Juiz de Fora - MG

Quarta-feira, 27 de agosto de 2008, atualizada às 17h03

Participação de mulheres na política é considerada pequena. Em Juiz de Fora, dos 391 candidatos a vereador, somente 98 são do sexo feminino



Daniele Gruppi
Repórter

Pesquisas mostram que a participação de mulheres na vida política no Brasil é pequena. Segundo a Secretaria de de Políticas para as Mulheres (SPM), da Presidência da República, o País ocupa o 142º lugar em relação à presença de mulheres nos parlamentos, num ranking de 188 nações.

Em Juiz de Fora, o cenário político não é diferente. Nas eleições de 2008, dos 391 candidatos a vereador apenas 91 são do sexo feminino, e pela, primeira vez, há uma candidata ao cargo de prefeito.

Para o cientista político Raul Magalhães, o desengajamento político pode ser explicado pelo movimento feminista, que no Brasil não foi tão bem estruturado como nos Estados Unidos e Europa. "A mulher cresceu no mercado de trabalho, mas não teve politização".

Outro fator que justifica a pequena presença da mulher no poder é a questão da vida política ser cara. "A mulher tem mais dificuldade para arrecadação de recursos. A desvantagem nos postos de empresas pode ser um empecilho para viabilizar uma campanha".

O cientista lembra que a maioria do eleitorado na cidade é composto por mulheres. "Se houvesse uma articulação do tipo mulher só vota em mulher, a diferença no número de eleitorados poderia pesar numa eleição".

Para garantir mais espaço para as mulheres, foi criada a Lei nº 9504/97, dizendo que para cada partido deve-se reservar no mínimo 30% e no máximo 70% dos cargos para cada sexo. Entretanto, o levantamento feito pela SPM, demonstra que nenhum partido cumpriu a cota mínima de 30% de mulheres no total de candidaturas para as câmaras municipais.

O estudo da SPM aponta ainda que no universo das 26 capitais brasileiras nas quais ocorrem eleições municipais os partidos que menos atingiram a cota mínima foram o PMDB, PDT e PMN. Cada um alcançou o percentual de 30% apenas em duas capitais. Mesmo o PC do B, partido que mais cumpriu a legislação nas capitais, só superou a cota em 12 delas.

Campanha Mais Mulher no Poder

A Secretaria de Políticas para a Mulher, o Conselho Nacional de Políticas para a Mulher e comitê de mulher de vários partidos brasileiros lançam a campanha "Mais Mulheres no Poder", com o objetivo de debater a importância da presença feminina nos espaços de poder e decisão e incentivar todas as candidaturas ao comprometimento com plataformas eleitorais voltadas para a igualdade entre homens e mulheres.

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