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    O vinil não morreu Músicos juizforanos preservam a arte de tocar com os famosos bolachões


    Guilherme Arêas
    Repórter
    19/02/2009

    Quando os Compact Discs (CDs) se popularizaram em todo o mundo, na década de 1990, os consumidores da música apostaram que os Long Plays (LPs) ou vinis entrariam rapidamente para o hall das peças de museu. Com a invasão dos formatos mp3 na rede mundial de computadores, os bolachões pretos pareciam estar sepultados de vez. Mas, na contramão de toda a evolução tecnológica que envolve o mundo da música, os vinis estão de volta com força total. Em Juiz de Fora, uma turma não abre mão de usufruir as vantagens que o formato oferece.

    Através do grupo "Vinil é arte", o discotecário Pedro Henrique Paiva (vídeo ao lado) tenta manter viva a memória e as atividades com os vinis. Ele e os outros três integrantes do projeto tocam em festas, eventos e festivais, sempre utilizando LPs raros de músicos das décadas de 50, 60 e 70. A coleção de vinis faz parte de uma grande pesquisa sobre o formato, mas a quantidade já não cabe mais nas contas. "Devo ter mais do que dois mil e menos do que quatro mil discos", brinca.

    A paixão e o uso profissional dos vinis ele reconhece que vem com o tempo, através das primeiras coleções herdadas dos pais. Hoje, o ideal do grupo é fazer com que as pessoas dancem músicas que elas não conhecem ou, pelo menos, não ouviam há muito tempo. "Hoje em dia ouvir música é uma coisa muito prática. Os aparelhos pequenos permitem que você leve o seu som para todos os lugares. O vinil exige mais. Além de gastar tempo e dinheiro comprando os discos, você tem que cuidar, passar um pano seco antes de ouvir. Depois de ouvir um lado, tem que virar o disco. Existe todo um ritual."

    Foto de Luiz e Pedro Foto de uma vitrola portátil

    Sobre a qualidade do som do vinil, Pedro prefere não entrar nas questões técnicas que comparam as mídias. A proposta dos DJs ou discotecários, como alguns preferem ser chamados, não é contrapor os formatos, mas fazer com que cada um tenha o seu espaço. Porém, ele afirma que os profissionais que realmente apreciam a música, preferem o som do vinil. "Muitos CDs que eu comprei em 1991 já estragaram em dez anos de uso", completa.

    O formato também é a preferência do DJ juizforano Luiz Valente (vídeo acima), apaixonado pelos discos dos anos 90. Para ele, a qualidade do som também é uma questão relativa. "Isso depende da relação da pessoa com a música. O público em geral não costuma focar nesse mérito da comparação da qualidade", avalia.

    As primeiras coleções viraram instrumentos de trabalho e para resgatar gravações no formado LP e dar a oportunidade para que novas bandas tenham seus registros musicais nos bolachões, Luiz criou seu próprio selo, a Vinil Land. A prensagem dos vinis é feita na Alemanha, país em que vive boa parte do ano. Mas os DJs e produtores esperam com ansiedade a reativação da Polysom, a última fábrica de discos de vinil no Brasil, localizada no Rio de Janeiro. A proposta é de reativar a demanda por lançamentos no formato, que é o ideal para o uso dos DJs e importante dentro da história musical brasileira.

    Foto dos
discos de vinil Foto dos discos de vinil

    "Hoje, acumular músicas é muito fácil, porque você baixa da internet. Mas muitas vezes você acumula tanta música que nem tem tempo para ouvir. O vinil exige um trabalho maior. Mas é impraticável o vinil voltar a ser produzido e consumido como era antes. A produção vai atingir um nicho muito específico de pessoas que gostam e que trabalham com música. Mas é importante ter essa retomada", avalia Luiz.

    Enquanto a produção em larga escala não volta a ser realidade no país, os produtores recorrem a uma verdadeira garimpagem nos sebos. Na maior loja de discos usados de Juiz de Fora, o proprietário acredita ter entre 30 e 40 mil vinis no acervo. "A procura é muito grande e tem aumentado cada vez mais", confirma João Roberto de Almeida.

    Foto de uma vitrola Foto de discos de vinil

    O preço representa um grande enigma para os colecionadores e produtores que trabalham com o formato. "O mesmo disco que você encontra por R$ 100 na loja, é vendido a R$ 1 na feira", constata Pedro. Em Juiz de Fora, o preço de um vinil antigo pode variar de R$ 1 a R$ 300. Porém, há registros de verdadeiras raridades da música, que podem chegar a custar R$ 3 mil.

    O vinil não tem um preço definido por uma série de motivos. Um deles é o desconhecimento sobre a raridade dos discos. Com a ascensão dos CDs, muitas famílias fizeram doações em massa dos bolachões, fazendo com que muito material fosse perdido ou comprado por colecionadores estrangeiros.

    No exterior, apesar da visível queda do consumo, a produção do vinil não chegou a desaparecer, como no Brasil. "No fim dos anos 90, a indústria da música começou a vender a ideia de que o CD era uma revolução e que o vinil era coisa do passado. Até 1996, a produção e a qualidade dos vinis caíram muito. As empresas não perceberam que ainda havia público para o vinil. A partir de 96 você não acha nada de música brasileira gravada nesse formato", lamenta Luiz.

    Os textos são revisados por Madalena Fernandes

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