Vida de DJ Eles estão em praticamente todas as baladas da cidade. Conheça um pouco mais do dia-a-dia (e noite!) desses profissionais da música

Fernanda Leonel
Repórter
05/06/2006

A palavra da língua inglesa já entrou até para o dicionário Aurélio. DJ, abreviatura de Disc Jockey, já tem definição na terra conhecida no mundo inteiro pelo ritmo do carnaval e pelos acordes da bossa nova.

O termo, senso comum e muito conhecido, define os artistas técnicos que misturam músicas diferentes para serem ouvidas e dançadas, usando suportes como vinil, CD ou arquivos digitais sonoros.

Os DJ's surgiram na década de 50, como personagens ainda pouco conhecidos no mundo da música. Pouco conhecidos porque desafiavam tecnologias e sons. Em 1950, por exemplo, não haviam guitarras elétricas nem tão pouco aparelhos de mixagem. Fazer som eletrônico para quem quisesse se divertir era mais que desafio: era criação.

Nos anos 70, boom dos discos de vinil, os disc jockeys entraram de vez para o cenário noturno do primeiro mundo. E com a evolução da transformação do sons, eles se profissionalizaram e deixaram de ser apenas tocadores de vinil.

Com suportes tecnológicos exemplificados pelo aparecimento do CD player, dos primeiros MD's, da possibilidade de conversão MP3 ou do aparecimento dos moduladores de voz, para citar apenas alguns, eles ampliaram o seu leque de oportunidade e de funções.

A profissão DJ é hoje conhecida e respeitada, e faz parte da programação de quase toda festa. Seja para servir de atração principal ou disputar os holofotes com algum som de banda ao vivo, eles marcam presença e são por muitas vezes, figuras conhecidas nas cidades que trabalham.

DJ trabalhando Em Juiz de Fora não é diferente. Muitos DJ's são requisitados exatamente pelo reconhecimento do trabalho que fazem nas casas noturnas da cidade. Eles possuem portfólios prontos para serem apresentados para seus contratantes, cartões de visita e sites de divulgação. Desmancham a idéia de que ser DJ é só tocar em festas, para provar que há muito trabalho atrás de cada batida.

Há também a diferença no que diz respeito ao reconhecimento do público. No espaço de uma década, DJ virou uma profissão glamourosa, sinônimo de diversão, fama e dinheiro. A explosão da música eletrônica nos anos 90 deu maior destaque ao sujeito responsável que gira sons nos pickups.

Se antes a figura do DJ era disposta sobre a idéia de um rapaz que entrava pelas portas dos fundos e ficava em um canto do salão montado nos equipamentos, hoje é completamente diferente. Não há mais o "cara do som" e sim profissionais que trabalham sob o status de artista, sobre a luz dos holofotes e com lugar privilegiado na pista.

Esse affair com a badalação e os status chega a ser tão grande que os profissionais da cidade chegam a reclamar que "todo mundo está querendo se transformar em DJ". Segundo a classe, com as facilidades proporcionadas pelas novas tecnologias, muita gente comprou equipamentos e partiu para a concorrência.

"Em Juiz de Fora temos em média cem pessoas trabalhando nesse ramo de atividades", comentou o DJ Stefan (foto) destacando como o campo de trabalho tem sido cada vez mais "invadido" por pessoas que resolveram "se habilitar" como DJ. "Mas para mim, profissional mesmo, na cidade só tem uns dez", complementa.

Stefan é um defensor da classe como poucos. Em entrevista ao portal, foi enfático ao dizer que apesar dessa "onda" de jovens e adolescentes que querem entrar para o mundo dos mixers, ele acredita que só vão sobreviver os bons, pessoas que mixam por profissão, não por "zueira" ou "status".

Para o DJ que trabalha no ramo desde os 16 anos, um bom jockey deve estudar inglês e também aprender a tocar algum tipo de instrumento. "Entender de música e de harmonia é essencial para aprender a ter feeling, para entender o que as pessoas estão querendo no momento da execução das músicas.

Stefan, que foi músico de banda antes de se tornar um profissional dos sons eletrônicos acredita que é preciso muita dedicação, estudo e pesquisa para ser um bom DJ. Coisas que para quem não está na área não parecem tão óbvias assim.

Para quem deseja aprender a arte da mixagem de verdade, e fazer disso um ofício da vida, alguns DJ's da cidade oferecem cursos sazonais. Não há data específica para acontecerem, mas os professores garantem que estão sempre cheios de reservas de vagas.

Nem só de glamour vive o homem...

Eles trabalham enquanto todo mundo se diverte. "Batem cartão" aos sábados, domingos e feriados, e conseguem mais serviço nos tradicionais meses de férias. Ralam a noite, dormem de dia, não podem programar fins de semana com a família ou com a turma de amigos. Tudo isso parece um sacríficio? Não para quem escolheu a profissão DJ para o seu dia-a-dia.

Todos sabem do sacrifício, mas juram que a paixão pela música e pela profissão falam mais alto. Tão alto que muitos deles nunca tiveram outra profissão na vida. Se não estão fazendo barulho nas pistas, deram uma nova roupagem às suas criações: muitos DJ's de Juiz de Fora possum um estúdio em casa e trabalham com montagens e mixagens para outros tipos de produtos.

Esse complemento de renda é o que garante que a profissão noturna possa ser mantida. Ser disc jockey e cumprir expediente comercial de trabalho parecem não ser uma coisa que se casa muito bem.

Tecnologia no comando da atualidade

DJ Sanderson Se as facilidades do mundo da internet e do download trouxeram novos concorrentes para quem quer viver como DJ, há também as vantagens. Esse mundo de tecnologia tem sido o principal responsável pela atualização constante dos DJ.

Como destacam os DJ Sanderson, o que há de mais comum em sua vida é ver seu computador de casa ligado 24 horas. Como advento da internet, ele pode deixar sua lista de músicas tão atualizada quanto a listas das melhores boates européias.

Sanderson trabalha como DJ há 16 anos. Conta que no começo era muito difícil ficar sabendo das novidades das cidades onde a música eletrônica rola mais forte. "Existiam pessoas que na década de 80 vinham, por exemplo, de São Paulo, especialmente para vender vinis para os DJ's da cidade. Era uma espécie de profissão mesmo: a de manter atualizado quem trabalhava nas discotecas da cidade".

Hoje, ele comemora o trabalho poupado. Com apenas um click no mouse, ele entra nos sites dos mais conceituados profissionais do mundo e retira dalí as dez músicas mais tocadas em todos os cantos do planeta.

Outra coisa muito comum entre a profissão são as listas de dicussões e fórum de profissionais da música eletrônica. Como comenta Sanderson alguns profissionais criam suas próprias montagens sob as músicas, e trocam suas versões na internet. Do outro lado da tela, os DJ's que ainda não trabalham com suas próprias músicas, escolhem novidades que mais têm a ver com o seu público alvo.

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