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    Trio de irmãs cantoras retoma as apresentações Pâmela, Stéphanie e Louise dividem os palcos de Juiz de Fora, mantêm seus trabalhos individuais e ainda se dedicam ao trabalho fora da música

    Guilherme Arêas
    Repórter
    23/4/2009

    Quando subiram ao palco pela primeira vez, em 1991, as irmãs Pâmela Emanuelle, Stéphanie Lyanie e Louise Gracielle ainda pensavam em um nome para o trio de belas vozes que surgia. Os anos foram passando e a ideia de batizar o grupo com as iniciais dos nomes de cada uma logo foi deixada de lado. Não pegaria bem um trio chamado PSL, sigla de um partido político. Foi assim que decidiram apresentar-se apresentar com nomes próprios. A denominação do trio se tornou uma questão pequena para o público que acompanha as apresentações das irmãs desde então. Mas elas garantem: sugestões são sempre bem-vindas.

    Antes de subirem ao palco do Pró-Música para mais uma apresentação juntas, nesta quinta-feira, 23 de abril, as irmãs contaram um pouco da trajetória e da carreira do trio. Nem mesmo com gostos musicais particulares e carreiras individuais em pleno vapor, o trio deixou de voltar aos palcos com mais frequência.

    O retorno, em abril de 2008, ocorreu após uma apresentação no Cine-Theatro Central. "Foram esses eventos que nos despertaram para a possibilidade do retorno do trio. Atualmente, nossos horários são mais tranquilos, o que nos permite ter uma banda para nos acompanhar", destaca a caçula Louise, de 20 anos.

    Hoje, Louise divide a atenção ao trio com os estudos de medicina e os ensaios da banda de rock progressivo Aknatha, em que é vocalista. Stéphanie, de 22 anos, é jornalista e foca a carreira individual de cantora na gravação de jingles comerciais. Já a primogênita Pâmela, de 25 anos, é formada em Direito e trabalha na UFJF, além de cantar na banda de rock Elevare.

    Na adolescência, as três irmãs tinham gostos musicais parecidos. Cresceram ensaiando músicas de Raul Seixas, Beatles, Abba e Bee Gees. No coral, foram apresentadas à música popular brasileira de Gonzaguinha e Vinícius de Moraes. “Além do canto, a nossa musicalidade foi trabalhada com aulas introdutórias de piano, para a Stéphanie, e de violão, para mim. E, assim, o trio cantava em eventos, mesclando no repertório canções nacionais e internacionais”, lembra Pâmela.

    No retorno do trio aos principais palcos de Juiz de Fora, as cantoras ainda não têm definido um único estilo de músicas para as apresentações. Talvez a grande vantagem seja realmente não se limitar a um único formato. Elas garantem que um dos critérios para a montagem do repertório é a escolha de músicas possíveis de serem cantadas por três vozes. No mais, é escolher aquilo que o público quer ouvir.

    Foto de Pâmela Foto de Stéphanie
    O que elas ouvem...
    Eu escuto metal (Nemesea, Ayreon, Stream of Passion); rock (Pink Floyd, Peter Gabriel, Roxette, etc.); pop (Christina Aguilera, Beyoncé); e MPB (Elis Regina, Zizi Possi, Marisa Monte).

    Louise Gracielle

    No meu mp3 player tem de tudo: de country até canções típicas espanholas. Adoro músicas do estilo do U2, Snow Patrol, Switchfoot, Coldplay, Death Cab for Cutie. Também gosto de música eletrônica, como Tiesto e David Guetta. Da música brasileira, gosto particularmente do Djavan, Chico Buarque, Zeca Baleiro e Marisa Monte. Também admiro um monte de músicos que nem famosos ainda são, mas que têm replay garantido no meu aparelhinho.

    Stéphanie Lyanie

    O meu estilo vai do rock’n roll clássico ao pop, desde Little Richard, passando pelo rock mais progressivo (Genesis, YES, Peter Gabriel, Pink Floyd), indo até U2, Michael Jackson, Madonna, etc.

    Pâmela Emanuelle

    Foto de Louise Foto do trio
    O início

    Como acontece com boa parte dos músicos em todo o mundo, as influências familiares foram determinantes para que Pâmela, Stéphanie e Louise reconhecessem em seus talentos uma atividade profissional. O pai, músico autodidata, e a mãe, cantora e figurinista das então pequenas meninas, foram os principais apoiadores. "Se somos o que somos é porque tivemos esse incentivo e apoio dos pais", reconhece Louise.

    A história das irmãs cantoras começou quando a mais velha, Pâmela, tinha apenas sete anos e ganhou um microfone de presente do pai. "Nos tempos livres, a família se reunia em um cômodo da casa que a gente chamava de 'sala de som'. Ali, meu pai ligava todos os instrumentos e os microfones, e começávamos a cantar. Assim, não demorou muito para que a Stéphanie e a Louise se interessassem também", recorda Pâmela.

    Aos poucos, as meninas de São João del Rey, criadas em Juiz de Fora desde 1997, foram ganhando destaque no universo musical da região. Logo no início da carreira, elas se apresentaram em um programa de televisão transmitido em rede nacional. Mesmo com a projeção, Pâmela garante: "A experiência marcante depende não só do lugar, mas também da recepção do público".

    Um momento único para a jornalista Stéphanie foi cantar para Belchior, em 2002, durante o Concurso de Intérpretes de Juiz de Fora. Em meio a candidatos mais velhos - ela tinha 16 anos na época - ganhou atenção especial do consagrado cantor. "Cantei a música Como os nossos pais. O público foi bastante receptivo e o Belchior, cantor e autor da canção, estava na casa. Conhecê-lo foi maravilhoso."

    Já para a caçula Louise, um acontecimento que vai ficar registrado como um dos momentos mais emocionantes é a primeira apresentação com a banda Aknatha. "Havia muita expectativa, muita ansiedade, tudo era novo pra mim: o estilo de música, o público, o ambiente... Tivemos uma recepção muito boa e foi uma experiência gostosa."

    Foto de Pâmela Foto de Stéphanie
    Artistas e as dificuldades em JF

    Como todo artista que ainda não conquistou total reconhecimento profissional, na volta aos palcos, Pâmela, Stéphanie e Louise sentem na pele a falta de incentivo ao artista local. Mesmo com leis municipais de apoio à cultura, ainda é difícil viver de arte em Juiz de Fora.

    "Estou cansada deste papo de que 'talento é dom e não se paga'. Talento não nasce com a pessoa. Ele é desenvolvido com muito esforço, dedicação e treino e merece um pagamento à altura da qualidade", desabafa Stéphanie.

    De acordo com as irmãs, ainda falta maior acesso às casas de show da cidade. A dificuldade é acentuada com a falta de união dos músicos, que, segundo Louise, ainda funcionam em Juiz de Fora em um sistema de castas, divididas pelo estilo musical. "É difícil encontrar cooperação e o espírito de competição reina."

    Na cidade que já revelou para o Brasil cantoras como Ana Carolina e, mais recentemente, Mylena e Josy Oliveira, os artistas que ainda tentam sobreviver de música em Juiz de Fora lutam contra a desvalorização profissional. "É triste ver uma cidade que só valoriza a prata da casa depois de ela receber os aplausos de plateias maiores", conclui Stéphanie.

    Os textos são revisados por Madalena Fernandes

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