Artigo
Hiperhidrose
::: 17/01/2003

O suor é muito importante na manutenção de nossa temperatura corporal. Certas doenças onde seus portadores não suam, como na Displasia Ectodérmica e Ictiose, estas pessoas passam muito mal quando ficam em ambientes quentes.. O suor em excesso (Hiperhidrose) também é muito constrangedor.

Existem 2 tipos de hiperhidrose:

  • Cortical ou Emocional:
    pode ser generalizada ou mais intensa em axilas, região genital ou palmo-plantar. Nestes casos existe uma predisposição familiar e é agravada por fatores emocionais, já que o stress do dia-a-dia estimula a liberação excessiva de uma substância chamada acetilcolina, que aumenta a produção de suor nas glândulas. Melhora durante o sono devido a diminuição destes estímulos nervosos.

    Em certas pessoas pode ocorrer mais no couro cabeludo e fronte. Na virilha predispõe ao aparecimento de micoses, e nos pés facilita o odor desagradável ou “chulé’. Aliás, o suor não tem cheiro. Este é causado pelas bactérias e fungos que degradam o suor. Por isso a mídia fala que “cecê” pega: ao usarmos a roupa de alguém que tem um tipo de bactéria que causa cheiro forte, podemos adquirir a mesma bactéria e passarmos a ter também suor com odor desagradável.

    Pessoas que suam mais, tem maior facilidade de pegar bactérias, fungos e alergia locais, já que na pele úmida tudo tem mais facilidade de penetrar.

  • Hiperhidrose Hipotalâmica ou Térmica:
    Certos pacientes têm uma sensibilidade exagerada nos centros reguladores de temperatura do hipotálamo e pequenos aumentos de temperatura os fará suar mais do que normal.

    Ocorre pelo exercício, aumento de temperatura ambiente, gravidez, hipertireoidismo, diabetes, obesidade, menopausa, porfiria e reações medicamentosas. Algumas doenças cardiovasculares ou neurológicas também podem aumentar a sensibilidade destes centros do hipotálamo. Este tipo de hiperhidrose não diminui durante o sono, podendo até aumentar.

    Como tratar as hiperhidroses?
    - Sempre afastar alguma doença que possa estar agravando o quadro.

    - Ficar em ambientes frescos, roupas ventiladas e de algodão que permitam a evaporação do suor da pele.

    - Desodorantes modernos a base de clorhidróxido de alumínio ajudam a controlar uma sudorese que não é muito intensa. Dar preferência aos desodorantes hipoalergênicos.

    - Quando o excesso de suor é em região palmar ou axilar, e incomoda muito o paciente, a melhor opção é fazer a simpatectomia, que destrói o nervo que estimula a sudorese local. É procedimento seguro, com excelentes resultados finais . É feito por cirurgião de tórax , com cortes mínimos através de vídeo endoscopia. O Botox também dá ótimo resultado , mas por ser um método caro e temporário, sempre damos preferência à simpatectomia. Quando o suor excessivo na testa incomoda muito, o Botox é a terapia de escolha, já que dá bons resultados, dura em média 8 meses, e além do mais ajuda a tirar as rugas desta região.

    - Nas axilas e virilha usar sempre anti-micóticos preventivos, pois a umidade favorece o aparecimento de micose.


    Cristina Mansur
    é dermatologista, professora e chefe
    da disciplina de Cosmiatria do Serviço
    de Pós-Graduaçao em Dermatologia da UFJF.
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