José Anísio José Anísio da Silva 7/5/2014

Um país de envelhecentes

Pelo dia 9 de maio - Dia Municipal do Idosso

por Regina Garcia Tessutti, presidente do Conselho Municipal dos Direitos do Idoso-Juiz de Fora/Gestão 2014-2015

"A vida pode ser extensa, mas é preciso ser larga."

Mario Sergio Cortella

idosoViver e envelhecer são duas palavras ricas em possibilidades de sentido.

Sob o ponto de vista demográfico, o envelhecimento é um fenômeno impressionante. No início do século XX, a esperança de vida do brasileiro não passava dos 33,5 anos, chegando aos 50 na metade desse século e atingindo 73,5 em 2010 (76,3 anos, no caso das mulheres, e 69,1 anos, para os homens). Seguindo estatutos legais como a Política Nacional do Idoso e o Estatuto do Idoso, assinalam os 60 anos ou mais de idade o cidadão ser considerado idoso. Em Juiz de Fora, há em torno de 70 mil pessoas com 60 anos ou mais, ou seja, em torno de 14% da população local. Vive-se mais. Dados demonstram.

Certamente, a qualidade de vida, advinda dos avanços das ciências biomédicas, das tecnologias,de Políticas Sociais, Políticas Públicas alavancaram esse percentual de aumento da expectativa de vida e a um maior número de pessoas.

Entretanto, deve-se entender que o envelhecimento é personalíssimo, e que os diferentes viveres não nos permitem afirmar a qualidade de vida, como afirmam as pesquisas quantitativas. Além disso, devem ser consideradas as diversidades sócio-econômico-regionais. Planejar, concretizar políticas sociais e públicas e ainda aceitar a variabilidade dos seres humanos não é tarefa fácil. Isso sem contar com a visão negativa que a sociedade tem do idoso. Certo é que somos um Brasil jovem e já de cabelos brancos.

Os avanços político-sociais ainda são muito recentes, em decorrência de uma Constituição de apenas 26 anos, e agravados pelo fato de que culturalmente o Brasil é um país despreparado para lidar com essa realidade. É como se o envelhecimento fosse precoce.Deparou-se com um número crescente de "envelhecentes" sem as devidas medidas para que esse grupo de pessoas tivesse seus direitos plenamente assegurados como diz a Lei. E não é incerto afirmar que o idoso no Brasil, apesar da conquista de direitos, ainda se encontra necessitado de proteção.

Soma-se a isso o modelo de sociedade em que envelhecer vai à contramão do fascínio pelo novo e pelo efêmero o que, sem dúvida, é uma das características do mundo contemporâneo. Isso ocorre de tal modo que, desde os objetos de consumo, lazer, moda, até os relacionamentos tornam-se obsoletos de maneira crescente e acelerada, extrapolando os limites do ato de consumir em si e se estendendo às esferas da vida privada e às práticas cotidianas. Em pouco espaço de tempo, a saudade fica próxima, pois a voracidade do consumo do novo, como regra de comportamento, distancia rapidamente o que já foi consumido.

Importante ter uma atitude crítica, reflexiva e, para tal, olhar atentamente, ver, perceber um sentido do viver, dos viveres, aqueles que implicam em envelhecer com dignidade, aquele sentido em que haja mudanças na educação, na cultura, nas políticas públicas e sociais, e, sobretudo,refletir e dialogar com estas questões:

"Vive-se mais. Vive-se bem??"

Para poder ter uma vida longa, todo cidadão deve ter direito não só à extensão, mas que a sua vida seja larga e profunda. Esse é o grande desafio.

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