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    O lanche na escola
    ::: 17/03/2004

    O lanche na escola tem sido alvo de grandes preocupações de pais e educadores que, muitas vezes, não sabem o que servir às crianças nesse horário. As ofertas do mercado de alimento são muitas, em se pensando em produtos fáceis de serem transportados e de boa aceitação; porém, nem sempre são os mais adequados para atender às necessidades nutricionais das crianças.

    Para crianças pequenas, uma refeição simples, como o lanche da tarde ou da manhã, pode ter uma grande importância nutricional, pois pode coincidir com um horário em que a criança sinta mais fome, além de receber, normalmente, alimentos de fácil aceitação nesse horário (leite, pão, bolo, frutas etc). Por isso mesmo, é importante que a qualidade dos alimentos oferecidos nesses pequenos lanches, incluindo o lanche da escola (merenda) seja de bom valor nutricional, mas de forma que não comprometa a aceitação das refeições posteriores.

    Se o lanche oferecido for excessivamente calórico, composto por frituras, alimentos açucarados, refrigerantes e similares, como a quantidade de calorias será elevada, dificilmente a criança aceitará, com facilidade, a refeição posterior (almoço ou jantar), o que pode comprometer a sua nutrição. Um grande erro alimentar é permitir que a criança coma mais no horário dos lanches do que no horário das refeições principais (almoço e jantar).

    Como o tempo de digestão e a capacidade gástrica (volume alimentar que o estômago suporta) na criança não são iguais aos dos adultos, a satisfação provocada por uma refeição à base de leite e biscoitos açucarados, por exemplo, pode se prolongar por muito tempo em uma criança pequena, reduzindo o apetite para a próxima refeição.

    A obesidade infantil, fato que tanto preocupa hoje médicos e nutricionistas, está relacionada ao alto consumo dos alimentos do tipo lanche (hambúrguer, batata frita, refrigerantes, doces, chocolate etc) e baixo consumo das refeições salgadas (arroz, feijão, legumes etc).

    Seguem abaixo algumas dicas para o preparo do lanche para a merenda escolar, pensando-se nas necessidades nutricionais e na aceitação das crianças.

  • Observe se a escola tem alguma forma de guardar alimentos que os alunos levem para o lanche (geladeira), o que tornará possível uma maior variedade no cardápio.

  • Todos os lanches devem ser acompanhados por algum tipo de proteína (carne, queijo, ovos, leite etc), podendo ser utilizados das formas mais variadas: bolos e tortas salgadas com recheio de carne ou frango, assados do tipo pastéis com recheio de queijo ou carne, sanduíches com carne ou embutidos de carne e queijo etc.

  • É importante que o leite (ou seus derivados) esteja presente em todos os lanches, o que pode ser feito através da adição de queijo nos sanduíches ou salgados, quando o leite não estiver presente.

  • Usar apenas eventualmente os embutidos de carne (presunto, mortadela, salsicha etc), pois são produtos com grande concentração de sal e sofrem adição de conservantes químicos em seu processo de fabricação. Também contêm uma grande porcentagem de gordura, devendo-se se dar preferência, quando utilizá-los, aos do tipo "light", principalmente para o caso de crianças que já estejam com excesso de peso.

  • Alternar alimentos salgados e doces é uma boa alternativa para atender ao paladar da criança, ou seja, no dia em que for servido um sanduíche à base de frango e queijo, por exemplo, não será oferecido biscoitos doces, ficando esses para o acompanhamento de uma vitamina de fruta ou iogurte de frutas.

  • Quando se tem pouca opção de guarda de alimentos, ou seja, não houver local de estocagem adequado na escola (as quais deveriam providenciar uma geladeira para essa finalidade, desde que o número de alunos o permita), o melhor é pensar em lanches que possam ficar à temperatura ambiente por um tempo maior, sem o risco de estragarem. Nesses casos, pode-se optar pelos sucos ou produtos à base de leite (como achocolatados ou vitaminas) em embalagens do tipo longa vida, que não exigem a temperatura de geladeira até serem abertos para o consumo. Os queijos fundidos (tipo "polenguinho") também podem ser utilizados no preparo de sanduíches ou para serem consumidos junto a biscoitos e pães.

  • Sempre é bom evitar alimentos excessivamente salgados, gordurosos ou doces. Biscoitinhos salgados têm, normalmente, muito sal e muita gordura adicionados; biscoitos recheados têm, igualmente, altas quantidades de gordura, além do excesso de açúcar. Tais alimentos podem levar a problemas de saúde e fazer surgir, mais cedo, algumas processo patológicos para os quais a criança já tenha predisposição hereditária (exemplo: diabetes, doenças cardio-vasculares, hipertensão, etc).

  • O mais importante é garantir que a quantidade consumida seja suficiente para atender à fome naquele horário específico, mas não gere excessos que impeçam a aceitação da próxima refeição. Para isso, é bom observar a criança em casa, como ela se comporta nos horários das refeições (em termos de volume e aceitação) para não alimentá-la em excesso ou deixá-la com fome no horário da escola, o que certamente trará prejuízos no seu rendimento escolar.

  • As cantinas das escolas poderiam ser uma boa alternativa para preparo de alimentos frescos e de bom valor nutricional, mas, infelizmente, acabam atendendo apenas ao paladar das crianças. Para mudar essa situação, seria importante um bom relacionamento entre pais e diretores das escolas, de modo a decidirem juntos que tipo de alimentos serão oferecidos na cantina durante a semana.
    Uma boa programação de lanches na própria escola, pode se tornar bastante vantajoso para os pais, pois podem representar o mesmo gasto financeiro, mas com menor preocupação diária e maior capacidade de oferecer, aos alunos, uma alimentação mais variada e de melhor qualidade.

  • É importante lembrar da necessidade de hidratação das crianças na idade escolar, pois costumam ser extremamente ativas e perdem líquidos com facilidade. Sempre é bom cuidar para que bebam água durante o horário de escola, independente do lanche oferecido, o que deve ser enfatizado por pais e educadores.

  • Cristina Garcia Lopes
    é nutricionista formada
    pela Universidade Federal de Viçosa.
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