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    Tabagismo passivo é a terceira causa de morte evitável no Brasil Exposição ao cigarro aumenta riscos de câncer de pulmão, infarto e derrame

    Patrícia Rossini
    *Colaboração
    07/01/2009

    Uma pesquisa divulgada pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) aponta que o tabagismo passivo é a terceira causa de morte evitável no Brasil. O fumo ocupa o primeiro lugar e o abuso de bebidas alcoólicas, o segundo. Os dados demonstram uma realidade preocupante.

    Apesar de os malefícios do cigarro já serem conhecidos, o dano causado pela fumaça aos não-fumantes traz à tona a discussão sobre o fumo em locais fechados. "Agora, estamos vendo a ponta do iceberg. É difícil precisar quantas pessoas são afetadas pela exposição à fumaça, pois isso pode acontecer dentro de casa, no trabalho ou em qualquer local fechado", explica o cardiologista José Resende de Castro Júnior (foto abaixo).

    Risco iminente

    Segundo o cardiologista, as substâncias que compõem a fumaça do cigarro são mais tóxicas do que as inaladas pelo fumante."A fumaça que sai da ponta do cigarro tem até três vezes mais nicotina e alcatrão, pois não passa pelo filtro", justifica.

    Foto de José Resende de Castro Júnior As crianças que convivem com fumantes em ambientes fechados podem desenvolver diversas doenças - principalmente relacionadas às vias respiratórias, como asma, bronquite, infecções respiratórias, otite e pneumonia. No caso das mulheres grávidas casadas com tabagistas, a fumaça pode prejudicar o feto. "Evidências apontam o aumento da incidência de bebês prematuros entre gestantes que são fumantes passivas", afirma José Resende.

    Lugares fechados

    Apesar das regulamentações que proíbem o fumo em locais fechados, a prática é constante. As doenças provocadas pelo contato com a fumaça também podem ser consideradas acidentes de trabalho, segundo o cardiologista. "Garçons, cozinheiros, funcionários de bares e restaurantes que dispõem de ambientes para fumantes correm grande risco de desenvolver doenças como o câncer de pulmão, mesmo sem fumar. Neste caso, o paciente pode até ser indenizado pelo acidente de trabalho".

    Incentivo

    Para o cardiologista, o fato de os danos provocados pelo tabaco em não-fumantes serem conhecidos pela população pode ser o incentivo que faltava para muita gente largar o vício. "Com certeza algumas pessoas vão ter um motivo a mais para parar de fumar ao saber que podem prejudicar filhos e familiares", afirma. Ele acredita que as restrições à propaganda da indústria tabagística também colaboram para a redução do tabagismo. "Há 20 anos, os fumantes representavam cerca de 40% da população brasileira. Atualmente, a prevalência é de 16%. O índice é alto, mas demonstra uma redução significativa."

    Ainda de acordo com José Resende, 80% dos fumantes têm o primeiro contato com o cigarro aos 13 anos de idade, por influência externa e necessidade de autoafirmação. A dependência de nicotina é considerada mais forte do que a dependência de drogas como cocaína e maconha.

    tabagismo passivo pode provocar:
    Tabagismo passivo pode provocar:
    *(Fonte: Instituto Nacional do Câncer)
    Em adultos não-fumantes Maior risco de doença por causa do tabagismo, proporcionalmente ao tempo de exposição à fumaça;
    Um risco 30% maior de câncer de pulmão e 24% maior de infarto do coração do que os não-fumantes que não se expõem.
    Em crianças: Maior frequencia de resfriados e infecções do ouvido médio;
    Risco maior de doenças respiratórias como pneumonia, bronquites e exarcebação da asma.
    Em bebês: Um risco 5 vezes maior de morrerem subitamente sem uma causa aparente (Síndrome da Morte Súbita Infantil); Maior risco de doenças pulmonares até 1 ano de idade, proporcionalmente ao número de fumantes em casa.
    Em fumantes passivos: Também sofrem os efeitos imediatos da poluição tabagística ambiental, tais como, irritação nos olhos, manifestações nasais, tosse, cefaleia, aumento de problemas alérgicos, principalmente das vias respiratórias e aumento dos problemas cardíacos, principalmente elevação da pressão arterial e angina (dor no peito). Outros efeitos a médio e longo prazo são a redução da capacidade funcional respiratória (o quanto o pulmão é capaz de exercer a sua função), aumento do risco de ter aterosclerose e aumento do número de infecções respiratórias em crianças.
    Proibido por lei

    A restrição ao fumo em ambientes fechados é garantida por lei, e um projeto em tramitação no Senado pretende fechar o cerco aos tabagistas.

    O projeto 315/08 do senador Tião Viana (PT-AC) está sob análise da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania da Casa, e altera a lei 9.294/1996, que "descreve a proibição do uso de cigarros, cigarrilhas, charutos, cachimbos ou qualquer outro produto fumígero, derivado ou não do tabaco, em recinto coletivo, privado ou público, salvo em área destinada exclusivamente para este fim, devidamente isolada e com arejamento conveniente."(Acompanhe a tramitação)

    Se aprovado o projeto de lei, vai ser proibido o fumo em todos os ambientes fechados.

    * Patrícia Rossini é estudante de Comunicação Social da UFJF

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