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    Rachel Jardim Escritora juizforana fala da sua vida e obra




    Fernanda Leonel
    Réporter
    09/12/2006

    As palavras consistentes e a maneira de falar sobre sua vida e obra não deixam dúvidas: o sucesso da escritora juizforana Rachel Jardim não foi obra do acaso. Durante às duas horas que Rachel falou ao público na noite da última sexta, 09 de dezembro, no Museu Ferroviário, os presentes atentos só quebraram o silêncio para bater palmas ou para dar risadas das brincadeiras que a escritora fazia no meio do seu discurso.

    Rachel Jardim foi a primeira convidada do I Colóquio de Escritores da Cidade . O Colóquio foi realizado pelo Comitê Regional do Programa Viva Leitura, uma das ações do Programa Municipal de Leitura implementado pela Prefeitura/ Secretaria de Política Social, por meio da Funalfa e da Biblioteca Municipal Murilo Mendes.

    Antes da escritora, as professoras Leila Barbosa e Marisa Timponi fizeram uma explanação sobre a incidência da referência à cidade nos livros dos mais diversos autores da terra. Esse é o caso de Rachel Jardim, uma declarada "apaixonada por Juiz de Fora".

    Paixão por Juiz de Fora

    Rachel Jardim é enfática ao dizer que a cidade influenciou e influencia muito o seu trabalho de escritora. Para a autora, que classifica como característica mais importante de sua obra o "peso" que a descrição do ambiente e dos cenários ganham ao longo das narrativas, "é impossível escrever sem retratar Juiz de Fora".

    A característica de descrição é tão forte, que o "Programa Saia Justa" da GNT chegou a indicar os livros de Rachel Jardim como uma boa oportunidade de conhecer cenários culturais de Juiz de Fora e de Guaratinguetá, cidade paulista também muito presente nas obras da escritora. "Eu sempre baseio meus cenários em lugares que fazem parte das minhas lembranças", explica a autora que também morou por algum tempo na fazenda do avô na cidade paulista.

    A descrição, no entanto, como destaca a própria escritora, não é meramente geográfica. Ela comenta que apesar de lugares importantes da cidade como o Alto dos Passos, o Colégio Stella Matutina, a Avenida Rio Branco ou o Parque Halfeld serem ambientes bastante retratados em seus livros, é o clima "atmosférico da cidade" e o " estado de espírito da população" o que mais lhe dá inspiração e que mais aparece impregnado nas atmosferas de seus livros.

    "No meu livro Os anos 40, fiz uma busca nas minhas lembranças de jovem em Juiz de Fora. Falo dessa cidade que na época ainda era uma pequena cidade, falo do bonde, falo do Rio Paraibuna. Descrevo psicologicamente tudo que eu vivi através da história de outra pessoa".

    Rachel saiu da cidade aos 18 anos e, desde então, nunca deixou de visitar Juiz de Fora. Ela diz que essas visitas eram mais freqüentes até os anos 80, mas que apesar de terem diminuído em periodicidade, nunca deixaram de acontecer.

    A autora reconhece que a cidade que ela viveu está muito diferente hoje, conseqüência natural de transformações que acompanham o crescimento das cidades. Mas afirma que Juiz de Fora ainda conserva muito do seu jeitinho "anos 40" no que diz respeito às relações entre as pessoas. "Muita coisa boa se conservou nas trocas afetivas. Mas na arquitetura, mudou demais. Vou descobrindo a cidade em camadas", explica justificando as descobertas que faz cada vez que visita Juiz de Fora e pára observando os ambientes.

    Rachel e a cultura

    A escritora que tem como referência literária autores como Machado de Assis e Carlos Drummond de Andrade acha que Juiz de Fora sempre se destacou no cenário cultural do país. Para ela, a cidade tem uma tradição cultural muito grande - ela ressalta os nomes de Pedro Nava e Murilo Mendes. "Uma tradição que se renova a cada dia", completa.

    Como obra preferida, a autora destaca Inventário das Cinzas. O motivo? Coisa de artista.... Rachel explica que foi nesse livro que ela colocou toda a sua tristeza existencial.

    "Inventário das Cinzas" foi juntamente com "As Urzes da Cornualha", adaptado para o teatro. Apaixonada pela arte de representar, a autora se declara estranha à televisão. "Quase não vejo TV, acredito que ela matou a leitura". Para ela, o preço do acesso à leitura influencia a falta desse hábito entre os brasileiros, mas a TV é um fator que desestimula ainda mais.

    Rachel por Rachel Jardim

    "Sou uma pessoa em constante descoberta". Dessa forma a escritora juizforana se autodefine. Adepta do hábito de viajar parando para olhar paisagens, conhecer lugares e países, alugar uma casa sozinha na Grécia para desbravar o país que ela sempre foi apaixonada; ela parece provar tudo que diz.

    "Amo a cultura e acredito que as cidades são museus vivos". Dessa forma, a escritora também resume suas atuações profissionais. Rachel também foi coordenadora do Patrimônio Cultural do Estado do Rio de Janeiro. Apesar de aposentada, a autora continua escrevendo e viajando pelo Brasil afora. Tomara que essa descobertas possam render mais literatura para Juiz de Fora. A torcida, com certeza é grande!

    Obras

    Os Anos 40 (a ficção e o real de uma época) - 1ª edição - Editora José Olympio. Rio de Janeiro - 1973. 2ª edição - Editora José Olympio. Rio de Janeiro .- 1979. 3ª edição - Editora José Olympo. Rio de Janeiro - 1985. 4ª edição - Editora Guanabara. Rio de Janeiro Rio de Janeiro - 1985. 5ª edição - Funalfa Edições e Editora José Olympio- 2003.

    Cheiros e ruídos (contos) - 1ª edição Editora José Olympio/ INL- MEC. Rio de Janeiro. 1982. 2ª edição Editora José Olympio. Rio de Janeiro. Rio de Janeiro 1982.

    Cristaleira invisível (contos) - Editora Nova Fronteira. Rio de Janeiro.1982.

    Vazio Pleno (Relatório do cotidiano) - Imago. Rio de Janeiro. 1976.

    Inventário das Cinzas (Romance) - Nova Fonteira. Rio de Janeiro. 1980. Prêmio Nacional do Pen Club do Brasil. 2ª edição. Editora Salamandra. Rio de Janeiro. 1984.

    O penhoar chinês (romance) - 1ª edição. José Olympio . Rio de Janeiro. 1985. 2ª edição Editora José Olympio. Rio de Janeiro. 1987. 3ª edição. José Olympio. Rio de Janeiro. 1987. 4ª edição. Editora José Olympio. Rio de Janeiro. 1990.

    Num reino à beira do rio - com Alexei Bueno (Um caderno poético de Murilo Mendes). Funalfa Edições. Juiz de Fora. 2004.

    Antologias

    Mulheres e mulheres - Nova Fronteira. Rio de Janeiro. 1978.

    O conto da mulher brasileira - 1ª edição Editora. Vertente. São Paulo.1978. 2ª edição Editora Vertente. São Paulo.1979.

    Muito prazer -1ª edição Editora Record. Rio de Janeiro.1980. 2ª edição Editora Record. Rio de Janeiro.1980.

    O prazer é todo meu - 1ª edição Editora Record. Rio de Janeiro.1984. 2ª edição Editora Record. Rio de Janeiro.1985.

    Crônicas mineiras - 1ª edição Editora Ática. São Paulo. 1984. Minas de liberdade - Secretaria do Estado de Cultura de Minas Gerais. Belo Horizonte. 1992.

    A cidade escrita - Universidade Federal de Minas Gerais e Assembléia Legislativa de Minas Gerais. 1996.

    Tigerin und Leopard - Heidbraut Amman Verlag AG. Zurich. 1998.

    Contos de escritoras brasileiras - Martins Fontes. São Paulo. 2003.

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