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    Usuários abusam de remédios para emagrecer Dependência química, depressão e arritmia cardíaca estão entre os efeitos colaterais


    Patrícia Rossini
    *Colaboração
    4/3/2009

    Quem vive em guerra contra a balança sabe: a combinação dieta e exercícios físicos regulares é o segredo para acabar com os quilos extras. No entanto, a busca por remédios "milagrosos" para emagrecimento é cada vez maior no Brasil.

    O país está entre as nações que mais consomem anfetaminas no mundo, segundo relatório divulgado pela Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (Jife), da ONU. O documento identifica, ainda, o desvio das substâncias estimulantes dos canais legais de fiscalização e a venda sem receita como problemas a serem resolvidos pelas autoridades brasileiras. Entre estas substâncias estão os anorexígenos, que inibem o apetite.

    Segundo dados da Secretaria Nacional Antidrogas, o número de usuários de anfetaminas dobrou no período de 2001 a 2005, passando de 1,5% para 3%.

    Entre os riscos oferecidos por esse tipo de medicamento estão a dependência química, insônia, taquicardia, arritmia cardíaca e alucinação.

    Consumo consciente

    Para a endocrinologista Celia Novaes, o aumento no consumo de remédios para emagrecer não é fruto da falta de informação, mas da busca por soluções rápidas e milagrosas. "Quem consome as substâncias anorexígenas sabe que elas fazem mal à saúde e, mesmo assim, prefere recorrer às pílulas a fazer uma reeducação alimentar e introduzir os exercícios físicos no cotidiano", afirma.

    Segundo ela, muitos pacientes que optaram, inicialmente, pelo uso de medicamentos para emagrecimento, procuram o consultório em busca de uma dieta balanceada. "Diante dos efeitos colaterais e dos problemas provocados por essas substâncias, é comum a pessoa desistir desse tipo de tratamento e procurar orientação para dieta e exercícios, que são as alternativas saudáveis de emagrecimento", explica.

    É o caso da estudante universitária N., de 23 anos, que teve o primeiro contato com as drogas do emagrecimento aos 16 anos. "Na primeira vez que tomei anfepramona (tipo de anfetamina), o resultado foi muito satisfatório. Em pouco tempo, perdi todos os quilos extras. Porém, como não mudei meus hábitos alimentares depois de tomar o remédio, acabei engordando de novo", relata.

    Por causa do chamado "efeito-sanfona", a estudante continuou utilizando a substância para perder peso, até não sentir mais o efeito. "Como eu já estava tomando a dosagem máxima permitida pelo Ministério da Saúde, o meu organismo já não respondia da mesma forma à medicação. Depois de conversar com alguns colegas, decidi mudar minha alimentação e entrar na academia. Os resultados são mais lentos, mas duram mais, por causa da mudança de hábito."

    Controle

    Em 2008, entrou em vigor a Resolução da Diretoria Colegiada 58/07, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que estabelece normas mais rígidas para a prescrição de anorexígenos. A venda passou a ser condicionada à apresentação do receituário B2 (azul), específico para controle desse tipo de substância. Também foram definidas as doses máximas diárias de cada anorexígeno.

    A prescrição de remédios ou fórmulas manipuladas que associem anorexígenos a hormônios e benozodiazepínicos, bem como a substâncias ansiolíticas, diuréticas, antidepressivas ou laxativas é proibida.

    O descumprimento das normas é penalizado de acordo com a lei 6.437/77, que prevê a aplicação de multas que variam entre R$ 2 mil e R$ 1,5 milhão, além da interdição do estabelecimento.

    Mesmo assim, muitos usuários burlam a lei ao ingerir o remédio para emagrecer combinado com as demais substâncias, que são facilmente encontradas nas farmácias de manipulação.

    O Portal ACESSA.com percorreu alguns estabelecimentos de Juiz de Fora e constatou que a venda de compostos destinados ao emagrecimento é feita sem indicação médica. As cápsulas são comercializadas a preços populares e podem combinar substâncias como passiflora (calmante), hidroclorotiazida (diurético) e cascara sagrada (laxativo).

    "O uso de laxantes, diuréticos e hormônios para emagrecimento pode causar um descontrole metabólico muito grande no paciente, principalmente se não houver o acompanhamento médico. O problema é que muitas pessoas abusam da automedicação. Já no caso dos anorexígenos, o vício é um dos maiores vilões", alerta Celia Novaes.

    Além das anfetaminas, é comum a indicação da sibutramina no tratamento da obesidade. Essa substância age no sistema nervoso e provoca a sensação de saciedade. Já a substância orlistat, presente em remédios como o xenical, bloqueia a absorção de cerca de 30% das gorduras ingeridas. Devido à enorme lista de efeitos colaterais e contra-indicações referentes a esse tipo de medicamento, a orientação e o acompanhamento médico são necessários para reduzir os riscos do tratamento.

    Obesidade no Brasil

    O crescimento da obesidade no país também é motivo de preocupação. Segundo dados do IBGE, mais de 40% da população adulta está acima do peso ideal - sendo que quase 10% é considerada obesa.

    A endemia pode provocar transtornos como a diabetes e aumentar o risco de problemas cardiovasculares, como a hipertensão arterial, a doença arterial coronária e a aterosclerose. Os obesos também podem desenvolver transtornos respiratórios, digestivos, obstétricos e psicossociais.

    Entre os tipos de câncer associados à obesidade, estão o câncer de mama, de colo retal, de útero, de próstata, de vesícula biliar e endometrial.

    * Patrícia Rossini é estudante de Comunicação Social da UFJF

    Os textos são revisados por Madalena Fernandes

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