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    Teatro nos bares Trupes teatrais de Juiz de Fora se apresentam fora dos palcos
    convencionais e ganham espaço nos bares da cidade

    Renato Salles
    Repórter
    23/02/2008

    O que é melhor? Reunir a turma de amigos para um happy hour com direito a refrigerante, cervejinha e tira-gosto ou um programa cultural como uma peça teatral? A questão pode gerar dúvidas em muitas pessoas. A resposta, entretanto, talvez não seja tão difícil.

    A cada dia cresce o número de trupes teatrais que se apresentam fora dos palcos convencionais e, a cada dia, mais bares da cidade abrem suas portas para a nova tendência.

    Para Marcos Marinho, ator e diretor teatral, existe diferença deste tipo de apresentação em relação às encenações nos palcos tradicionais. "Não é aconselhável utilizar longos discursos em apresentações em espaços alternativos, como bares e rua. A tendência é de se fazer textos curtos que funcionem mesmo que a atenção do espectador seja dispersa, seja para pedir uma porção ou para ir ao banheiro", conta.

    O artista também é idealizador de uma casa onde bebidas, comidas e cultura convivem harmoniosamente. "Eu tinha em mente montar um espaço para trabalhar com meu grupo. Para fazer exibições e fomentar o teatro na cidade. Como em nossa cidade existe uma tradição de bares, juntei as duas coisas", lembra Marinho, após mais uma apresentação.

    Para o estudante Lucas de Souza, esse tipo proposta é tentadora em todos os aspectos. "É unir o útil ao agradável. Nós precisamos respirar um pouco mais de cultura nos dias de hoje, mas sem abrir mão dos momentos de descontração com os amigos. Melhor que seja tudo isso ao mesmo tempo, em um lugar só", brinca.

    Tudo começou na mesa de bar

    A companhia de teatro Putz!, tradicional trupe de humor da cidade, realizou suas primeiras apresentações no ano de 2001. E tudo começou em um bar da cidade. Para Cibele Lopes, um das integrantes da companhia, o grupo tem intimidade com esse tipo de encenação. "No bar a gente fica mais a vontade. A aproximação com a platéia é muito grande que faz com a possibilidade de improviso fique muito maior", conta.

    Putz! em cena no palco Putz! em cena no palco Putz! em cena no palco

    Nesse tipo de apresentação, muitas vezes, a audiência faz parte do espetáculo. Os atores sempre estão atentos para o que acontece ao seu redor, utilizando qualquer situação atípica como mote para brincadeiras.

    "Quando as pessoas bebem ficam mais descontraídas, a interação é total. Todo mundo leva numa boa", afirma a atriz. Mas, o feitiço, às vezes, vira contra o feiticeiro e quem fica em situação complicada são os artistas.

    "Uma vez estávamos fazendo uma esquete de super-heróis, todos já decadentes. Eu fazia a mulher-marvilha, que era casada com um caquético super-homem, velhinho na cadeira de rodas. Fui empurrando a cadeira e, de repente, pimba! Joguei o homem de aço com cadeira e tudo em cima da platéia", brinca a atriz.

    A Cia Teatral Putz! está com a peça "As Piores Cenas do Putz!" em cartaz em um bar da cidade. Os atores levam ao palco esquetes consagrados e algumas novidades, com textos reformulados, novos personagens, cenas raras e mais alguns extras.

    Via de mão dupla

    As duas coisas acabam se complementando no melhor estilo uma mão lava a outra. O teatro ajuda no movimento do bar e, muitas vezes, o lucro obtido na venda de bebidas e petisco ajuda no orçamento da peça. "O retorno financeiro do bar auxilia o arrecadado na bilheteria, que nunca é suficiente. È uma boa forma de driblar os problemas financeiros vividos no teatro", relata Marinho.

    Teatro, cerveja, músicas e palhaçadas

    Marcos Marinho está em curta temporada com o espetáculo "Marinho fica bobo e canta" (foto abaixo). A peça musical encanta pelo seu aspecto lúdico, uma brincadeira que atrai a atenção de todas as idades. "Eu acho que a platéia para este show é abrangente. É um show de palhaço. E música. Isso não tem idade ou nível sócio-cultural. A peça é para todos, respeitando o gosto individual de cada um", resume o ator.

    Marcos Marinho em cena no palco do Mezcla Marcos Marinho em cena no palco do Mezcla Marcos Marinho em cena no palco do Mezcla

    Esta é a primeira vez que Marinho faz um show essencialmente musical, com microfone e banda acompanhando. Me sinto um palhaço cercado por bons músicos por todos os lados". brinca.

    A concepção do show teve início quando o artista concluiu um curso de técnicas de palhaço no ano passado. "Meu professor sugeriu um número musical, o resultado está aí", revela.

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