Usando o tempo a seu favor Não existe uma regra para administrar bem o tempo, mas
escolher as prioridades é fundamental

A psicóloga e consultora empresarial com ênfase em RH, Márcia Maia de Miranda, fala sobre a necessidade de se administrar o tempo. Clique no ícone ao lado e ouça

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Sílvia Zoche
Repórter
22/11/2006

Foto de uma agenda e 
um relógio, mostrando a tentativa de administração do tempo no trabalho E, de repente, alguém fala que o Natal já está chegando. "Nossa! Como o tempo passou rápido!", se espanta um. Outro lembra que a chegada do horário de verão dá a impressão de que o dia termina mais rápido. E, certa vez, você se pega preenchendo um cheque com o mês de outubro quando, na verdade, já estamos em novembro.

O aumento das responsabilidades dá a sensação de que o ponteiro do relógio gira mais rápido. Não é por acaso que muitas pessoas comentam como o tempo demorava a passar na infância, assim como o tão desejado aniversário de 15 anos. Cada fase da vida tem suas atribuições e administrar o tempo é uma boa maneira de viver bem com o relógio.

O estudante André Rodrigues Pena (foto abaixo), 22, concorda com uma frase que leu em um livro. "É algo que diz que 'as pessoas mais bem sucedidas são as que dão mais valor a coisas importantes e não urgentes'. É verdade! Se você viver de resolver 'pepinos', não vai a lugar algum", analisa. Apesar de jovem, André diz que sabe usar o tempo a seu favor e não deixa que as interferências do dia-a-dia atrapalhem seu cronograma.

Além de estudar em Juiz de Fora - ele faz curso pré-vestibular à noite para conseguir transferência da UFRJ para UFJF -, e trabalha em casa para uma empresa de soluções corporativas do Rio de Janeiro.

Foto de André 
Rodrigues Pena Isso sem falar que ele faz alguns trabalhos para a empresa da mãe como free lancer. "Os prazos da empresa da minha mãe acabam sendo mais urgentes que a do Rio", comenta. Algumas vezes, ele se vê trabalhando sábados e domingos. Mas quem disse que isso o aflige? Ele garante que tem seus momentos de lazer. "Saí ontem [terça], cheguei às 3h da manhã e acordei tarde. E pessoas que têm um horário definido de trabalho não podem fazer isso", ri.

Sua tática é organizar o que ele precisa fazer no dia e deixar uns "buracos" no seu cronograma, como ele diz. "Tenho que deixar estes buracos, porque sempre surge um imprevisto. Como trabalho em casa, minha mãe pode me pedir pra fazer alguma coisa na rua. E aí lá vão 40 minutos que não têm nada a ver com o que eu estava fazendo".

Ele acredita que aprendeu a dar prioridade para as tarefas importantes ao longo do tempo, mas confessa que a mãe dele também é assim. "Eu me cobro muito". E revela que já faz tempo que não sabe o que assistir à televisão, nem escutar rádio, mas parece que estes objetos não fazem falta no cotidiano dele. "Quando quiser escutar uma música, coloco um CD, na hora que eu quiser e puder".

Estresse? Que nada! Ele afirma que se diverte com o trabalho. "Quando acabo o trabalho, não preciso jogar videogame para desestressar, porque não fico cansado", exemplifica. Há espaço de sobra para tocar violão e sair para uma cervejada com os amigos, que ficam abismados como André consegue colocar tudo em prática e manter a calma.

Não há uma fórmula

Foto da psicóloga 
Márcia Maia de Miranda "O tempo tem a ver com os valores, com as experiências de vida, com o que a pessoa planeja para ela", diz a psicóloga e consultora empresarial com ênfase em RH, Márcia Maia de Miranda.

O conselho é simples, mas difícil de ser executado por muita gente. Dar prioridade as tarefas do dia e definir os resultados. "Quem quer dar conta de tudo, acaba fazendo tudo pela metade".

Achar que a carreira profissional é a única prioridade na vida também não é o pensamento mais acertado. "No dia que a pessoa aposentar, ela vai morrer, porque definiu que só o trabalho merecia atenção", fala.

Mesmo não existindo uma "fórmula mágica" de como administrar bem o tempo, a dica de Márcia é pensar o que é importante em sua vida, o que vai dar um bom resultado, e ser flexível, porque podem surgir imprevistos no meio do caminho. "Quando a pessoa não separa o que é urgente do importante, as tarefas se acumulam. Se você não faz o que é importante, ele se torna urgente". E aí vira uma bola de neve.

O acúmulo de serviço muitas vezes acontece porque há quem não sabe usar a palavra "não" e aceita fazer tudo o que outras pessoas pedem. "Às vezes, não é preciso falar o 'não' explicitamente. Mostre que agora você está atarefada e pergunta se você pode ajudá-lo mais tarde. É saber falar 'não'", indica.

Ter uma agenda para organizar o seu dia - desde que coloque prazos fáceis de serem executados entre as tarefas - pode ser uma boa opção para quem deseja conduzir as horas do dia sem se descabelar.

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