Meningite Saiba mais sobre essa doen?a grave que pode matar em menos de 12 horas. Fique atento ?s contra-indica?es da preven??o

Fernanda Leonel
Rep?rter
06/06/2006

Leia a mat?ria e entenda o surto de meningite que j? fez 22 v?timas na vizinha cidade de Muria?. A m?dia de casos na cidade ? sete vezes maior que a m?dia de registros nacionais no mesmo per?odo.

Leia!


O surto de meningite detectado na cidade de Muria?, localizada a 160 quil?metros de Juiz de Fora, voltou a aten??o da popula??o da regi?o para uma doen?a grave e ainda pouco conhecida: a meningite.

A doen?a ? causada por uma inflama??o dentro do sistema nervoso central, nas meninges - membranas que envolvem o enc?falo e a medula espinhal. ? importante destacar que h? diferentes tipos e est?gios da doen?a, que variam de acordo com os microorganismos que levam ? doen?a.

As meningites do tipo viral, n?o possuem nem tratamento espec?fico, nem grandes danos ? sa?de. O indiv?duo sente febre, v?mitos e outros sintomas da doen?a, mas ? o pr?prio organismo quem vai se encarregar de eliminar o agente "mal-vindo".

J? as meningites causadas por bact?rias, s?o mais graves. Precisam de tratamento espec?fico e se n?o detectadas e socorridas h? tempo, podem levar o infectato ? morte.

Dentro da doen?a de cont?gio bacteriano, h? algumas subdivis?es da enfermidade. Tr?s esp?cies de bact?rias s?o respons?veis por mais de 80% de todos os casos de meningite: Neisseria meningitidis, Hemophilus influenzae e Streptococcus pneumoniae. As tr?s esp?cies de bact?rias est?o presentes no meio ambiente e podem, inclusive, se instalar no nariz e no sistema respirat?rio, sem, entretanto, causar qualquer dano.

A tipologia detectada na cidade de Muria?, e a mais grave delas, ? a meningite meningoc?cita, causada pela bact?ria Neisseria meningitidis. A meningite do tipo meningoc?cita pode se manifestar na forma de uma septcemia, ou seja, como uma infec??o generalizada que pode evoluir rapidamente para o ?bito.

Segundo o pediatra e intensivista, Dr. Edson De Lucca, ? mais comum o aparecimento de casos de meningite durante essa ?poca do ano. Em meses como maio, junho e julho, o frio ? mais intenso e h? maiores varia?es de temperatura.

Essa poderia ser uma das explica?es para a grande quantidade de casos detectados em Muria?. Como explica o pediatra, uma porcentagem n?o contabilizada por ele de pessoas, e estimada em 10% da popula??o segundo o Minist?rio da Sa?de, possuem a bacteria que d? origem a meningite alojada na garganta. Dessa forma, a doen?a que ? transmitida atrav?s do ar, fica, em ?pocas de muitas tosses e maior presen?a em ambientes fechados, mais ao "alcance" de quem o organismo n?o est? em equil?brio imunol?gico, e que pode desenvolver a bact?ria.

Aten??o redobrada, pelo mesmo motivo, deve ser dispensada ?s crian?as. Crian?as com menos de seis anos e principalmente abaixo de dois, possuem mais chances de serem contaminadas por possu?rem taxas de imunidade muito menores quando comparadas com um adulto.

Cont?gio e sintomas
A transmiss?o da meningite ? feita pelo contato direto com secre?es da garganta ou do nariz de pessoas portadoras ou convalescentes. Estas pessoas liberam os agentes etiol?gicos no ar que podem ser inspirados por outros indiv?duos (em momentos imunol?gicos desequilibrados) e causar a doen?a.

Felizmente esses agentes etiol?gicos, os meningococos, n?o sobrevivem muito na atmosfera. Por isso nem sempre determinado n?mero de casos da doen?a se transformam em surtos.

Para saber se h? chance de voc? estar com a doen?a preste aten??o nos seguintes sintomas: febre alta, dores no pesco?o, dor de cabe?a forte (cefal?ia), dor de gargante e v?mitos. Normalmente, a menigite aparece depois de uma doen?a respirat?ria.

Em tempos de surtos epidemiol?gicos ? preciso ter cuidado na hora de um poss?vel diagn?stico. Tanto para n?o fazer alarde com uma doen?a t?o s?ria, como para n?o deixar para depois um tratamento que pode salvar uma vida.

A rigidez do pesco?o (rigidez nucal) n?o significa simplesmente dor ? flex?o do pesco?o. De fato, ? extremamente doloroso ou imposs?vel levar o queixo at? o peito para quem est? com a doen?a. O mesmo vale para a febre e a dor no pesco?o.

Mas entender o grau n?o quer dizer deixar para depois. Como aconselha Dr. Edson De Lucca, em casos como os que acontecem em Muria?, toda aten??o ? pouca. Como a meningite bacteriana (especialmente a causada pela Neisseria meningitidis) pode levar ? morte em horas, ? necess?ria aten??o m?dica urgente.

Uma febre em crian?as com at? 2 anos de idade justifica uma avalia??o imediata e completa pelo m?dico, especialmente se a crian?a tornar-se cada vez mais sonolenta e recusar alimenta??o. Casos de v?mitos, convuls?es ou rigidez nucal de vem ser avaliados com a mesma aten??o.

Preven??o:vacina e antibi?ticos
Prevenir continua sendo o melhor rem?dio, principalmente em casos como esse, no qual, o planejamento pode ser sin?nimo de vida poupada. A preven??o da inflama??o na menige pode acontecer de duas formas: atrav?s do tratamento com antibi?ticos, mais conhecido como quimioprofilaxia, ou atrav?s das vacinas, que podem ser conjugadas ou polissac?ride.

A diferen?a na escolha do m?todo est? no grau de risco que se tem de j? ser um portador do v?rus da doen?a. Pessoas que moram com pessoas que foram infectadas, ou tiveram contatos superiores a 20 horas, nos ?ltimos sete dias, devem escolher o tratamento com antibi?ticos.

De acordo com o Dr. Edson De Lucca, a efic?cia de preven??o desse m?todo ? "satisfat?ria" e ? altamente recomendada, exceto para gr?vidas, que devem classificar qual ? o custo benef?cio dessa aplica??o na sua gravidez. Os compontentes dos antibi?ticos s?o prejudiciais ao beb?.

Defini??o de contactante pr?ximo (pessoas que devem usar antibi?ticos)
• Pessoas que residem no mesmo domic?lio do doente
• Indiv?duos que compartilharam o dormit?rio com o doente nos ?ltimos sete dias
• Contactantes de creche e jardim de inf?ncia (professoras e crian?as) que dividem a mesma sala
• Todas as pessoas que tiveram contato com a saliva do doente nos ?ltimos sete dias (beijar, compartilhar alimentos e bebidas, grupo de crian?as que brincam juntas, dividir a mesma escova de dentes)
• Profissionais da ?rea da sa?de que realizaram procedimentos (entuba??o orotraqueal, exame de fundo do olho, passagem de cateter nasog?strico) sem utiliza??o de material de prote??o adequado (m?scara cir?rgica e luvas)

Para quem ? o risco n?o ? t?o eminente assim, mas que quer se proteger de alguma forma, as vacinas s?o os suportes indicados. Elas s?o as grandes ferramentas das secretarias e ?rg?os de sa?de para aplica??o em preven?es de grande porte.

Elas s?o de dois tipos e atendem ? necessidades de prote??o diferenciada. As vacinas polisar?des, s?o vacinas que possuem menor dura??o de prote??o, mas que no entato, s?o mais utilizadas como "bloqueio" para surtos da doen?a.

Parece contradit?rio mas, o fato de vacinas de menor dura??o de preven??o serem utilizadas em casos de surtos, podem ser explicado pela menor concentra??o da vacina. A menor concentra??o dos componentes possibilita seu maior fornecimento.

Outro tipo de vacina utilizada ? a do tipo conjugada. Essa possui menores contraindica?es e imuniza quem a tomou pela vida inteira, segundo De Lucca.

Todos os dois tipos de aplica?es possuem contra-indica?es. Especialistas chegam a afirmar que, em geral, 0,5% da popula??o vacinada, corre o risco de sofrer algum tipo de rea??o ? picada da agulha. Algumas dessas pessoas podem ter complica?es graves.

O pediatra Edson De Lucca explica que efeitos colaterais como febre alta, desconforto local e muita dor de cabe?a s?o extremamente comuns em pessoas que receberam doses da vacina. Para os que escolheram a aplica??o da conjugada, h? ainda outras contraindica?es.

Pessoas que tiveram choque anafil?tico ? vacina tr?plice, n?o podem tomar a que previne a meningite. A prote?na CRM197, que est? presente na composi??o da preven??o da doen?a, pode causar rea?es al?rgicas muitos fortes em quem na inf?ncia, j? detectou esse tipo de alergia na aplica??o da tr?plice.

Gr?vidas mais uma vez precisam entender qual ? o risco que elas est?o expostas para chegarema conclus?o da preven??o com a vacina ou n?o. Como destaca o m?dico pediatra, ? importante fazer uma an?lise respons?vel, porque a vacina ? totalmente contra indicada para elas e para o beb?.