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    Pane de operadora em São Paulo afeta usuários em JF Instabilidade na rede da Telefônica levanta discussão sobre
    a expansão da rede mundial de computadores no Brasil

    Guilherme Arêas
    Repórter
    28/5/2009

    Durante três dias o supervisor de Tecnologia da Informação (TI) de uma instituição de ensino de Juiz de Fora, Ronald Varandas, enfrentou problemas de acesso a um sistema on line de gestão escolar, uma ferramenta fundamental em seu trabalho. "O problema chegou a um ponto crítico que interrompeu por completo o meu acesso ao sistema", relata. Usuário do provedor de internet da ACESSA.com, Ronald associou o problema ao serviço oferecido pela empresa. Após uma análise de toda a rede utilizada pelo supervisor, concluiu-se que o usuário foi diretamente afetado pelos constantes problemas de acesso que os clientes da Telefônica enfrentam no estado de São Paulo.

    Mas por que o usuário de um provedor de internet em Juiz de Fora teria os mesmos problemas de acesso dos usuários de uma empresa paulista? A resposta está na estrutura na qual a internet está inserida. Como o sistema acessado por Ronald está alocado em um servidor de uma empresa hospedada na Telefônica, um problema que ocorre em São Paulo afeta diretamente a conexão de qualquer usuário que tente utilizar aquele sistema.

    Assim como Ronald, todos os usuários da internet, principalmente os de banda larga, estão sujeitos às instabilidades de diversos sistemas que compõem a transmissão de dados via web. A principal dificuldade nesses casos é identificar a origem da pane.

    Como o próprio nome sugere, a rede mundial de computadores é um conjunto de redes que se comunicam. Conforme explica o diretor técnico da ACESSA.com, Sérgio Faria, o acesso a uma rede se faz de duas formas: através de uma interconexão direta entre redes ou passando por outras redes até chegar ao destino final. "No decorrer desse caminho, um problema de acesso tem muitas variáveis para justificar uma lentidão", esclarece.

    O diretor geral da empresa, Márcio Faria, reforça: "Como estamos conectados a redes, não importa o bom desempenho de uma em particular, se elas interagem às interconexões que servem aos usuários. Estes não sabem disso e muitas vezes associam a lentidão de seu acesso a um problema local, mas na verdade sua causa está no tráfego desequilibrado e/ou estrangulado que existe no meio do caminho entre ele e o servidor que tenta acessar."

    Os percalços na conexão podem ser causados tanto por problemas no computador do usuário, através de um sistema operacional pouco eficiente ou uma configuração incorreta no acesso à internet, quanto por problemas na máquina de destino. Porém, entre esses dois extremos, a informação pode percorrer um caminho muito grande e enfrentar obstáculos que dificultam a agilidade da transmissão.

    Expansão da grande rede

    Sérgio Faria aponta como uma das principais causas para a constante instabilidade da internet brasileira a falta de investimentos das grandes operadoras para expandir a capacidade de transmissão de dados em altas velocidades. Como os usuários finais dependem de toda a rede para se conectarem à internet, os milhares de provedores locais existentes em todo o país se veem reféns da capacidade de transmissão de dados oferecida pelas grandes operadoras.

    "Depois do estouro da grande bolha da internet, por volta do ano 2000, algumas empresas que injetaram vultosos recursos nessa área acabaram quebrando, deixando ociosa uma infraestrutura de transmissão. Foi nessa faixa de instalação ociosa que cresceu a banda larga."

    Com os anos, o espaço antes ocioso também se viu no limite de operação. A perspectiva da retomada da expansão, segundo os profissionais da área, só será viável com novos investimentos. O uso da grande rede para a transmissão de arquivos de vídeo e música, aliados aos spans e ataques de hackers, sobrecarregam a rede.

    Uma pesquisa do Comitê Gestor da Internet no Brasil revelou que 58% dos acessos domiciliares à internet no país em 2008 foram feitos através da banda larga, contra 31% dos acessos discados. Em 2005, o número de acessos em banda larga chegava a apenas 22%.

    "Nos últimos meses do ano passado e em 2009, nós tivemos dois exemplos claros de como a rede de banda larga no Brasil está entrando em esgotamento. Foram os casos na rede de ADSL, através do Velox e mais especificamente o Speedy, da Telefônica," lembra Sérgio.

    Em 2008, o empresário Felipe Gazolla Colaci sentiu de perto o gargalo em que a internet brasileira se encontra. Um problema com a conexão do Velox deixou sua empresa sem acesso à rede por duas semanas e causou prejuízos ao seu negócio. "Somos 11 pessoas trabalhando diretamente com internet. É o nosso meio de trabalho. Seria a mesma coisa que tirar o carro de um motorista", explica.

    Para solucionar o problema de imediato, a empresa utilizou conexões remotas via celular. Porém, a baixa velocidade na transmissão dos dados atrapalhou o andamento dos negócios. "Além do prejuízo de arcar com conexões via celular, que não são baratas, tivemos também na oferta dos nossos serviços pelo baixo desempenho da conexão."

    Oligopólio ainda pouco fiscalizado

    Assim como a prestação do serviço de telefonia fixa no Brasil, as operadoras que disponibilizam os meios para acesso à internet ainda são concentradas em um número reduzido de empresas. Em resposta às constantes falhas observadas nos últimos meses, os deputados federais da bancada paulista querem a intervenção estatal na Telefônica, por se tratar de uma concessionária de serviço público.

    De acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o serviço de banda larga não é concessão pública e, sim, uma autorização, sendo regido por regras diferenciadas. Dos serviços de telecomunicações, apenas a telefonia fixa, móvel e a TV por assinatura têm metas de qualidade. Já os Serviços de Comunicação Multimídia (SCM), nos quais está inserida a banda larga, ainda não são regulados por metas. A Anatel informou que, mesmo sem metas de qualidade, existe uma série de obrigações previstas no regulamento dos serviços ofertados pelas operadoras. A multa para quem descumpre as regras pode chegar a R$ 50 milhões.

    Ainda segundo a Anatel, as cinco maiores empresas que prestam o serviço de banda larga no Brasil (Telefônica, Embratel, Oi, Brasil Telecom e NET) já possuem processos administrativos que questionam a qualidade do serviço prestados ao usuário.

    Em nota, a Telefônica informou que as causas dos problemas que afetaram os usuários ainda estão sendo apuradas. A empresa garante ainda que "desde o primeiro momento em que ocorreram os problemas, mobilizou todas as suas equipes especializadas para fazer o diagnóstico e aplicar as medidas corretivas necessárias ao restabelecimento do serviço no menor prazo possível."

    Para o diretor técnico Sérgio Faria, o debate sobre a qualidade da banda larga no Brasil deve ser estendido à população em geral. "Isso é uma questão a ser avaliada não só pelas autoridades e prestadoras do serviço de telecomunicações do país, mas também cabe ao usuário, como cidadão. Ele precisa ver essa questão não só pela ótica do preço, mas pelo tipo de sociedade que ele quer. Os exemplos de danos na rede mostram o perigo da concentração do serviço nas mãos das poucas operadoras", conclui.

    Os textos são revisados por Madalena Fernandes

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