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    Relacionamento rompido pela internet vale?Segundo psicóloga, atitude indica imaturidade e falta de seriedade. Para antropóloga, a identidade cultural contemporânea favorece a situação

    Pablo Cordeiro
    Repórter
    4/9/2010

    Em uma sociedade cada vez mais conectada, não é uma realidade incomum situações de rompimento de namoro, relacionamento ou casos através da internet. Terminar uma relação nunca é fácil. Agora imagine se essa conversa acontece pela tela do computador ou do celular, com os envolvidos se comunicando por e-mail, mensagens instantâneas, recados em rede social ou torpedos SMS?

    Isso foi o que aconteceu com a estudante Maria (nome fictício), que namorou durante três meses e seu namorado rompeu a relação por e-mail. Ela conta que o namoro estava indo bem e não tinha nenhum motivo aparente para o fim. "Isso me deixou com muitas dúvidas. Não tinha motivo para o término. Ele viajou com a família e, um dia depois, quando abri minha caixa de e-mail, estava a mensagem dizendo que não estava dando mais certo e que seria melhor se terminássemos", explica.

    Mesmo com o pouco tempo, Maria diz que estava envolvida e tinha segurança que fosse durar mais, por isso, os questionamentos aumentaram. "Não era como se namorássemos há anos, mas estava tudo bem. Não entendi o porquê do término pela internet e muito menos os motivos. Era mais fácil uma conversa cara a cara", ressalta. O fato ocorreu há dois meses e, até hoje, a estudante não encontrou com o ex-namorado para conversar. "Não respondi ao e-mail e preferi não ligar. Nunca mais o vi", enfatiza.

    Segundo a psicóloga Ana Stuart, antes da internet, relacionamentos também eram firmados e rompidos por cartas. "Os rompimentos por cartas e internet representam imaturidade, dificuldade no trato pessoal e na intimidade", define.

    "Não entendi o porquê do término pela internet e muito menos os motivos. Era mais fácil uma conversa cara a cara"

    Para Ana, fica um ar de situação mal resolvida. Nesses casos, a psicóloga aconselha à "vítima" a não criar dúvidas ou insegurança - como aconteceu com Maria - e enxergar que a imaturidade veio do outro e não de si mesmo. "A melhor coisa que ela pode fazer é eliminar essa pessoa da vida dela. Não deve procurar mais e nem fazer nenhum monitoramento pelas redes sociais, por exemplo." Ana ainda indica, caso o envolvimento tenha sido grande, procurar uma terapia ou um grupo de ajuda. "Nesses casos, o apoio familiar, força e equilíbrio são fundamentais."

    Em relação ao "outro", Ana destaca que, de fato, existem pessoas que não conseguem lidar com situações dessa natureza pessoalmente, demonstrando instabilidade emocional. Quando o relacionamento envolve mensagens em redes sociais e a pessoa decide repreender ou mesmo se vingar pela rede, Ana enfatiza novamente a questão da imaturidade.

    Sociedade favorece o relacionamento virtual

    Situações assim podem parecer estranhas para muita gente, mas, como explica a antropóloga Tereza Bellosi, a realidade contemporânea está enraizada na tecnologia, possibilitando e favorecendo relações através da internet. "A dinâmica é outra. A identidade contemporânea é isto: mensagens curtas, término por e-mail, conversar por mensagens instantâneas. Isso tudo faz parte. Não choca", define.

    Segundo Tereza, vivemos a cultura do individualismo. "Na interface do mundo virtual, nos apaixonamos, achamos que vamos amar pelo resto da vida e terminamos no dia seguinte. É tudo muito rápido. Faz parte do contexto. Na prática, reflete muito a sociedade. Quanto menos se envolver, melhor. A internet é um canal que dá liberdade, criando personalidades para as pessoas", destaca.

    Assim como Ana, Tereza analisa o comportamento dos envolvidos nesta situação de término de relacionamento pela rede. "Esse é o caminho da relação virtual. A pessoa se protege e fica tudo mais fácil. O mundo virtual dá segurança para a pessoa não se expor".

    Os textos são revisados por Thaísa Hosken

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