Leon Cleveland Leon Cleveland 5/06/2015

Project CARS: mais real que realidade

Apesar de não estar ali na minha descrição básica (lá em baixo, no texto), eu sou MUITO fã de corridas, em geral. Cresci assistindo o lendário Ayrton Senna voando baixo em Mônaco, desafiando a chuva em Imola e pilotando um F1 como se estivesse pilotando um velotrol. Nunca quis (acho) ser um piloto de corrida na minha infância, mas sempre adorei jogar games de corrida, sejam eles mais arcade (descompromissado de uma física realista. Um bom exemplo é a série Need for Speed, excluindo os Shifts) ou os meus favoritos: Os simuladores. Lá por volta de 1998, um dos marcos mais importantes para os games de simulador de corrida foi lançado: Gran Turismo. Posso afirmar que, deste ponto em diante, games de simulação de corridas ganharam um destaque absurdo. (estou excluindo aqueles simuladores pesadões, tipo o R-Factory). Hoje em dia, por exemplo, o próprio Gran Turismo tem um projeto ambicioso com várias montadoras de carro, o projeto GT Vizion, no qual as montadoras lançam um carro conceito visionário e o tornam jogável no game Gran Turismo 6. Além disso, Gran Turismo é reconhecido pela FIA (Federação Internacional de Automobilismo) como seu "game oficial" por assim dizer. Isso sem contar no Nissan GT Academy, uma competição automobilística de acesso para várias outras, patrocinadas por quem? A japonesa Nissan e, sim, Gran Turismo.

Mas não estamos aqui para falar de Gran Turismo. Estamos aqui para falar de um jogo que deixou Gran Turismo e Forza para trás: Project CARS.

Desde seu anúncio e vários adiamentos, Project CARS já vinha como uma promessa para um gênero que anda(va) a passos vagarosos e o que mais chamou atenção neste processo de pré-lançamento do jogo, e o que pareceu ser o foco do mesmo, foram os detalhes e a imersão.

Imersão que tem lá seus momentos frouxos. A navegação em menus é suave e bem tranquila, mas caso tenhamos um Project CARS 2, por favor, troquem a música. Ela não é ruim, de forma alguma. São canções bem compostas com um misto interessante de dubstep, house, ópera e rock pesado, mas não combina em NADA com o clima e vibe do jogo. Outro aspecto falho, mas porque foi mal aproveitado, é o modo carreira do game. Não sei se é porque eu estou acostumado com os "Modo Carreira" mais amplos como os de Forza e GT, mas achei que o de Project CARS estava faltando algo. Pareceu incompleto (propositalmente?). Não é um mal modo carreira. Você pode escolher em que categoria vai começar, mas o ideal é começar de baixo, como todo piloto. Você pode, daí em diante, ganhar mais prestígio, subindo na sua carreira e existem detalhezinhos que aumentam a sensação de imersão e realidade do game, como os falsos tweets que são um "termômetro" do seu desempenho enquanto piloto de corridas, isso sem contar nos e-mails que sua equipe envia para você, dando toques aqui e ali sobre como você deve (ou não correr)... Mas ainda assim, faltou alguma coisa. A intenção de Project CARS é outra, eu sei, mas custava deixar a gente ganhar dinheiro e comprar os carros que quisermos?

Mas a imersão é ruim, no geral?

Não.

Olha, se por um lado ela é falha e insuficiente, por outro lado torna a experiência de Project CARS única. Parece coisa boba, mas quando você vê um replay de uma corrida e consegue perceber a água subindo por causa da velocidade do seu carro, chega a dar uma alegria sem tamanho. Até mesmo as gotas que ficam no para-brisa se comportam como deveriam, escorregando para as laterais do carro. É um show visual para deixar fãs, entusiastas e curiosos boquiabertos. Os roncos dos motores chegam dar arrepios, de tão perfeitos. A imersão ainda continua impactante mesmo fora do aspecto estético. Você pode fazer ajustes no seu carro, como mexer no giro do motor, transmissão, pressão do pneu e suspensão, etc. Não só no carro, você pode ajustar também a sua estratégia de pit stop, para alterações na pressão dos pneus (ou para a troca dos pneus), quanto de combustível será colocado no carro. Os controles estão precisos, caso você jogue num joy/manete, agora, se você prefere jogar esta belezura com um volante, prepare-se: Somando volante, com as opções de simulação totalmente ligadas (como o gasto de combustível, auxílio de tração desligado, desgaste de pneus, danos reais...) e com os fatores que eu citei aí em cima, Project CARS se transforma no simulador de corrida mais real que a realidade, uma experiência definitiva.

Agora, se houvesse uma competição de qual jogo possui mais detalhes, Project CARS já estava disparado no top 3. A riqueza de pequenas intervenções gráficas do jogo o tornam um refresco (necessário) para os olhos. Não estou dizendo que Forza 5 ou Gran Turismo 6 são jogos feios. Estou dizendo que Project CARS é o simulador mais lindo que eu já vi e joguei na minha vida. Eu, de verdade, não me lembro quando foi que eu vi pequenos detalhes como pistões agindo no motor em tempo real (quando o carro permite este tipo de visualização, é claro), ou as pastilhas do freio ficando laranjas de calor ou até mesmo o pé do piloto, no Kart, pisando nos pedais na mesma intensidade em que você pisa no seu pedal/aperta o seu botão. O nível de perfeição dos carros (apesar da quantidade de veículos não ser tão grande) beira o absurdo, trazendo os modelos mais realistas e completos dos últimos anos dos jogos de corrida. Cada peça dos carros foram moldadas separadamente. Os cenários estão lindos também, com detalhezinhos (olha só, detalhes de novo) chamando atenção desde o asfalto das pistas até o cenários de fundo, como árvores, gramado, céu e as variações climáticas. Diacho, até as raspas da borracha dos pneus ficam na pista!

É uma época boa para ser fãs de jogos de corrida, queridos leitores. Seja você gamer que fã de jogos de corrida ou só curte uma simulaçãozinha de vez em quando, pegue este game o quanto antes! Recomendadíssimo.

Project CARS é desenvolvido pela Slightly Mad Studios e distribuído pela Bandai Namco.


Leon Cleveland é formado em Comunicação Social pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora. É fã de desenhos animados, mitologias, heavy metal, culinária, gastronomia, bacon e é completamente apaixonado por games. Tão apaixonado que sua Tese de Conclusão de Curso foi "O uso da Linguagem Cinematográfica nos Games". Já escreveu para várias publicações, analógicas e digitais, sobre o assunto e planeja se especializar na recente área de "Crítica de Videogames".

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