Artigo
Depressão, mal do século?

::: 30/05/2005

A instabilidade e agitação da vida moderna, imbuída de estressores, por vezes trazem consigo sentimentos de desânimo e impotência diante de um cenário cada vez mais exigente. Desta maneira, a falta de tempo para executar as tarefas comuns da vida diária, a dificuldade em conciliar horário para lazer, trabalho e cuidados com a saúde, ou mesmo com a estética corporal, podem causar sentimentos ruins de tristeza que costumam até ser confundidos com a depressão, trazendo assim uma certa preocupação.

Entretanto, depressão não é somente um sentimento episódico de tristeza. Depressão é uma doença como qualquer outra que exige tratamento adequado. Pode ser considerada, clinicamente, como um transtorno da afetividade, que acomete cerca de 6% da população, caracterizado por sintomas associados e variados. Tais sintomas podem incluir, de maneira geral a perda de energia ou desinteresse pela vida, humor deprimido, dificuldade de concentração, alterações do apetite e do sono, atividades físicas e mentais bastante lentas e sentimento de pesar ou fracasso.

Além desses sintomas, podem ser identificados, na pessoa deprimida, como esclarecem os psiquiatras do site www.psicosite.com.br, sensação de desconforto no batimento cardíaco, constipação, dores de cabeça, dificuldades digestivas, além de pessimismo, dificuldade de tomar decisões, dificuldade para começar a fazer as tarefas cotidianas, irritabilidade ou impaciência, inquietação, desejo de morrer, choro desmotivado ou dificuldade para chorar, falta de esperança na melhora do quadro depressivo, dificuldade para terminar as coisas que foram começadas, sentimento de pena de si mesmo, persistência de pensamentos negativos, queixas freqüentes, sentimentos de culpa injustificáveis, boca ressecada, perda de peso e apetite, insônia e perda do desejo sexual.

É importante destacar que uma pessoa deprimida não apresenta todos esses sintomas, a incidência é variada, e que, eles não surgem de uma só vez. Além disso, vale dar relevo, também, ao fato de que a percepção de um ou outro sintoma, dos descritos acima, de maneira isolada não configura um quadro depressivo.

Atualmente, percebe-se que, como a depressão não é uma doença rara e o conhecimento dos seus sintomas é difundido, algumas pessoas tendem a se considerar deprimidas quando apresentam alguma sensação associada à depressão, podendo cometer o erro da auto-medicação. Nesse sentido, ressalta-se a importância da consulta a um profissional especializado, evitando equívocos quando ao surgimento ou não da depressão.

Quando às causas da depressão, pode-se dizer que ainda não existe uma causa determinada. Entretanto, as pesquisas indicam que a depressão pode ser causada por fatores de origem bioquímica, devido ao mau funcionamento dos neurotransmissores. A depressão pode ainda, ser desencadeada por fatores externos, tais como morte de cônjuge ou ente querido, perda de emprego e status social, doença grave, dentre outros, que provocariam o processo depressivo em pessoas já susceptíveis a essa doença. A influência de fatores genéticos, na incidência da depressão, também não é descartada.

Sendo assim, em função das causas físicas, não é difícil identificar a necessidade da intervenção medicamentosa para a cura da depressão. Além disso, a psicoterapia é parceira inseparável das medicações no tratamento da depressão, atuando na condução da elaboração dos fatores externos desencadeantes, bem como na prevenção do processo depressivo em pessoas predispostas através de um fortalecimento egóico.


Denise Mendonça de Melo
é psicóloga, formada pelo
Centro de Ensino Superior
de Juiz de Fora.
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