Artigo
Hormônios antienvelhecimento
retardam o "relógio biológico"

26/07/2001

O homem moderno luta ardentemente para aumentar e otimizar seu tempo de vida aqui na terra. As pesquisas científicas que visam "retardar nosso relógio biológico” são aperfeiçoadas a cada ano. Aquela senhora francesa de 121 anos, lúcida, um dos seres humanos mais velho do mundo, foi considerada um anomalia gerontológica! Dentro de poucas décadas, ela deixará de ser exceção.

O envelhecimento que conheço agora é muito diferente do que quando eu tinha 15 anos: naquela época já achava uma pessoa de 50 anos velha! Hoje, nesta idade, me sinto cheia de vida, saúde, entusiasmo e sonhos! E assim estão pessoas de 70 anos, 80 anos!

A teoria genética é a mais investigada no antienvelhecimento. Nos humanos existem duzentos genes que controlam importantes funções relativas ao envelhecimento: uns genes aumentam nosso tempo de vida e outros o diminuem. Se conseguirmos alterar com sucesso estes genes, aumentaremos nossas defesas imunológicas e controlaremos doenças neurológicas comuns no envelhecimento como o Mal de Parkinson e Alzheimer. Estas chances de sucesso aumentam dia a dia com o trabalho do Projeto Genoma Humano, que identifica a localização exata de cada gene, tentando aperfeiçoar o nosso conjunto genético.

Os hormônios representam uma peça importante no jogo da longevidade, pois podemos alterar e prolongar a vida de forma muito significativa através do uso dos 4 hormônios pró-longevidade.

Esses hormônios, mesmo que simples, que nós temos naturalmente em nosso organismo, alteram de forma eficaz o curso do processo de envelhecimento dos homens que chegam aos 80 ou 90 anos cheios de energia, sem ameaça de infartos e das mulheres sem a preocupação de artrose, da imobilização por uma osteoporose, suores e noites mal dormidas, dias longos e cansativos. Ressecamento de pele, mucosa, rugas, queda de cabelo. Nosso destino era este, pelo menos até agora.

Os hormônios pró-longevidade

O uso da reposição de hormônios em humanos exauridos pela idade, no intuito de lhes dar mais vigor e saúde, é patrimônio dos anos 90, e é muito polêmico ainda. São eles:

  • Estrogênio e Progesterona
    Foram os primeiros hormônios usados com esta finalidade. As mulheres estão repondo em seus organismo o que a idade lhes tomou, e a maioria delas sente-se bem, vive mais e mais saudáveis do que as que não se submetem ao tratamento. É claro que devem ser avaliadas histórias pessoais e familiares de câncer de mama ou útero, cardiopatia, tromboses venosas, etc.

  • Hormônio de Crescimento Humano (HCH):
    Este hormônio tem papel fundamental no desenvolvimento de crianças e cai abruptamente na idade adulta. Em 1990 inicia-se a revolução hormonal quando Dr. Daniel Rudman da Univ. de Wisconsin usa este hormônio em um grupo de 21 idosos. Ficaram com pele mais lisa e saudável, a densidade óssea aumentou, os músculos desenvolveram, órgãos internos como fígado, rins e baço ganharam volume e perderam gordura. Após 6 meses de tratamento, muitos pareciam 10 a 15 anos mais jovens.

    O uso deste hormônio deve ser feito sob grande controle por médico especializado, com dosagem do hormônio no sangue, já que pode predispor à diabetes, crescimento de extremidades ou potencializar o crescimento de tumores. Dizem que os artistas de cinema como Sophia Loren e Demi Moore estão usando!

  • DHEA (Dehidroepiandrosterona)
    Parece ser o mais promissor dos hormônios pró- longevidade pela disponibilidade, baixo custo e ausência de efeitos colaterais significativos. O homem tem grandes doses deste hormônio, que é fabricado pela glândula suprarenal. O idoso tem apenas 10% desta quantidade. A ação dele ainda é um enigma, mas seus efeitos são nítidos: altos níveis protegem contra câncer e doenças cardíacas. Ajuda na prevenção do diabetes, osteoporose, artrite reumatóide, obesidade, fadiga crônica, melhora a memória e diminui a depressão. Melhora também o sono e parece aumentar o impulso sexual, por isso é considerado o "hormônio do sentir-se bem".

  • Melatonina
    É o responsável pelo sono. Os distúrbios do sono são muito comuns entre as pessoas idosas, porque elas produzem quantidades pequenas de melatonina ou produzem fora da hora. Têm dificuldade de manter níveis mais profundos do sono, que é o estágio em que o organismo mais se recompõe e é a hora em que ocorrem os sonhos. Sem este estágio, a memória falha, aprender coisas novas é difícil e ocorrem desordens psicológicas.

  • Testosterona
    Por que os homens não estão fazendo o mesmo tipo de reposição hormonal que a mulher? É porque os níveis da testosterona não caem tão de repente como os hormônios da mulher, não há ondas de calor, não há declínio alarmante na massa óssea, nem atrofia genital repentina. Mas a verdade é que aos 70 anos o homem tem 30% a 50% menos testosterona do que quando jovens, e lentamente o processo de envelhecimento vai aparecendo.

    Por isso, todo homem com mais de 50 anos e com níveis sangüíneos de testosterona menor que 400 pcg/ml devem procurar um especialista que provavelmente lhe fará a reposição de testosterona, muito facilmente através de cremes ou gel local. A andropausa masculina é seguramente tratável pela medicina, e os homens merecem tanto quanto as mulheres que já se tratam há muito tempo!

    Sugiro que vocês leiam o livro Retardando o Relógio, de Elmer Cranton e William Freyer, da Editora Lê!

Como vemos, a engenharia genética, os hormônios pró-longevidade, o exercício físico e a alimentação correta aumentarão muito nosso tempo de vida nesta terra. Já devemos nos perguntar o que conseguiremos com isso, porque queremos chegar lá, quanto estamos dispostos a pagar por essa longa caminhada, e qual será o destino final de uma raça humana que não envelhece e morre bem além dos 100 anos. Será que não seremos robotizados, como Aldous Huxley sonhou em seu livro Admirável Mundo Novo?

Não importa filosofar demais, temos já que nos preparar e pensar o que fazer com esse ganho de tempo! Somos seres criativos, podemos desenvolver mil atividades gostosas que nos ajudem a ser mais felizes... mesmo com 100 anos!


Cristina Mansur
é dermatologista, professora e chefe
da disciplina de Cosmiatria do Serviço
de Pós-Graduaçao em Dermatologia da UFJF.
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