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    Alimentos funcionais - Parte III
    ::: 04/11/2002

    Alimento funcional é definido pela Secretaria de Vigilância Sanitária, do Ministério da Saúde, como sendo “aquele alimento ou ingrediente que, além das funções nutritivas básicas, quando consumido como parte da dieta usual, produza efeitos metabólicos e/ou fisiológicos e/ou efeitos benéficos à saúde, devendo ser seguro para consumo sem supervisão médica.”

    Segundo também a Vigilância Sanitária, a propriedade funcional atribuída a esses alimentos é aquela relativa à ação metabólica ou fisiológica que a substância (podendo ser nutriente ou não), presente no alimento, tem no crescimento, desenvolvimento, manutenção e outras funções normais do organismo humano.

    Existe também a atribuição da propriedade de saúde, distinta da anterior, a qual afirma, sugere ou implica a existência de relação entre o alimento ou ingrediente com doença ou condição relacionada á saúde.

    Entre os alimentos funcionais, ultimamente estudados, destacam-se os prebióticos e os probióticos. Probióticos são organismos vivos que exercem ação benéfica sobre a saúde quando ingeridos em determinado número; essa ação está relacionada ao equilíbrio da flora intestinal, podendo também ter efeito na redução do colesterol sanguíneo e no controle de diarréias, assim como na redução do risco de desenvolvimento de algumas formas de câncer. Um das formas de atuação dos probióticos é a inibição da proliferação, no intestino, das bactérias patogênicas.

    Dentre os probióticos, destacam-se: Lactobacilos acidófilos, casei, bulgárico, lactis, plantarum; Estreptococo termófilo; Enterococus faecium e faecalis; Bifidobactéria bifidus, longus e infantis.

    Os probióticos podem ser encontrados em alimentos industrializados, como os leites fermentados, ou na forma de pó ou cápsulas.

    Outras ações relacionadas com os probióticos referem-se a um possível aumento da resistência imunológica do organismo, o que ainda está em estudo. Os lactobacilos acidófilo, bulgárico e casei estão relacionados a essa função. Outro efeito possível seria o aumento da digestão da lactose (o açúcar do leite que, quando não digerido por deficiência enzimática, provoca quadro de alergia, com diarréia, cólicas etc.). Essa ação está relacionada aos Lactobacilos, que produzem uma enzima que facilita a digestão da lactose.

    Assim sendo, o iogurte, que já pode ser considerado um alimento funcional (o seu baixo teor de lactose o torna possível de ser consumido por pessoas intolerantes à lactose), pode ter sua ação reforçada pela presença das bactérias probióticas.

    As substâncias prebióticas são aquelas que promovem o crescimento dos probióticos. Alguns tipos de oligossacarídeos (tipo de amido) têm essa capacidade, como a lactulose e a inulina. O principal benefício dessas substâncias é o fato de só serem aproveitadas pelas bactérias lácteas, favorecendo o crescimento dos organismos probióticos no intestino, em detrimento das demais bactérias (vantagem competitiva).

    Os frutooligossacarídeos (FOS) ou oligofrutoses, assim como a inulina, são fibras alimentares que resistem à ação das enzimas salivar e intestinal, chegando íntegras ao cólon (primeira porção do intestino delgado), onde produzem efeitos benéficos sobre a flora bacteriana ali existente.

    A inulina é extraída da raiz da Chicória ou pode ser produzida, industrialmente, a partir da sacarose. Os FOS são obtidos a partir da hidrólise da inulina (quebra da molécula); sua produção industrial também é feita a partir da sacarose.

    Embora existam outros oligossacarídeos nos alimentos vegetais, até o momento só os FOS e a inulina são considerados prebióticos devido às funções que desempenham no organismo: alterações do trânsito intestinal com redução de metabólicos tóxicos ao organismo; prevenção da diarréia ou da obstipação intestinal (intestino preso) por alteração da flora bacteriana no cólon; redução do risco de câncer (ainda em estudo); redução do colesterol e dos triglicérides; controle da pressão arterial; produção de nutrientes (vitamina B12, por exemplo) e aumento da absorção de minerais.

    Os prebióticos apresentam também o importante efeito bifidogênico, ou seja, estimulam o crescimento intestinal das bifidobactérias, as quais, devido ao efeito antagonista já comentado, reduzem a atividade das bactérias putrefativas (Escherichia coli; Streptococus faecales; Proteus e outros).

    Alimentos em que os FOS são naturalmente encontrados são: cebola (alimento rico em FOS); alho; tomate; aspargos; alcachofra; banana; cevada; centeio; aveia; trigo; mel e cerveja.


    Cristina Garcia Lopes
    é nutricionista formada
    pela Universidade Federal de Viçosa.
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