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  • Mitos e verdades sobre a dengue A epidemia da doença tem provocado medo nas pessoas, que apelam para medidas nem sempre eficientes para evitar a doença

    Priscila Magalhães
    Repórter
    16/04/2008

    O medo de ser infectado pelo vírus da dengue faz as pessoas recorrerem a alguns métodos nem sempre eficientes. Para o clínico geral e geriatra Clorivaldo Rocha, o maior remédio é a divulgação e conscientização das pessoas sobre a doença. "A dengue é universal e acomete pessoas de todas as classes sociais, por isso, toda a sociedade deve se mobilizar para um combate eficaz".

    O período do inverno é considerado, por muitos, como uma época em que a população está livre da doença, o que Clorivaldo diz ser um engano. "O vírus têm uma característica violenta. No frio, a larva entra no estado de hibernação e quando voltam as chuvas e a alta temperatura, as larvas eclodem e há contaminação novamente", explica, dizendo que o trabalho deve começar agora. "Só assim vamos evitar a epidemia", completa.

    Clorivaldo dá algumas dicas do que é verdade e do que é mito no combate à dengue. Confira a entrevista abaixo.

    ACESSA.com - É verdade que o mosquito não consegue atingir locais altos?

    Clorivaldo Rocha - O que sabemos sobre os hábitos do Aedes aegypti é que a fêmea se alimenta de sangue no início da manhã e mais no final da tarde, o que não impede que nos outros horários também aconteça. Sobre o fato de ele voar um ou dois metros de altura, confesso que não tenho informações para confirmar isso.

    ACESSA.com - Quais remédios contra os sintomas da dengue podem acarretar outros problemas?

    Clorivaldo Rocha - Por ser uma virose, o tratamento da dengue é sintomático, não tem medicação específica para tratamento da doença, exceto para a complicação no caso de dengue hemorrágica. O uso recomendado é de paracetamol e dipirona, evitando o uso de ácido acetilsalicílico, que provoca sangramentos, piorando o quadro de dengue hemorrágica. Um cuidado excepcional que precisamos ter é com o paracetamol, pois ele ataca o fígado. O flavovírus do Aedes aegypti também provoca essa agressão hepática. Então, se você estiver com o vírus da dengue e tomando paracetamol, existe um comprometimento maior da função hepática e pode ter até hepatite. O ideal é usar a dipirona, que não tem problema nenhum.

    ACESSA.com - São quatro tipos de vírus da dengue. É verdade que a mesma pessoa não pega o mesmo tipo mais de uma vez?

    Clorivaldo Rocha - Sim, nós criamos uma imunidade em relação àquele tipo de vírus. Porém, ainda há outros três tipos para que a pessoa seja infectada.

    ACESSA.com - O inhame e o complexo B ajudam na prevenção da dengue?

    Clorivaldo Rocha - Não, isso não tem nada a ver, é realmente um mito. Não existe nenhum estudo que comprove um tipo de benefício. As pessoas falam que, principalmente o complexo B, tem um cheiro muito forte e espanta o mosquito, mas não é verdade.

    ACESSA.com - O ideal é usar um repelente ou os inseticidas para evitar as picadas do mosquito?

    Clorivaldo Rocha - As duas opções são indicadas, tanto passar o repelente ou fazer uso do inseticida. Para este último seria mais o caso de utilizar nas regiões onde há infestação do mosquito e a gente sabe que em Juiz de Fora há alguns locais onde essa infestação já aumentou e temos que tomar cuidado com isso (leia sobre as notificações na cidade). Mas, no geral, o repelente já resolve bem. É importante destacar que o inseticida vai agir contra o mosquito adulto e o outro cuidado que precisamos ter é a utilização de larvicidas dentro de caixas d'água, redes de esgoto e piscinas para acabar com as larvas.

    ACESSA.com - Ar condicionado e ventilador impedem as picadas do mosquito?

    Clorivaldo Rocha - Não tem nada a ver. O que acontece é que o caso do ar condicionado impede a entrada do mosquito, já que o ambiente está fechado. O que existe de verdadeiro nessa história é que, normalmente, o mosquito se direciona em função da liberação de gás carbônico, feita pelas vias aéreas. Então, pelo fato de o ventilador ou o ar condicionado estarem ligados, o gás carbônico fica mais diluído e impediria que o mosquito localizasse a vítima por conta disso.

    ACESSA.com - E a vela de andiroba, ajuda a afastar?

    Clorivaldo Rocha - A vela ajuda a afastar, sim. Dentro dos mitos populares, esse é o que tem ajudado.

    ACESSA.com - Existem pessoas que são contaminadas e não desenvolvem a doença?

    Clorivaldo Rocha - Sim. As pessoas podem ser picadas pelo mosquito e, dependendo do estado imunológico, ela pode não apresentar nada. Ou, às vezes, tem uma sintomatologia muito branda que nem leva em consideração.

    ACESSA.com - O soro caseiro contribui para a hidratação?

    Clorivaldo Rocha - Ele ajuda. Um dos tratamentos da dengue é o sintomático e a gente usa o analgésico, antitérmico e a hidratação por via oral. O ideal é fazer um tratamento em torno de 80 mL de soro por quilo. Então, se o paciente tem 70 quilos, a gente usaria cerca de cinco litros de soro ou de líquido por dia.

    ACESSA.com - Os mosquitos rejeitam a claridade?

    Clorivaldo Rocha - Confesso que nunca vi nada a respeito, mesmo porque eles têm o hábito mais no início da manhã e final da tarde.

    ACESSA.com - Colocar água sanitária na água ajuda a evitar as larvas?

    Clorivaldo Rocha - Ajuda. É uma das principais medidas. Colocar uma colherzinha de água sanitária na caixa d'água, na piscina, nas poças e retenções de água ajuda a evitar as larvas.

    ACESSA.com - A dengue hemorrágica só ocorre nas pessoas que têm a dengue pela segunda vez?

    Clorivaldo Rocha - Não, isso é um folclore. A gente sabe que as pessoas dizem isso. Mas, na verdade, tudo ocorre de acordo com a virulência, quando o vírus tem a capacidade de provocar a doença mais forte. O vírus com essa virulência mais forte, vai depender da própria mutação que eles sofrem no ambiente, aquela seleção natural.

    ACESSA.com - O mosquito também se reproduz na água suja?

    Clorivaldo Rocha - Preferencialmente em água limpa. A água suja ou a contaminada não tem os elementos que ele precisa para reprodução, como a oxigenação, que provoca a ausência de outros parasitas que poderiam inibir a presença do vírus ou até fazendo a fagocitose, pegando o vírus.

    ACESSA.com - Borra de café também contribui para matar as larvas?

    Clorivaldo Rocha - Te confesso que nunca vi nenhuma validação científica a respeito dessa prática.

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