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    Juiz de Fora registra 123 casos de suicídio em 2020 

    Jorge Júnior
    Editor
    01/09/2020

    Até o momento, Juiz de Fora já tem 123 casos de suicídio, com 25 óbitos. Os dados obtidos até agosto superam os anos de 2017 e 2018, que fecharam em 115 e 165, respectivamente. O levantamento é feito a partir dos registros da Secretaria de Estado de Defesa Social (PM, Bombeiros e Serviço de Atendimento Móvel - Samu), além de unidades de saúde e cemitérios da cidade.

    Segundo levantamento, os jovens de 19 e 30 anos lideram a lista de pessoa que tentaram contra a própria vida. Em segundo lugar aparecem pessoas de 31 a 45 anos, seguida de 46 a 59 anos. As regiões mais comuns aonde aconteceram os registros são: Sul, seguida da Nordeste e Leste. Ainda conforme o levantamento, as mulheres predominam, em 60%.

    Preocupado com os números crescentes, desde o ano passado, o vereador José Mansueto Fiorilo (PL) criou a Lei 14.077 para estimular ações educativas e preventivas, visando diagnosticar casos propensos, além de promover atividades de apoio às pessoas com distúrbios emocionais ou mentais.

    Sancionada pelo prefeito Antônio Almas em 11 de agosto, o texto cria o “Dia Municipal de Conscientização e Prevenção ao Suicídio”, celebrado no dia 10 de setembro de cada ano. Conforme o artigo 2º, os objetivos são:

    I - estimular ações educativas e preventivas, visando a diagnosticar pretensos suicidas;
    II - promover atividades de apoio às pessoas com distúrbios emocionais ou mentais;
    III - criar canais de atendimento pessoal às pessoas diagnosticadas com distúrbios, desenvolvendo estratégias de proteção à vida em todos os sentidos, com ampla divulgação nos meios de comunicação alcançáveis;
    IV - propor e executar projetos que organizem rede de atenção e intervenção nos casos de tentativa de suicídio, promovendo intercâmbio entre o Sistema Único de Saúde (SUS) e a sociedade civil organizada, envolvendo sociedades empresariais e organizações de apoio à causa.

    Para se chegar ao resultado final, Fiorilo consultou a opinião de especialistas, psicólogos e psiquiatras, tentando identificar o que poderia ser incluído na lei, que pudesse colaborar com a prevenção dos casos. "A ideia é criar canais de atendimento pessoal, desenvolvendo estratégias de proteção à vida, com ampla divulgação", disse o vereador.

    Desde o início da pandemia na cidade, o número de pessoas que morreram, vítimas de suicídio é muito alto. No total, de 19 de março a 1° de setembro, 19 pessoas tiraram suas próprias vidas. "É um número altíssimo. Estamos vivendo um período muito difícil, temos que conscientizar a população de que o suicídio não é frescura, é doença, e precisa ser tratada. E o início desse tratamento começa com o médico, mas continua em casa, com os familiares", disse o vereador.

    Tratamento começa em casa

    Para a psiquiatra Elimar Jacob, o suicídio pode ser prevenido dentro de casa. Mas, para que haja essa prevenção, há a necessidade da divulgação sobre as doenças mentais e maior aceitação pela população. "A palavra é empatia. O pensamento de muitas pessoas hoje em dia é que não existem doenças mentais, que é frescura, falta de Deus, falta de homem ou mulher, de uma trouxa de roupa. São vários pacientes que chegam ao consultório alegando que foram intimidados pelos próprios familiares, que não acreditam em problemas mentais," contou.

    Elimar lembra que já existe um mecanismo, em âmbito nacional para atendimento às pessoas vítimas de doenças mentais. Porém, se houvesse um trabalho nas escolas, desde os primeiros anos de vida, até os mais idosos, o resultado dos números poderia ser diferente. "Eu acredito que as pessoas são mal informadas a respeito do que é uma doença mental; do que é o suicídio, como identificar uma pessoa propensa a cometer o suicídio e como evitar esses registros. O executivo, o legislativo, a igreja, as escolas, os grupos podem ajudar",  pontuou.

    Depressão

    Dos 123 registros desse ano, 71,54% dos registros, constatavam que a vítima sofria de depressão, seguido de 20,35% de problemas passionais, 8,84% de problemas financeiros e 3,53% de outros motivos. A depressão é um problema médico grave e altamente prevalente na população em geral.

    De acordo com estudo epidemiológico a prevalência de depressão ao longo da vida no Brasil está em torno de 15,5%. Segundo a OMS, a prevalência de depressão na rede de atenção primária de saúde é 10,4%, isoladamente ou associada a um transtorno físico.

    A depressão situa-se em 4º lugar entre as principais causas de ônus, respondendo por 4,4% dos ônus acarretados por todas as doenças durante a vida. Ocupa 1º lugar quando considerado o tempo vivido com incapacitação ao longo da vida (11,9%).

    A época comum do aparecimento é o final da 3ª década da vida, mas pode começar em qualquer idade. Estudos mostram prevalência ao longo da vida em até 20% nas mulheres e 12% para os homens.

    AUTO EXTERMÍNIO JUIZ DE FORA
    ANO TENTADO CONSUMADO TOTAL GERAL
    2017 85 30 115
    2018 134 31 165
    2019 180 40 220
    2020 94 25 123

    Fontes: PM, CBM, SAMU e unidades de saúde de Juiz de Fora


    Matéria atualizada às 10h30

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