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    Artigo
    Você come peixes?
    ::: 29/09/2005

    A preocupação com uma alimentação saudável muitas vezes nos remete ao consumo de peixes, o que envolve aspectos nutricionais e sanitários. Na Idade Antiga este foi o alimento popular, sendo considerado vulgar em relação a outras carnes que faziam parte da dieta dos nobres, um luxo. Na Idade Média este consumo, por motivos religiosos tornou-se ainda maior, consumindo-se peixes de mar, no litoral, e de rios e lagos, no interior.

    Hoje, com a tecnologia de conservação de alimentos podemos consumir de forma segura pescados de longas distâncias. Existem mais de 30 mil espécies de peixes, sendo predominantemente marinhas, 90% da produção mundial é de peixes e 10% de crustáceos e moluscos. Os maiores produtores mundiais são o Japão, o Peru e a China e a América Latina, banhada por 2 oceanos, detém só 20% da produção mundial. No Brasil o maior produtor é o estado do Rio Grande do Sul seguido de São Paulo , Rio de Janeiro , Santa Catarina , Maranhão e Pará.

    Apesar da grande extensão costeira, o consumo no Brasil é muito pequeno, o que compromete o futuro de nossa saúde, uma vez que a carne de peixe é mais nutritiva, menos gordurosa, rica em ômega 3, aminoácidos essenciais, vitaminas e minerais como: vitaminas A, E e principalmente a D, importante para a calcificação óssea, minerais como sádio , potássio , magnésio , cálcio , ferro , fósforo , iodo , flúor , selênio, manganês e cobalto, vitaminas hidrosolúveis como niacina e ácido pantotênico, importantes para o metabolismo energético e de macronutrientes (carboidratos, proteínas e gorduras), respectivamente.

    A principal vantagem nutricional no consumo da carne de pescado talvez seja o teor e a presença de gorduras como o ômega 3. O ômega 3 reduz o risco de doenças cardiocirculatórias, tem ação antiinflamatória, auxilia na regeneração de neurônios e no desenvolvimento cerebral, tornando-se fundamental na infância , pode reduzir o risco do mal de Alzheimer, demência e cansaço mental, sendo essencial para o idoso, pode contribuir no tratamento da depressão, ansiedade e alterações do sono, é eficaz no tratamento da hipertensão arterial, atua na coagulação sangüinea, alivia dores na artrite reumatóide e protege a pele contra raios Ultra Violeta.

    De fácil digestão, os peixes podem ser consumidos ao molho, empanados, assados, ensopados, cozidos, grelhados, fritos e até crus, desde que se tome cuidados com a fonte de origem e, caso congelado, que seja a temperaturas menores que -20º C. Devido a alterações ambientais, pesca predatória, poluição das águas, falta de manejo, o número de pescado nas águas tem diminuído e algumas espécies entrado na lista dos ameaçados de extinção.

    O consumo no Brasil tem crescido, mas é muito pequeno em relação ao de carnes de gordura saturada como a bovina, a suína e a de frango. Não espere pela Semana Santa, coma peixe até duas vezes por semana, prefira preparações grelhadas, assadas ou ensopadas que são menos calóricas e seguras. Evite excessos de dendê e leite de coco que tem gordura saturada. Veja como comprar e o quê comprar:

    Cuidados com a escolha:

    - Odor: quando fresco, o peixe cheira a maresia.

    - Corpo: deve ser firme e brilhante. Ao deteriorar-se, a carne fica flácida, o que pode ser testado pressionando-a com os dedos, se estes não deixarem marcas, significa que o peixe é fresco.

    - Olhos: quando fresco, os olhos devem ser salientes, a córnea transparente e a pupila negra e brilhante. Se os olhos estiverem encovados, a córnea leitosa e a pupila cinzenta, indica que não está em boas condições.

    - Pele: deve ser brilhante e com as escamas bem aderidas ao corpo. A cor da pele deve ser viva, homogênea e com alguns reflexos. O muco, camada gelatinosa que cobre a pele, deve ser aquoso e transparente.

    - Membrana: é a pele interior que cobre a barriga do peixe e que deve aderir completamente à carne. Quando o peixe não está próprio para consumo esta membrana separa-se da carne.

    - Guelras: devem ser brilhantes, bastante vermelhas e sem muco. Com a perda do frescor estas ficarão amarelas e ganham muco.

    Classificação dos peixes:

    Baixo teor de gordura - menor que 2% - 85 Kcal / 100 g
    Médio teor de gordura - 2% a 5% - 140Kcal / 100 g
    Alto teor de gordura - acima de 5% - 210 Kcal / 100 g

    Peixes magros: badejo, carapau, carpa, corvina, dourado do mar, garoupa, goraz, linguado, peixe espada, pescada, pregado, robalo, salmonete, solha, tainha, tamboril.

    Peixes gordos ( sua gordura está dispersa por toda a carne e pele numa porcentagem elevada enquanto dos peixes magros concentrada no fígado ): anchova, arenque, atum, bacalhau, cavala, cherne, enguia, espadarte, lampreia, moreia, salmão, sarda, sardinha e truta.

    Quantidade de ômega 3:

    BOA ÓTIMA EXCELENTE
    Bacalhau Atum Anchovas
    Linguado Ostra Carpa
    Hadoque Tubarão Arenque
    Lula Cavala
    Camarão Salmão
    Sardinha
    Esturjão

    *Fonte consulta: Revista Nutrição Brasil julho/agosto de 2004


    Arnaldo Pinheiro
    é nutricionista formado pela UFV em abril de 1992
    trabalhando na área de nutrição clínica, nutrição enteral
    e nutrição esportiva.

    Sobre quais temas (da área de nutrição) você quer ler novos artigos nesta seção? O nutricionista Arnaldo Pinheiro aguarda suas sugestões no e-mail viver_nutricao@acessa.com

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