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    Doenças do sono atingem metade da população Entre elas está o ronco, que atinge os homens em grande escala. As mulheres têm mais propensão a roncar após a menopausa

    Priscila Magalhães
    Repórter
    22/09/2008

    Os problemas de sono estão se tornado cada vez mais freqüentes no ser humano, porque este tem reduzido seu tempo de descanso. "O homem foi criado para dormir oito horas por noite. Atualmente, é difícil encontrar quem durma todo esse tempo", diz a neurologista especialista em medicina do sono e presidente da Associação Mineira de Medicina do Sono Celeste Negrão.

    Entre os fatores que contribuem para esta redução estão o lazer noturno, a internet, a televisão e os estudos. "A sociedade está obrigando as pessoas a dormirem mais tarde. Elas chegam em casa tarde e ainda vão ver TV e olhar os e-mails". A redução do tempo de sono e os dias agitados vão causando irritabilidade, cansaço e estresse. Como conseqüência, o organismo pode desenvolver até um quadro de depressão.

    Um outro problema é o ronco. É comum ouvir histórias de pessoas que se sentem incomodadas pelo som emitido pelo parceiro ou parceira enquanto dormem. "A maioria das pessoas ronca", diz a médica. O ronco é o barulho que o ar faz quando tenta passar por uma estrutura do corpo que está bloqueando sua passagem, como as amídalas, por exemplo.

    O grupo mais propenso a roncar é o formado por homens. A situação se agrava para eles quando a idade vai avançando. "Neste caso, aumenta a flacidez da musculatura", explica a médica. As mulheres passam a roncar após a menopausa. Pessoas obesas também fazem parte do grupo. Outro ponto a ser observado, e que pode indicar se a pessoa tem o hábito de roncar ou não, é o perímetro cervical. "No caso dos homens, se o pescoço medir mais que 43 centímetros, ele é propenso ao ronco. Para as mulheres o número é acima de 38 centímetros". Esses valores indicam o acúmulo de gordura na região do pescoço.

    Segundo Celeste, quem ronca passa por algum problema respiratório, como desvio de septo, rinite ou obstrução nasal, entre outras. Ela diz que o ronco leve não traz prejuízos ao sono de quem emite os ruídos. Entretanto, é preciso ficar atento, pois um simples ronco pode se tornar mais problemático, o que acontece quando ele se associa à apnéia.

    A apnéia ocorre quando a pessoa pára de respirar, por cerca de dez segundos, enquanto dorme. Quando isso acontece por até cinco vezes a cada noite, o quadro ainda é considerado normal. A gravidade começa a ficar mais evidente quando esse número aumenta. "Entre cinco e 15 vezes por noite é considerada leve, de 15 a 30 é moderada e acima disso é grave", explica a médica.

    Como identificar uma doença do sono?

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de Celeste Negrão Para quem dorme acompanhado, é mais fácil identificar algum tipo de irregularidade durante o sono, afinal, o ronco atrapalha quem está do lado. Mas e quem dorme sozinho? Celeste explica que o primeiro sinal é a sonolência durante o dia. "Quem tem um quadro mais grave de apnéia, briga para respirar durante toda a noite. Então, a qualidade do sono não é boa".

    Além da sonolência, outros sinais de que a pessoa não atingiu o sono profundo, aquele que realmente descansa, é a queda na concentração, na memória e na qualidade de vida, provocada pelo mau humor. "Quando estes primeiros sinais forem percebidos, o ideal é procurar um especialista", aconselha.

    Essa pessoa vai ser encaminhada a um exame chamado polissonografia. Através dele, o paciente vai ser observado durante toda a noite e a qualidade de seu sono avaliada. "Tudo é monitorado durante o sono: movimentos de pernas, batimentos cardíacos e respiração, entre outros. Assim, o distúrbio vai ser identificado".

    Tratamentos

    Ao contrário do que se pensa há tratamento para o ronco. Entre os mais simples, para casos menos complicados, é necessário ter atenção à postura na hora de dormir. "Pode ser que a pessoa só ronque se estiver deitada de barriga para cima. Então, deite de lado", aconselha Celeste. Outra medida é perder peso. "O ronco e a apnéia estão ligados ao excesso de peso".

    Para quem tem problemas respiratórios, como rinite, o ideal é dormir em local limpo e arejado para não prejudicar a respiração. Evitar alimentos pesados, bebida alcoólica e cigarro à noite também contribui para manter a qualidade do sono.

    Para casos de ronco mais complexos, os tratamentos são feitos com um aparelho oral para ronco, adaptado somente por dentistas especializados; cirurgia, que corresponde a menos de 5% dos casos; e o uso do CPAP, um aparelho indicado para quem tem apnéia do sono. "É uma máscara usada para dormir e que joga ar nas vias aéreas superiores. Assim, o paciente não pára de respirar".

    A médica ainda ressalta que noites mal dormidas também podem aumentar o número de acidentes de trânsito e no trabalho. "A sonolência reduz os reflexos e a concentração". Quanto mais cedo o tratamento for iniciado, melhor. Assim, o paciente recupera a qualidade de vida. "Respirando e dormindo melhor, ele vai fazer atividade física e até perder peso".

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