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    Intimidade com a alimentação, disciplina, estudo contínuo e equilíbrio emocional


    O nutricionista e coordenador de uma faculdade, Renato Moreira Nunes, explica o que é a Nutrição. Ouça!


    Leia!

    Sílvia Zoche
    Repórter
    13/05/05

    Se você pensa que a profissão de um nutricionista é moleza, que é só ficar atrás de uma mesa de consultório preescrevendo dietas, dizendo que uma boa alimentação é feita de 60% de carboidratos, 30% de lipídios e 10% de proteínas, está completamente enganado!

    Saiba que somente quem formou em Nutrição pode passar uma dieta (médicos endocrinologistas, sem formação em Nutrição, por exemplo, não podem) e que esta ciência não corta alimentos do seu dia-a-dia e, sim, equilibra a freqüência e faz as interações alimentares corretas.

    Ser nutricionista exige, logo de cara, que você tenha intimidade com alimentos. Não que você precise cozinhar, mas é essencial que você goste de mexer com alimentos.

    Em segundo lugar, é preciso ser disciplinado. É claro que toda profissão exige disciplina. Só que a Nutrição faz você elaborar sua vida de trabalho, com seis meses de antecedência. "Tudo é muito planejado e o nutricionista é muito detalhista. Tudo deve ficar em ordem", explica o nutricionista e coordenador do curso de Nutrição da Unipac de Juiz de Fora, Renato Moreira Nunes (foto abaixo).

    O terceiro ponto é manter-se atualizado, estudar muito. "Quando não estou na faculdade, estou estudando. A nutrição é uma ciência nova, por isso exige que a dedicação ao estudo seja maior", diz.

    Por último. Ser equilibrado emocionalmente, porque nesta profissão é muito comum trabalhar diretamente com pessoas em estado grave e pacientes terminais. Além disso, o nutricionista é responsável por administrar uma equipe de funcionários em um hospital, e claro, com imprevistos. "Uma panela de pressão que estoura, uma comida que não ficou pronta na hora devida ... Se o nutricionista for uma pessoa muito nervosa, terá um colapso com tantos acontecimentos inesperados", afirma Nunes.

    Atuação

    Um nutricionista deve ser um administrador não só de funcionários, de uma cozinha de hospital, mas, também, da ordenação dos equipamentos em uma cozinha. Ele é responsável pela organização. "Eu tenho que saber onde dispor os equipamentos, panelas... em locais adequados. Não é simplesmente colocar em um lugar e pronto". É a área de saúde interagindo com a exatas e a humanas. "Essa é a uma profissão que depende muito das outras", diz.

    Clique e saiba todas as áreas de atuação

    As grande áreas de atuação de um nutricionista são:

  • Nutrição Clínica
  • Nutrição Social
  • Nutrição de Unidade de Alimentos
  • A atuação na área Clínica é atendendo pacientes em hospitais e/ou consultórios. Na primeira consulta de um paciente, o nutricionista analisa o histórico da pessoa e da família. "A consulta dura de uma hora a uma hora e meia. Investigamos desde a fase uterina da pessoa e analisamos as condições sócio-econômicas para chegar em um planejamento alimentar ideal. Porque uma dieta só funciona se for para o resto da vida. A alimentação saudável deve dar prazer", diz Nunes.

    A Nutrição Social é aquela em que se atua em creches, escolas (principalmente as públicas), prefeituras e aleitamento materno, por exemplo.

    A de Unidade de Alimentos aplica seus conhecimentos na seleção de pessoal, fluxo de equipamentos, cotação de preços, organização e produção de refeições e assessoria em estabelecimentos que fornecem alimentos, como restaurantes.

    Mercado

    Há 13 anos, o nutricionista Arnaldo Pinheiro, formou-se pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). A escolha pela profissão foi por conviver de perto com a área, porque a família trabalhava no ramo de produção de refeição coletiva. "Só que no 4º, 5º período de faculdade, eu passei a gostar da nutrição clínica", diz.

    Apesar de ter conseguido emprego, em Juiz de Fora, com certa rapidez (depois de 20 dias de formado), Pinheiro diz que o mercado ainda é muito fechado. "O mercado ainda está em expansão, mas, como todo mercado nacional, passa pela crise de emprego, de alta cargas de impostos. Isso reflete no cotidiano de todos os profissionais. Inclusive, no nosso".

    Ele lembra, também, outra dificulade. Os planos de saúde não cobrem consulta com nutricionista. "A Anvisa não autorizou agregar os nutricionistas aos convênios, o que limita bastante o acesso das pessoas aos consultórios", explica.

    Outro fator preocupante é a quantidade de nutricionistas em hospitais. O coordenador Nunes diz que seria necessário um nutricionista para cada 12 pacientes em um hospital. "Atualmente, existe um nutricionista para 120 pacientes". E lembra que se existisse uma educação nutricional, seria possível prevenir doenças e descongestionar o Sistema Único de Saúde (SUS), em dez anos. "De cada cem pacientes, 70 evoluem para o caso de desnutrição por falta de acompanhamento", alerta.

    Pinheiro trabalha de dez a 15 horas por dia. Sua atuação é como nutricionista em um hospital de Juiz de Fora e em um consultório. "É uma rotina puxada. A pessoa tem que se envolver profissionalmente e evitar se comprometer emocionalmente. Às vezes, você trabalha com pacientes que te comovem. É preciso gostar muito do que faz", diz o coordenador. Ele comenta, ainda, que a Nutrição é uma ciência muito dinâmica e é preciso reciclar-se. Só que nem sempre é possível participar de Congressos, porque o salário não comporta as despesas.

    A faculdade

    Em Juiz de Fora, existe apenas uma faculdade que oferece o curso de Nutrição: a Unipac. Ainda recente, criada em agosto de 2002, possui alunos cursando o 6º período. A primeira turma vai se formar em agosto de 2006. São quatro anos de formação.

    Nunes explica que em uma universidade federal, o curso tem duração de cinco anos, mas, por ser um curso caro de ser montado, ele resolveu compilar. "Em vez de cinco, fazemos em quatro anos. Só que os alunos têm mais disciplinas por dia. Cerca de oito". Algumas matérias estão em alta, como a Nutrição Esportiva, Nutrição Natural e Alternativa (estudo de alimento funcionais, como o licopeno do tomate) e Marketing em Alimentação.

    Os estágios supervisionados são obrigatórios no último período. "Os alunos daqui já começam a procurar estágio antes. O que é muito bom", diz Nunes. Uma boa faculdade deve ter, também, laboratórios de estudo; cozinhas planejadas, entre outros. "Essa é a parte cara. Nós estamos elaborando seis cozinhas planejadas. Os equipamentos dos laboratórios são cada vez menores, mas cada vez mais caros", diz Nunes.

    Qual a diferença

    Ah! E uma dúvida que não quer calar. Qual a diferença entre nutricionista e nutrólogo? Nunes explica. Nutricionista fez a faculdade de Nutrição. Nutrólogo fez faculdade de Medicina e, também, a de Nutrição. "Não adianta formar em Medicina e fazer especialização em Nutrição. Tem que cursar a faculdade", esclarece.

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