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    Feijão enriquecido pode reduzir a desnutrição infantil Revestimento comestível, que foi desenvolvido pela UFV, confere alto valor nutritivo ao alimento. Comercialização depende do interesse das empresas

    Aline Furtado
    Repórter
    23/12/2010
    Feijão

    Dificilmente alguém para para pensar nos nutrientes que ingere no dia a dia. Por que será, por exemplo, que uma das principais refeições do dia, o almoço, é composta pelo arroz e pelo feijão? Quem responde à pergunta é a engenheira de alimentos, Solange de Sousa.

    "A combinação é feita porque um contém proteínas que o outro não apresenta. Com isso, ao ingerir os dois alimentos, a pessoa está garantindo aminoácidos importantes para a saúde."

    Com base nisso, desde 1998, a engenheira de alimentos, juntamente com outros pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV), vem desenvolvendo uma pesquisa para criar um feijão mais nutritivo. A tese foi apresentada no último dia 10 de dezembro e a comercialização depende do interesse de empresas.

    "Nossa intenção é suprir a carência de nutrientes, apresentada por cerca de 165 milhões de crianças, abaixo de cinco anos, desnutridas em todo o mundo", explica Solange. A novidade é o desenvolvimento de um revestimento comestível, uma espécie de gel, no qual o feijão carioca é imerso. Ao secar, o preparo se transforma em película, formando outra casca no feijão.

    "Não se trata de alteração genética, a fim de se alcançar ganhos nutricionais. Trata-se de uma espécie de mingau, que contém aminoácidos necessários a uma dieta saudável, os quais não estão presentes no feijão que compramos no mercado." A pesquisadora explica que o produto é indicado, principalmente, para crianças entre dois e cinco anos. "O feijão revestido é altamente rico em proteínas, que auxiliam na formação dos ossos, reduzem a probabilidade de incidência de câncer do colo do útero e de diabetes, além de diminuir o risco de infarto."

    A solução, à base de carboidratos, foi desenvolvida a partir de dois tipos de amido, a cera de carnaúba e a fécula da mandioca. Os produtos são gelatinizados, de forma separada, a 70º C e, posteriormente, resfriados. Em seguida, são adicionados dois aminoácidos.

    Economia

    Solange lembra que a inserção do produto na merenda escolar pode trazer ganhos não só para os alunos, em termos nutricionais, mas também economicamente, já que não seria necessário servir arroz com feijão. "Apenas o feijão revestido cumpriria o papel nutricional dos dois alimentos." Ela explica que o custo do revestimento é baixo, além de serem utilizados carboidratos biodegradáveis, que não poluem e são encontrados em abundância na natureza.

    Mais resistente

    Durante os testes agronômicos realizados ao longo da pesquisa, ficou constatado que o revestimento acrescentado ao feijão aumenta sua resistência. "Durante o processo produtivo, o feijão passa pela fumigação, que é o controle de pragas por meio do uso de compostos químicos. Contudo, usamos grãos que não passaram por este processo e, ainda assim, não sofreram com a infestação por pragas e insetos."

    Assim, os pesquisadores concluíram que o revestimento funciona como uma barreira protetora. Além disso, a camada protege o feijão durante a fase de armazenamento, diminuindo o grau de escurecimento dos grãos e garantindo melhor qualidade ao produto por mais tempo.

    Os textos são revisados por Thaísa Hosken


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