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    Médicos criticam adaptação de lentes em óticas Oftalmologista diz que pacientes de ótica são mais propensos a terem problemas na vista. Entre as conseqüências está a perda do globo ocular

    Priscila Magalhães
    Repórter
    25/07/2008

    De um lado, os oftalmologistas defendem a adaptação (colocação) de lentes de contato apenas por profissionais. Do outro, algumas óticas, sem qualquer estrutura, além de venderem, fazem a adaptação. Na terceira ponta, os pacientes que recorrem às óticas e não tomam o mínimo cuidado com as lentes.

    "Lente de contato não é comércio. Qualquer complicação, a responsabilidade é de quem fez a adaptação", diz o oftalmologista Paulo Roberto Motta.

    Por isso, a ótica onde Dircéia Guilarducci é gerente optou por não adaptar as lentes nos clientes. "Somente comercializamos e trabalhamos somente com as de grau. Quem compra com a gente é, também, quem vem fazer os óculos".

    A opção por não adaptar as lentes está ligada ao fato de o estabelecimento não possuir estrutura. "Sabemos que é importante a desinfecção das lentes e precisaríamos de um local para fazer a higiene das mãos", explica a gerente. O outro fator está ligado à responsabilidade. "Se algum problema acontecer, é muita responsabilidade para a loja".

    Entretanto, como na maioria das óticas não há profissional habilitado, o paciente acaba recorrendo aos médicos. "E quando eles chegam ao consultório, a complicação já está avançada", diz o médico. Ele ainda critica os pacientes de ótica. "Mesmo com lesões graves, eles não querem deixar de usar as lentes e não concordam em se tratar. Pacientes de ótica são rebeldes", afirma.

    Lentes coloridas

    Foto de pessoa colocando lente Um complicador são as lentes coloridas, procuradas por vaidade. Quando o paciente não tem problema de vista é que ele recorre diretamente às óticas, por achar desnecessário realizar exames médicos. Motta explica que essas lentes oferecem mais riscos por causa da coloração. Há mais facilidade em depositar ciscos, sujeira e outras substâncias na pigmentação.

    Dircéia explica que, nos locais onde as lentes coloridas são vendidas e adaptadas nos pacientes, há um mostruário de cores. Antes de o cliente comprar, ele experimenta estas lentes para escolher o tom que melhor combina com a cor natural do olho. "E todos experimentam as mesmas lentes". Além disso, ela diz que um par dessas lentes duram de 15 a 30 dias e custam, em média, R$ 80. "Os clientes não costumam trocar as lentes quando passa do prazo de validade e, muito menos, fazem a desinfecção com os produtos específicos".

    Atento aos sinais

    Foto de Dr. Paulo Olhos vermelhos com sensação de areia, desconforto e lacrimejamento são os primeiros sinais de uma infecção por uso incorreto de lentes de contato. Estes sinais são conseqüências de uma infecção superficial da córnea, de conjuntivite ou de um corpo estranho que se aloja entre a lente e a córnea e irrita os olhos.

    Se não for cuidada, a irritação superficial desenvolve para úlcera na córnea, quando há complicação. "O problema é que a essa altura não sabemos se é fúngica ou bacteriana. Até descobrirmos para iniciar o tratamento pode ser tarde", diz Motta (foto acima). Deste ponto, a úlcera pode diminuir ou aumentar. Neste caso, é necessário transplante de córnea, ou, quando não há mais o que fazer, o caso desenvolve para perda do globo ocular.

    Quem pode usar

    Através de uma consulta com o oftalmologista, uma avaliação profunda dos olhos vai ser realizada, o que inclui exame de córnea, de lágrima e da conjuntiva. Dessa forma, o médico vai selecionar os pacientes aptos a usar a produto, já que para cada pessoa existe um material mais adequado.

    Foto de lentes Entretanto, o perfil do paciente também é analisado. Os médicos avaliam se o paciente tem uma boa performance para se acostumar com elas. Além disso, a avaliação inclui se a pessoa tem higiene e se é organizada. "Tem paciente que chega no consultório e tira as lentes para o exame sem lavas as mãos. Depois as guarda naquele estojo imundo. Isso não pode", diz Motta.

    A higiene das lentes deve ser feita toda vez que elas forem retiradas dos olhos. "A desinfecção é feita com produtos específicos e recomendados pelo médico". Antes, é essencial lavar bem as mãos. O estojo deve ser trocado todo mês. "Não adianta fervê-lo para limpar".

    Outro ponto importante é respeitar o prazo de validade do produto. As descartáveis duram, em média, 30 dias e as de uso permanente, um ano. Para o oftalmologista, o mais importante é procurar um especialista. "As óticas vendem as lentes como um produto e não como um procedimento médico", enfatiza.

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