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    Cuidados com a alimentação no inverno

    27/05/2002

    É comum se pensar que, com a chegada do inverno, torne-se necessário um consumo maior de alimentos, devido às necessidades aumentadas de energia para compensar a redução da temperatura. Ou seja, mais calorias para manter a temperatura corporal.

    Na verdade, a ciência já provou que, em baixas temperaturas, as necessidades energéticas do organismo humano aumentam, em função da necessidade de se produzir mais calor e, conseqüentemente, manter a temperatura corporal normal. Porém, ainda não se tem essa quantidade determinada, ou seja, não se tem ainda base científica para se calcular as quantidades de calorias necessárias para compensar a redução da temperatura.

    Sabe-se que a necessidade existe, mas não quanto seria o necessário. Ao que tudo indica as necessidades de calorias não são tão altas quanto se pensa.

    Portanto, aumentar o consumo de alimentos no inverno indiscriminadamente pode ser perigoso, pois, não se sabendo a necessidade real do organismo, pode se consumir alimentos em quantidades acima do necessário e, em conseqüência, levar ao desenvolvimento da obesidade.

    Algumas pessoas podem se beneficiar desse aumento, como aquelas que se encontram abaixo do peso, mas, de modo geral, um aumento exagerado na quantidade de calorias normalmente consumida pode levar ao aumento do peso corporal, podendo ser prejudicial para a maioria das pessoas.

    Assim, é natural haver aumento do apetite nos dias frios, como conseqüência da necessidade do organismo em produzir mais calor. Porém, é importante ter cuidado nos “exageros” típicos do inverno.

    Um exemplo disso é o maior consumo de chocolate no inverno, o que pode ser perigoso para algumas pessoas. O chocolate é rico em gorduras, podendo conter até mesmo gorduras saturadas (as mais perigosas para o coração), devido à adição de leite e/ou manteiga, o que pode aumentar os níveis de colesterol quando consumido em excesso. Uma opção é o chocolate desengordurado ou parcialmente desengordurado, o qual contém menos gordura que o normal, embora seja também calórico. Por exemplo, 100g de chocolate em pó comum tem 509 calorias, enquanto o mesmo produto desengordurado contém 383 calorias (em 100g).

    O consumo aumentado de bebidas alcoólicas nos dias frios também pode ser prejudicial, se não for controlado. As bebidas alcoólicas são fontes de calorias vazias para o organismo, ou seja, fornecem apenas calorias e nenhum nutriente. Um consumo indiscriminado de álcool pode representar um consumo exagerado de calorias e, conseqüentemente, levar a ganho de peso. Vale lembrar que toda caloria consumida poderá ser armazenada no organismo na forma de gordura, caso não seja gasta de alguma forma (exercícios físicos, atividades metabólicas etc).

    Observe, na tabela abaixo, a quantidade de calorias nas diferentes bebidas alcoólicas (em cada 100 ml de bebida ou 1 taça pequena):



    BEBIDA CALORIAS
    cerveja (3,6 g de álcool) 42
    vinho (9,9 g de álcool) 85
    gim/rum/vodca/ (média de 37g de álcool) 258
    conhaque 249
    licores 342

    O consumo de bebidas alcoólicas pode levar também à perda de água pelo organismo, o que pode causar desidratação. Por isso, o consumo de bebidas leva a uma maior necessidade de ingestão de água.

    Resumindo, embora os dias frios levem a uma necessidade maior de produção de calor pelo corpo e, em conseqüência, levar a uma maior necessidade energética, é importante não exagerar no consumo de alimentos no inverno, principalmente naqueles muito calóricos e/ou ricos em gorduras.

    Mesmo que seja necessário aumentar o consumo total de alimentos, deve-se selecionar quais alimentos terão suas quantidades aumentadas na alimentação diária. O mais conveniente e seguro é se aumentar as quantidades de alimentos que não contêm muitas calorias e, principalmente, os que têm pouca gordura.

    Como exemplo, pode-se aumentar as quantidades dos laticínios (queijos brancos, leite, iogurte etc) com baixo teor de gorduras e açúcares e as quantidades dos legumes e verduras, desde que preparados com pouco óleo. Produtos ricos em fibras podem ser mais utilizados nesse período (exemplos: pão integral, arroz integral, granola, flocos de cereais sem açúcar etc), pois têm um maior poder de saciedade (prolongam a sensação de “estômago cheio”).

    O inverno é o momento ideal para se abusar das sopas ou cremes preparados com vegetais e grãos (ervilha, lentilha, feijão, grão de bico, aveia, trigo para quibe, etc). Sopas de legumes com grãos são uma excelente opção de jantar para as noites frias, acompanhando-as com torradas e queijo branco. Carnes magras podem ser acrescentadas a essas sopas, o que faz aumentar o valor nutritivo. É importante não abusar da quantidade de óleo para o preparo das mesmas.

    Aumentar o consumo de legumes e verduras nessa época é bastante desejável, pois os mesmos são fontes de vitaminas e minerais importantes para o organismo, e que ajudam na prevenção das gripes e resfriados comuns no inverno. Frutas também podem ser utilizadas para esse fim.

    Finalizando, lembramos que é importante manter a hidratação do corpo também no inverno. É comum as pessoas reduzirem o consumo de líquidos nesse período do ano, o que não é desejável. A necessidade de água pelo organismo é de, no mínimo, 1,5 litro por dia, considerando-se todo o líquido ingerido (água, sucos etc). Como há maior necessidade de produção de calor, o corpo necessitará também de água para esse fim.

    Resumindo, é importante cuidar da alimentação durante o inverno e não exagerar no consumo de massas, doces, bebidas para compensar o apetite aumentado. Uma boa seleção de alimentos pode suprir as necessidades aumentadas de calorias sem levar a um aumento do peso corporal.

    Confira as receitas de caldos e cremes do Só Sabor!


    Cristina Garcia Lopes
    é nutricionista formada
    pela Universidade Federal de Viçosa.
    Saiba mais clicando aqui.

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