Alunos resgatam festa à fantasia Estudantes da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) tentam resgatar a tradição das festas à fantasia em calourada



Marinella Souza
*Colaboração
30/06/2008

A festa à fantasia na faculdade de Comunicação da UFJF há muito se tornou uma tradição. Os calouros ficavam incumbidos da organização da festa que mobilizava toda a faculdade em um clima de descontração e alegria. Mas de uns tempos para cá, isso mudou, a tradição perdeu a força e, a ultima Calourada foi organizada pelos veteranos.

Mais do que isso, foram os formandos quem tomaram à frente do evento e se esmeraram para que a festa corresse da melhor maneira. O estudante do oitavo período, Thiago Valério (foto abaixo), acredita que a festa perdeu sua característica.

Foto de Thiago Valério, fantasiado de Margarida
Salomão "Quando eu entrei na faculdade, a festa mobilizava até o povo de outras faculdades. Era uma festa com a cara da Facom porque o foco era a criatividade, mas as últimas turmas de calouros não deram continuidade a isso", lamenta.

E foi pensando em resgatar essa tradição e incutir nas turmas que estão chegando a importância dessa festa, no sentido de integração entre os períodos, que a turma de Thiago resolveu fazer a festa. "Nós trabalhamos para que os calouros se interessassem em participar, mas eles mesmos não se empolgaram muito".

Recém-chegada ao mundo acadêmico, Naiara Amorim (foto abaixo) reconhece o desinteresse de seus colegas. "O pessoal estava muito desanimado mesmo", diz a moça. Ela não consegue encontrar um motivo para o desinteresse, mas aposta na falta de liderança.

Foto de Naiara Amorim, fantasiada de
anjo Da mesma sala que Thiago, a veterana Camila Santos(foto abaixo) tem outra explicação. "Acho que o que estragou mesmo esse clima de confraternização foi o fim da cantina. Ali a gente tinha espaço para conhecer as pessoas dos outros períodos, se integrar mesmo, mas agora, só temos contato mesmo com a nossa turma e um ou outro calouro, mas só até o quinto período mesmo".

A cantina da Faculdade de Comunicação foi demolida para a construção de novas salas e a decisão da diretoria foi polêmica. Os alunos são unânimes quanto à importância que o espaço tinha para a comunidade acadêmica. Dois anos após o fim da cantina, ainda se ouve lamentos por toda a faculdade.

"A cantina era o nosso ponto de encontro, era onde a gente se integrava com a faculdade. Hoje não temos mais essa integração", complementa Thiago. O estudante garante que o objetivo dessa calourada não era só conseguir mais dinheiro para o fundo de formatura. "A gente queria mesmo era plantar essa semente nos calouros para não deixar que a tradição se perca".

Thiago e seus colegas tiveram problemas para vender os convites. Mesmo dentro da faculdade, entre os veteranos, a festa perdeu seu prestígio, o que para Thiago é lamentável. "O pessoal prefere a chopada, que é uma festa mais de bebedeira, mas a calourada é a verdadeira recepção do povo que chega porque permite mais integração. Ela tem seu charme", defende.

Foto de Camila Santos, fantasiada de anos 50 E Camila completa: "A própria fantasia já permite uma troca maior. Ela vira um referencial. Antigamente a gente esperava a festa, pensava na melhor fantasia, mas isso se perdeu. Alguns calouros até colaboraram na venda dos convites, mas não tem mais a mesma mobilização. Isso é uma pena porque era uma forma de recriar o vínculo entre calouros e veteranos, já que não temos mais a cantina".

A Calourada da Facom aconteceu no último sábado e quem esteve presente, pôde se divertir com as criativas fantasias e com a animação da turma de formandos. Thiago garante que, apesar de terem cobrado consumação à parte, isso não gerou problema porque, segundo ele, "é uma prática comum na casa".

*Marinella Souza é estudante de Comunicação Social na UFJF

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