Pé na estrada via mochilão Vinícius Nunes Leal já foi do Oiapoque ao Chuí, visitou todos os Estados brasileiros e conhece a maioria dos países sulamericanos


*Guilherme Arêas
Colaboração
06/07/2007

Você já se imaginou, aos 23 anos de idade, ter conhecido todas as capitais brasileiras, além de vários países da América? Se os seus planos são o de visitar o maior número de lugares possíveis, arrume logo as suas malas. Ou melhor, a sua mochila. O estudante Vinícius Nunes Leal, morador de Juiz de Fora, já percorreu quase dez países com uma mochila nas costas e muita disposição para encarar os desafios.

No primeiro mochilão, em 2003, Vinícius visitou o Norte e Nordeste do Brasil. A viagem durou cerca de 50 dias e o roteiro começou com as cidades litorâneas do Nordeste e terminou em Belém. A viagem de volta aconteceu de carona em uma carreta e teve início no Pará. No percurso de volta a Juiz de Fora, que demorou uma semana, o estudante conheceu o sertão nordestino, lugar que já lhe chamava a atenção.

O estudante gostou da experiência e, um ano depois, repetiu a dose num segundo mochilão. Os imprevistos marcaram a viagem de 22 dias ao Nordeste brasileiro. Inicialmente, Vinícius iria para um congresso em Fortaleza, mas, na volta, o estudante pensou duas vezes antes de embarcar. "Liguei para os meus pais em Governador Valadares, minha cidade natal, e avisei que demoraria alguns dias a mais para chegar em casa. Mandei as malas pelo ônibus que retornava à cidade e fiquei apenas com o essencial", lembra. Foi assim que o estudante conheceu mais um trecho da região Nordeste.

foto das malas foto do sertão nordestino foto do sertão nordestino

Partindo para a América

Mapa do primeiro mochilão

Depois de duas experiências com viagens de aventura, chegava a hora de Vinícius ir mais além. Em Janeiro de 2005, o estudante participou do Fórum Social Mundial, em Porto Alegre. A idéia era, talvez, conhecer a Argentina depois do evento. Mas como bom mochileiro, a aventura de Vinícius durou mais de 40 dias.

Da turma que o acompanhou até Porto Alegre, restaram apenas quatro pessoas dispostas a também conhecer a Argentina. Não estava nos planos, mas a viagem continuou até o Uruguai, mas dessa vez, apenas duas pessoas acompanharam a aventura do estudante. Não pensaram duas vezes antes de seguirem para o Paraguai. No fim da jornada, já sozinho, Vinícius percorreu o interior do Paraná, São Paulo e Minas, finalizando 45 dias de viagem.

foto da Argentina foto do Uruguai foto do Paraguai

Completando o percurso

Mapa do segundo mochilão

Engana-se quem pensa que no ano de 2005 as mochilas de Vinícius ganharam descanso. Seis meses depois de conhecer parte da América Latina, já estava ele de volta com o pé na estrada para mais uma viagem, a que finalizaria a visita do estudante a todos os Estados brasileiros.

O quarto mochilão durou 60 dias e começou em Goiás. Completando os Estados da região Centro-oeste, Vinícius conheceu Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. A Bolívia, país vizinho, foi o próximo destino do roteiro, que contou ainda com os Estados de Rondônia, Acre, Amazonas e Roraima. Saindo novamente do país, o estudante passou por Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa. A porta de entrada de volta ao Brasil foi pelo Amapá, seguido por Pará. O último Estado brasileiro a ser visitado pelo Estudante foi o Tocantins. Cumprindo o roteiro de pisar em todos os Estados da federação, Vinícius voltou para Minas Gerais.

Mas a viagem teve seus momentos difíceis. O mochileiro lembra que entrar na Guiana Francesa não foi tarefa fácil. "Quando estava em Manaus, descobri que deveria ter um visto para sair do Suriname e entrar na Guiana Francesa. Como eu tinha pouco tempo para isso, resolvi tentar entrar como clandestino. Acabei conseguindo carona e atravessei a fronteira de barco. Tive que ficar uns dias como clandestino e acabei me passando por holandês para não ser deportado" diz. Permanecer na Guiana Francesa se passando por holandês foi a solução encontrada por Vinícius, já que o Suriname, país vizinho e que estabelece relações mais estreitas com as Guianas, foi colônia da Holanda e adota o holandês como língua oficial.

foto de Cuiabá fronteira Brasil Bolívia foto da Venezuela

foto da Guiana foto do Suriname foto dda fronteira Suriname Guiana Francesa

Isso ainda é só o começo

Dizem que um mochileiro nunca se cansa de descobrir novos lugares. Vinícius comprova essa teoria. O estudante já prepara a sua próxima viagem. No meio do ano que vem, ele pretende completar o roteiro latino-americano, visitando países como Colômbia, Equador, Chile e Peru, além de países da América Central.

Este ano, Vinícius foi para os Estados Unidos. "Na Califórnia fiquei duas semanas viajando de carro. Não foi um típico mochilão, que você vai de ônibus, mas fiz várias coisas que eu faço geralmente nos mochilões. O roteiro contou com lugares como Sacramento, São Francisco, Los Angeles, Beverly Hills, San Diego e Las Vegas, além de Hawai" recorda.

Um mochilão rumo à Europa também já faz parte dos planos do estudante. A idéia é conhecer, principalmente, os países do leste europeu, como Bulgária e Romênia. "Eu acabo de me formar agora, no meio do ano. Então não sei como fica essa questão de emprego. Mas quando eu conseguir umas férias de um mês ou mais, faço a próxima viagem" planeja Vinícius.

As dicas do experiente mochileiro

Com esse currículo de viagens, Vinícius dá algumas dicas para quem deseja se aventurar num primeiro mochilão. "O que não pode faltar na bagagem é roupa leve, como camisa de malha. Tente levar o mínimo de roupa de frio porque ocupa muito espaço; no máximo uma ou duas calças jeans. Em relação aos calçados, um par de tênis e um de chinelo já são suficientes. Se você pretende fazer camping, o saco de dormir é fundamental. Não pode faltar, também, um kit para higiene pessoal. Óculos escuros e uma câmera fotográfica completam a bagagem. É legal levar duas mochilas: a maior você deixa no hotel, enquanto leva, na menor, ítens essenciais para o passeio do dia-a-dia", orienta.

Além da bagagem, a dica principal é ter vontade de conhecer novos lugares. "Prefiro viajar acompanhado. Mas quem vai querer ir comigo para o Acre? Ninguém. Eu não deixo de viajar quando estou com vontade. Já fiz dois mochilões completamente sozinho", salienta Vinícius.

Confira, agora, algumas observações que Vinícius faz em relação aos países latino-americamos que já visitou:

Ilustração com bandeiras Guiana Francesa – A estrutura do país e os serviços oferecidos são bons, apesar de tudo ser um pouco caro. As cidades seguem o padrão europeu, bem no meio da Amazônia. O turista que tiver com euros, moeda local, vai fazer um passeio muito bom e sem problemas. Para quem gosta de aventura, a dica é sair de Boa Vista (Rorâima) em direção à Macapá, passando pelas Guianas e Suriname. A região interiorana desses países é constituída pela floresta amazônica.

Guiana – Viajou uma noite inteira em estrada de chão. O carro acabou atolando e ficou com as pernas cheias de barro, mas só conseguiu lava-las no dia seguinte, na beira de um rio. É o país mais diferente do Brasil. Não tem muita relação, já que o povoamento se dá no litoral. O interior desses países é a região amazônica. Então o contato com o Brasil fica mais difícil. O país adota o trânsito na mão inglesa. A capital, Georgetown, está abaixo do nível do mar. Na avenida beira-mar a vista é um muro. A cidade é cheia de canais para equilibrar o nível de água.

Suriname – Conseguiu trocar o dinheiro que tinha pela moeda do Suriname, mas no dia seguinte o dinheiro acabou e teve que dormir uma noite em uma casa noturna. A língua, o holandês, foi a maior dificuldade. O trânsito adotou, há cerca de 10 anos, a mão inglesa. Então tem carros com o volante no lado esquerdo e outros com volante no lado direito.

Bolívia – Conheceu a cidade pantaneira de San Matias, na fronteira com o Brasil. Possui cachoeiras muito bonitas.

Venezuela – A cidade que visitou era bem pequena e pobre. O destaque fica por conta da cachoeira Quedas del Jaspi.

Argentina – É um país muito bem estruturado. Os países do Mercosul se parecem mais com o Brasil e não teve muitos problemas. Buenos Aires é uma cidade muito boa, com muitas opções de atividades para se fazer durante o dia. O metrô da capital leva a todos os pontos turísticos da cidade. ÿ

Uruguai – Foi o país que mais gostou de conhecer. Indica Colônia del Sacramento, um local que pertenceu quatro vezes a Portugal e quatro a Espanha. Outro lugar que indica é Punta del Diablo, que fica a 60km abaixo do Brasil. É barato e dá pra acampar. Para quem não tem muito dinheiro e tempo, a opção é mesmo conhecer o Uruguai. Vinícius afirma que viajar dez dias pelo litoral uruguaio é um passeio que você não vai se arrepender. Piriápolis é uma praia muito linda. Apesar de ser bem perto de Punta del Leste, onde as coisas são bem caras, em Piriápolis a viagem fica bem mais em conta. O Uruguai foi o país que mais surpreendeu o mochileiro. Ele não esperava tudo o que eu encontrou.

Paraguai – Não gostou do país, mas a usina de Itaipu, na divisa com o Brasil, é um lugar interessante. O centro histórico de Assunção, capital do país, é interessante de ser visitado. Mas, no geral, o Paraguai seria um roteiro apenas de passagem.

*Guilherme Arêas é estudante de Jornalismo da UFJF

Conteúdo Recomendado

Comentários

Ao postar comentários o internauta concorda com os termos de uso e responsabilidade do site.