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    Artigo
    O primeiro sabor
    ::: 18/09/2003

    Do ponto de vista fisiológico, a criança já é capaz de perceber o gosto dos alimentos desde os primeiros dias de vida, desenvolvendo, desde de então, o reconhecimento dos sabores agradáveis ou desagradáveis. E a recusa a determinados alimentos já pode ocorrer, também, logo nos primeiros meses.

    Ao contrário do que muitos pensam, a criança não tem atração pelo sabor doce por estar acostumada ao sabor adocicado do leite materno. Isso pode até ser válido para as crianças em aleitamento artificial, quando é usado algum leite diferente do materno (vaca, cabra, leite em pó modificado etc), principalmente quando este é mantido por tempo prolongado. A percepção do sabor doce parece já ser inerente, ou seja, o bebê já é capaz de distinguir esse sabor desde o nascimento, em detrimento dos outros sabores. Isso mostra que não há necessidade de, por exemplo, introduzir açúcar precocemente à alimentação das crianças, uma vez que já existe a capacidade de perceber o sabor doce mesmo sem o acréscimo do açúcar.

    Crianças amamentadas ao peito percebem, naturalmente, o sabor dos alimentos ingeridos pela mãe, criando sua percepção de paladar baseada no hábito alimentar da mãe. Assim, se uma mãe pratica uma alimentação monótona, com poucos alimentos presentes, à base quase exclusivamente de arroz, feijão e carne, com o uso de muito sal e/ou muito açúcar, e recusa alimentos como legumes e verduras, é natural que a criança desenvolva os mesmos hábitos. A recusa começa na introdução dos primeiros alimentos, quando a criança "estranha" o sabor de alimentos aos quais não foi habituada.

    Ao contrário, quando uma mãe utiliza, com frequência, uma ampla variedade de alimentos, consumindo boa quantidade de legumes, verduras e frutas, será mais fácil introduzir tais alimentos nas refeições dos seus filhos, desde que tenham sido amamentados ao peito. Familiarizada com tais sabores, as chances de aceitação por parte da criança serão maiores. E quanto mais prolongado for o aleitamento materno, maior será a familiaridade da criança com a alimentação da mãe, tornando-a apta a aceitar bem a refeição da família quando for interrompida a amamentação.

    Isso pode explicar o fato de a criança, algumas vezes, recusar o peito, quando percebe um sabor diferente do habitual, que ela considera desagradável. Normalmente, não existe nenhum alimento proibido para a mãe que amamenta, salvo quando esta possui alguma doença ou deficiência que a faça necessitar de uma dieta especial. Há muitos tabus quanto à alimentação da nutriz (mulher que amamenta), a maioria deles sem fundamento científico.

    Ao contrário do que se pensa, muitas vezes a criança chora recusando o peito não por estar sentindo cólica ou algum mal estar gerado por substâncias presentes no leite, mas por ter sentido um sabor estranho ou desagradável no mesmo. Sentindo fome e não aceitando a sua fonte natural de alimentação, a criança reage com o choro, mesmo sem nenhuma sensação de dor. Isso pode ocorrer com alguns sabores fortes, como pimenta, chocolate, canela etc, quando a criança ainda não está familiarizada com eles.

    Por tudo isso, podemos deduzir que será bem mais difícil introduzir novos alimentos na refeição de crianças que foram alimentadas, quando bebês, com leite de vaca ou similar, acostumadas a um sabor único, sem muitas variações.

    Finalizando, podemos ressaltar a importância do aleitamento materno exclusivo durante os primeiros seis meses de vida, não só por todas as vantagens já conhecidas do leite materno (adequação de nutrientes dentro das necessidades do bebê, fácil digestão sem gerar problemas gástricos ou intestinais, imunização da criança pelos anticorpos da mãe, hidratação adequada etc), mas também pela possibilidade de familiarizar a criança, desde cedo, com o padrão alimentar da família, facilitando a aceitação posterior dos alimentos que lhe serão oferecidos.


    Cristina Garcia Lopes
    é nutricionista formada
    pela Universidade Federal de Viçosa.
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