) destaca que a mobilidade de pessoas que chegam e saem da cidade, podem levar o vírus para qualquer lugar do país.

    Mesmo que mais de 90% da população tenha sido vacinada em 2001, muitos estudantes de vários locais do Brasil e também pessoas com outros motivos mudam e visitam a cidade a todo momento. Além disso, passam por aqui viajantes e turistas e muitos desses podem não ter sido vacinados. "Olha o tanto de gente que chega na cidade. Se um deles está e é picado pelo mosquito Aedes aegypti vai poder disseminar a doença", explica Mário.

    Segundo o infectologista, em muitos casos a febre amarela não se manifesta no portador do vírus. "O problema de Juiz de Fora é que aqui tem muitos mosquitos da dengue e que podem sim, transmitir a doença. Como as regiões endêmicas podem mudar com facilidade, aqui pode também ter problemas com a febre amarela, já que a situação no país é delicada", diz.

    A preocupação aumenta por causa dos casos da doença na região norte, nordeste e centro-oeste. O nomadismo da atual sociedade é ressaltado por Mário. "O mundo está globalizado também para as doenças. Isso é um fato. Antes só no norte que havia preocupação com a febre amarela, agora com esse aquecimento global a tendência é que doenças típicas de algumas regiões passem a acontecer em todo o mundo", afirma Mário.

    Saída é a vacinação
    Foto de vacinas A saída para evitar uma epidemia é a vacinação. "A recomendação é prevenir, a nossa urbanização não é ecologicamente sustentável. Estão destruindo o habitat natural dos mosquitos que vêm para as cidades, que cada vez mais têm um clima mais tropical", avalia Mário.

    O médico acredita que o alarde para Juiz de Fora é desnecessário porque a doença ainda não chegou na cidade. Ele reforça que a vacina pode ser aplicada apenas uma vez, no período de dez anos, porque ela já garante o efeito. "O Brasil, mesmo sendo um dos maiores produtores da vacina, tem um estoque baixo para suportar a crise que acontece agora. As vacinas produzidas estão sendo priorizadas para as regiões endêmicas. Sul e Sudeste podem ficar com falta da vacina".

    Em qualquer situação de febre alta, dor no corpo e forte dores de cabeça o ideal é procurar logo um médico. Através de exames ele vai poder detectar se houve ação do vírus da febre amarela, que apresenta, no início, sintomas parecidos com a dengue e malária.

    Não há descoberta de um remédio que extermine o vírus da febre amarela. O vírus costuma agir atacando um órgão do corpo e por isso traz problemas para quem é contagiado. A única forma de transmissão acontece através do mosquito.

    Foto de seringa Por isso, mesmo que a doença seja descoberta nos macacos, todos devem ficar atentos. "Esse é o primeiro sinal de que a região tem propagação da doença, já que o mosquito pode picar o animal, portar o vírus e passá-lo depois para uma pessoa", diz Mário.

    A alegação de que não há riscos de epidemia porque os casos da doença foram todos silvestres não convence o infectologista. "Esse conceito de silvestre e urbana está para acabar, porque há uma invasão dos mosquitos nas cidades e essa grande mobilidade de pessoas pode fazer com que a doença chegue em qualquer lugar", explica.

    O Ministério da Saúde informou, no último sábado dia 19 de janeiro, que são 12 os casos confirmados de febre amarela em todo o país. No total, o ministério já recebeu 33 notificações de suspeitas da doença, sendo que 14 foram descartados e sete ainda estão em investigação. Este ano, a febre amarela já matou oito pessoas.

    O ministério esclareceu que vai orientar as secretarias de saúde dos estados para alertar as pessoas para o risco da revacinação. Desde o início do ano já foram distribuídas sete milhões de doses da vacina e foram registrados 31 casos de complicação que repetiram a vacina em um prazo inferior aos de dez anos.

    A doença

    Os principais sintomas da febre amarela são febre alta, mal-estar, dor de cabeça, dor muscular muito forte, cansaço, calafrios, vômito e diarréia que aparecem, em geral, de três a seis dias depois da picada (período de incubação). Aproximadamente metade dos casos da doença evolui bem. Os outros 15% podem apresentar, além dos já citados, sintomas graves como icterícia (mucosa de cor amarelada nos olhos), hemorragias, comprometimento dos rins, fígado (hepatite e coma hepático), pulmão e problemas cardíacos que podem levar à morte. Uma vez recuperado, o paciente não apresenta seqüela.

    O doente com febre amarela precisa de suporte hospitalar para evitar que o quadro evolua com maior gravidade. Não existem medicamentos específicos para combater a doença. Basicamente, o tratamento consiste em hidratação e uso de antitérmicos. Casos mais graves podem requerer diálise e transfusão de sangue.

    Áreas

    Áreas endêmicas são as que sempre apresentam circulação viral, seja pela ocorrência de macacos ou pela ocorrência de casos em humanos. Já as de transição são áreas evidenciadas de circulação viral esporádica em período mais recente.

    As áreas de risco potencial são as áreas adjacentes às áreas de transição que apesar de não haver evidência de circulação viral, as características da hidrografia e da vegetação, dentre outros fatores, determinam que nestes locais há maior probabilidade para ocorrência de epizootias e/ou casos humanos.

    Confira relação dos Estados e regiões com recomendação e exigência da vacinação contra Febre Amarela:

    • Áreas endêmicas: Região Norte (Acre, Amazonas, Maranhão, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins); Região Centro Oeste (Goiás – Brasília DF), Mato Grosso do Sul, Mato Grosso) e Norte de Minas Gerais;
    • Áreas de transição: Região Nordeste (Bahia, Piauí); Região Sudeste (Minas Gerais); Região Sul (Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina).

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