Artigo
Ser holístico
::: 30/08/2003

Começamos neste artigo uma viagem de longo, interessante e variado curso pelos caminhos da realidade de uma "visão holística do ser humano e da vida".

Convidamos você a embarcarmos juntos nos trilhos flexíveis de conceitos, teorias e pesquisas muito interessantes, que ajudarão a clarear o modo de pensar de todos que queiram ampliar os horizontes da própria mente, reforçando "padrões de crenças" ainda necessários, bem como, reorganizando e criando outros que melhor atendam a sua hora presente.

Nada na vida é estável. Sidarta Gautama, o Buda, fundamenta seus ensinamentos na "impermanência" (clique aqui), dizendo que a única certeza da vida é uma constante mudança.

Assim, quem esteja satisfeito com o que é hoje, com o que tem hoje, com o modo de ser de hoje e fica por aí somente, não despertou para a realidade de que a mudança acontece e ele apenas não percebe, ou teima em se fazer de cego, acomodado à própria ignorância, ao personalismo ou comodismo.

Inicialmente cabe explicar o que é Holismo:

  • relativo ao Holismo - do grego "hólos" completo, todo; doutrina que procura globalizar todo um sistema. Facilita o desenvolvimento de uma visão holística.

    Ampliando mais:

  • Segundo o dicionário Aurélio, o termo Holismo vem do grego hólos (todo)+ismo(tendência) e significa: tendência que o ser humano tem de sintetizar unidades em totalidades organizadas.

    Pode-se dizer, então, que o todo e as partes formam um só conjunto, pois o todo está presente nas partes e as partes indicam a presença do todo.

    Essa tendência de organização é vista, também, na própria formação do planeta que, após uma experiência de caos, como terremotos, tempestades etc., logo se organiza.

    Já de longa data, nas civilizações mais organizadas e evoluídas intelectualmente o homem tem-se feito perguntas do tipo: - Quem sou? De onde vim? Por que estou aqui? Para onde vou?

    Os mais estudiosos nos oferecem doutrinas, respostas filosóficas, teses, opiniões, desde as mais simplórias até outras mais complexas.

    Vamos encontrar também, nas chamadas civilizações mais primitivas, as mesmas perguntas sendo feitas e, por incrível que pareça, muitas respostas também nos são oferecidas. Como na linguagem destas comunidades uma ferramenta é muito comum, a metáfora, fica-nos fácil encontrar respostas que, muitas vezes, nos oferecem material bem mais consistente que o das civilizações mais intelectualizadas.

    Pelo fato de trabalharem muito no campo da observação da natureza em que convivem e com a qual estão integrados, seja pela necessidade de sobrevivência, seja pelo ecossistema que habitam, acompanham os ciclos de interligação mais simples , desde a cadeia alimentar, o movimento dos astros, o nascer e o pôr do sol, as estações se alternando e sua influência no meio ambiente e, por não terem as distrações e necessidades do mundo moderno, vivem das distrações e do material que está ao vivo e em cores em torno deles: a natureza!

    Assim, os membros destas comunidades, desde as crianças até os mais velhos, passando pela experiência dos xamãs ou curandeiros, explicam-nos de maneira singela a ligação de cada um deles com os seres que os cercam no ambiente, no ecossistema que habitam.

    Falam da ligação com as águas do rio, com as fontes, com as árvores que produzem frutos, as que produzem casca ou madeira para suas canoas, as plantas medicinais ou de magia, os rituais de nascimento de um novo membro da aldeia, de passagem de idade, de cura/tratamento, de morte... Falam do porquê da festa da colheita e da temporada de caças, das disputas e jogos tribais; enfim, mostram que cada um destes acontecimentos estão ligados com o mundo a sua volta. Há uma razão de ser, de existir e todos dela participam.

    Podemos dizer: estão integrados, estão interligados!
    Um exemplo claro é a Carta do Chefe Indígena Seattle (Leia a carta) (1854) como resposta ao Presidente dos EUA, F. Pierce, que tentava comprar as suas terras. Vale a pena ler e refletir.

    No mundo de hoje, após séculos e milênios de vida agrária, o ser humano está em uma mudança frenética para as grandes cidades, quebrando e modificando o seu "modus vivendi". Os valores de ontem já são considerados ultrapassados, mesmo sem serem aprendidos nem vividos. Numa busca constante pela modernidade da eletrônica, pelo conforto com o mínimo esforço, ele não tem raízes ou identidade definidas vez que perdeu as conexões antigas e ainda não criou novas com firmeza...

    Vemos e acompanhamos, portanto, a realidade de um novo paradigma (clique aqui). Um novo modelo está sendo criado pelas realidades do modo de vida das últimas décadas.

    Já que as mudanças acontecem a cada dia, a cada instante e a velocidade delas aumenta na proporção direta do conhecimento, não podemos mais apenas acompanhá-las. Precisamos e devemos atualizar-nos!

    Os indianos falam-nos há milênios da "dança de Shiva" (clique aqui) que, enquanto se dança, movimenta-se o universo, demonstrando a interligação de tudo com todos, de cada um com o todo. Explicação paralela, a física quântica nos oferece hoje afirmando que, em linguagem real, "o farfalhar das asas de uma borboleta na floresta amazônica pode desencadear uma tempestade de neve no Alaska".

    Interligados uns aos outros
    Cada dia tomamos mais conhecimento desta realidade: somos e estamos interligados uns aos outros. Os átomos, que formam minhas partes hoje, estiveram ontem em corpos de outros seres e, com certeza, amanhã estarão em outras criaturas.

    - Geneticamente não somos formados apenas pelas realidades do espermatozóide e óvulo de nossos pais. Somos muito mais.

    - Somos herdeiros do universo. Os materiais que formam nosso corpo fisiopsíquico são os mesmos que formam as estrelas, as galáxias, o todo.

    - Somos cidadãos do Universo! Herdeiros do infinito, do absoluto!

    Parece loucura! Mas é apenas a ponta do icebergue ou parte dela, pois, com toda tecnologia e conhecimento do dia de hoje, podemos no máximo repetir a frase de Pitágoras: "Sou o sábio mais sábio de Atenas porque em verdade sei que nada sei!"

    Como dissemos no início, podemos acomodar-nos na ignorância, no comodismo, ficar satisfeitos com o que já sabemos, ou podemos arregaçar as mangas e seguir adiante, perguntando sempre, anotando, observando, juntando as peças deste quebra-cabeça chamado vida. E, mais ainda, compartilhar com as pessoas do nosso convívio o resultado dessas observações.

    Em nossas atividades profissionais, sejam a pessoas ou empresas, apresentamos sempre uma visão libertadora:

  • há uma necessidade de cada um viver e conviver de maneira ecológica!
  • a ecologia integral procura adaptar o ser humano a esta visão global e holística!
  • viver em paz consigo mesmo, com o meio ambiente e com cada criatura!

    Acordemos para o fato de que o Holismo não significa a energia da soma das partes, mas a sinergia gerada com a captação da totalidade orgânica, una e diversa em suas partes, mas sempre articuladas entre si dentro da totalidade e constituindo esta totalidade. Somos os construtores da nova era, a "New Age"! Influenciamos e somos influenciados!

    Somos os representantes, sustentadores, os fomentadores de tudo que pensamos e fazemos. Podemos fazer guerra ou paz, ódio ou amor. Cada um tome a sua decisão, siga os trilhos dela e colha os resultados. Você que, pacientemente abriu espaço em seu tempo para ler até aqui, é nosso convidado a, mensalmente, voltarmos a esses assuntos a respeito de "Ser Holístico".

    Ficamos à disposição para compartilharmos neste espaço temas de nossa área, onde haja possibilidade de sermos úteis. Com sinceros votos de muita paz a tudo e a todos, encerramos com saudações holísticas!


    Armando Falconi Filho
    é terapeuta holístico, consultor, advogado
    Saiba mais clicando aqui.

    Sobre quais temas (da área de terapia holística) você quer ler nesta seção? O terapeuta Armando Falconi aguarda suas sugestões no e-mail viver_serholistico@acessa.com

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