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    WAN estréia com o pé direito em festival de bandas A banda que foi formada há pouco mais de seis meses já conta com a disputa da semi-final do Festival de Bandas Novas no currículo

    Marinella Souza
    *Colaboração
    09/09/2008

    O hard rock, estilo musical conhecido por pegadas fortes, guitarras "nervosas", visual colorido e letras bem ecléticas, que tratam desde problemas amorosos, passando por festas e ostentação e até preocupação com os problemas do mundo, encontra representantes fiéis em Juiz de Fora. A recém-formada banda WAN é adepta do estilo e faz um som com qualidade suficiente para chegar à semi-final do concurso de bandas mais badalado da cidade.

    O resultado foi inesperado, visto que entre a inscrição e a primeira apresentação a banda passava por um período conturbado. O baixista estava enrolado com os prazos e horários de faculdade e um conflito interno levou o baterista, deixando a banda "órfã" há pouco mais de uma semana do grande dia.

    Usando todos os seus contatos, a vocalista Lívia Mattos e o guitarrista João Paulo Ferreira correram de um lado para o outro até conseguir um baterista que os ajudasse na apresentação do Festival. Por sorte, eles conseguiram um na mesma época em que o baixista, Andrey Monachesi entrou de férias e, depois de uma semana de ensaios intensos, eles não só ficaram afiados como compuseram uma música para o Festival e puderam se apresentar.

    Lívia acredita que a experiência dela e de João Paulo, que já participaram de outras bandas, foi fundamental para que conseguissem resolver tudo em um prazo tão curto, subir no palco e fazer o show acontecer. "Eu pedi autorização para usar a música que já tinha iniciado em outra banda e os caras aceitaram e aí deu tudo certo", recorda.

    Assim como a banda surgiu "no susto" como eles gostam de dizer, foi "no susto" que se inscreveram para o Festival de Bandas Novas e também "no susto" que chegaram à semi-final. "A gente não esperava que fosse chegar tão longe, a gente queria cantar para se divertir. Foi muito bom enquanto durou", relata João Paulo.

    Lívia vê com bons olhos o desempenho da banda. "A semi-final foi muito disputada, o que viesse para gente era lucro. Disputamos com bandas com muito mais tempo de estrada, bandas de outra cidade. Chegar até à semi foi um grande passo para uma banda que está só começando. O resultado foi mais do que justo", avalia.

    O começo de tudo

    Freqüentando as mesmas baladas, as mesmas rodas de violão e curtindo o mesmo som, um belo dia, Lívia e João Paulo decidiram montar uma banda. Reuniram mais dois amigos e assim estava formada a... A banda que não tinha nome. Isso mesmo! Depois de tudo acertado, os músicos só esqueceram de um "detalhe": o nome da banda.

    Sugestão daqui, sugestão de lá, chegaram à conclusão de que o melhor nome seria mesmo Without a name que, em português significa "Sem Nome". Mas isso ainda não era uma decisão fechada. Entre as brincadeiras comuns em grupos de amigos, os jovens integrantes dessa inusitada banda, descobriram que a sigla WAN abria as portas para muitas brincadeiras.

    Assim, eles optaram por deixar como nome oficial, apenas a sigla e deixar que a criatividade de cada um trabalhasse para imaginar o real significado. E WAN segue seu caminho fazendo seus planos e divulgando o trabalho entre os amigos. Eles tocam composições próprias, todas em inglês, e covers dos artistas que os influenciaram como Kiss, Pink Floyd, Dio, Queen e outros.

    Foto de Lívia cantando no palco Foto de Lívia e João Paulo tocando Foto de Andrey tocando

    Por enquanto ainda não têm mais shows agendados e consideram precoce a idéia de gravar um CD. "Ainda é cedo para pensar em cd, temos que nos preparar mais em termos de composições", declara João Paulo. E a companheira de banda arremata: "Temos que amadurecer a banda antes de gravar um CD". Mas a participação no Festival do ano que vem é dada como certa. "Se eu estiver vivo até lá", como João Paulo gosta de brincar.

    Da formação inicial estão todos, menos o baterista, que continua sendo uma lacuna na WAN. "Conseguimos um baterista para o festival, mas foi só para 'quebrar galho' mesmo. Agora estamos buscando um novo para fazer parte da banda mesmo", diz Lívia.

    A banda é composta, basicamente, por estudantes. Lívia é arquiteta, no momento, "está" bancária, mas como ela mesma diz. "Faço quinhentas coisas ao mesmo tempo". João Paulo comemora a chegada da faculdade de Música em Juiz de Fora e se prepara para o vestibular. Andrey, por sua vez, estuda engenharia e se divide entre cálculos e hard rock.

    O mercado

    A história da WAN é divertida, inesperada, aconteceu meio "no susto", mas os integrantes garantem: "ser roqueiro no Brasil não é nada fácil". Eles reclamam que, de uns 20 anos para cá, faltam investimento, reconhecimento e divulgação. Segundo João Paulo, há duas décadas o hard rock viveu seu ápice e os artistas eram consagrados, mas hoje não há espaço para o estilo na cena musical nacional.

    E isso não é um problema só de Juiz de Fora ou de Minas Gerais, eles contam que recentemente um grande nome do hard rock, o White Snake, fez um show no Rio de Janeiro e levou para a platéia uma média de três mil pessoas. "Hoje isso é muito para um show de rock, mas há uma década isso era público para uma banda como a nossa, que está iniciando", afirma João Paulo.

    Foto de JOão Paulo tocando guitarra Foto de Lívia cantando Foto de Andrey tocando baixo

    Para se ter uma idéia da importância do White Snake, Lívia garante que o vocalista dessa banda está para os roqueiros americanos assim como Roberto Carlos está para a música romântica nacional. E, apesar disso, o show não foi divulgado. Lívia e João Paulo revelam que o mesmo aconteceu quando o Scorpions, outra banda de destaque, veio ao Brasil.

    Fase do hard rock

    O hard rock teve seu ápice nos anos 80 e princípio dos 90, mas foi perdendo prestígio ao longo do tempo e isso fez o público se afastar um pouco dos eventos. Segundo os artistas, sempre tem quem aparece nos ensaios "para dar uma força", mas sucesso mesmo eles sentem quando tocam fora. Segundo Lívia isso acontece porque "a galinha do vizinho é sempre mais gorda", brinca. "Quando estamos em outra cidade, nós somos a novidade, o diferente que atrai. O mesmo acontece com as bandas de fora que vêm tocar aqui", compara.

    João Paulo relata que as pessoas ainda têm preconceito quanto ao estilo, ainda mais porque não se trata apenas de "música barulhenta", mas de um estilo visual muito forte também. "O estilo é diferente, é impactante, em especial para as pessoas mais velhas. Mas depois que as pessoas conhecem, acabam perdendo isso".

    É o que acontece com Lívia. "No meu trabalho as pessoas souberam aos poucos que eu tinha uma banda, aí ficavam curiosos, queriam saber do que se tratava, o que tocávamos. Mas quando pintei o cabelo de loiro com mechas vermelhas, o primeiro comentário que ouvi, foi meio preconceituoso, me disseram: 'só podia ser roqueira mesmo', depois riram e brincaram muito", diverte-se.

    *Marinella Souza é estudante de Comunicação Social na UFJF

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