• Assinantes
  • Autenticação
  • Cultura gif do xiis para linkar para as fotos

    Ritchie O "menino veneno" do rock anos 80
    se apresenta em Juiz de Fora



    Fernanda Leonel
    Réporter
    17/01/2006

    Diferente da maioria dos cantores e músicos de sucesso nacional, o cantor Ritchie chegou cedo à cidade. Por volta das três horas, ele e sua banda já estavam no Cultural Bar para começar a cumprir os compromissos do dia.

    Geralmente, em shows de porte nacional, são os músicos que se preocupam com os primeiros detalhes do acerto do som. Depois, no máximo uma hora antes, os cantores aparecem. Ritchie fez diferente e acompanhou tudo: escolheu a posição dos músicos no palco, opinou sobre a estrutura da iluminação, pregou repertórios no chão, acompanhou a regulagem dos instrumentos um por um.

    De acordo com um dos produtores do evento, Cláudio Coelho, essa é uma particularidade do artista. Coelho classifica Ritchie como um apaixonado pelo que faz e justifica nessa paixão a preocupação do artista com todos os detalhes do show. "Precisamos reservar pelo menos três horas para ele cuidar do som", afirma.

    Em Juiz de Fora não foi diferente. Três horas e meia de passagem de som e muitas orientações. O cantor subia no palco, descia, conversava com os músicos, repetia trechos de músicas. Tudo para que segundo ele, "o show fosse o melhor possível, sem nenhuma tensão nas primeiras músicas da apresentação".

    A preocupação com detalhes realmente foi uma das caracteríticas mais fortes que Ritchie colocou como autodefinição. Antes do detalhismo, talvez fortemente influenciado por sua origem britânica, só mesmo a incontrolável (como ele define) paixão por fazer música.

    Ritche canta, toca violão, toca flauta e compõe em alguns momentos. Só não compõe mais porque ainda se sente inseguro para escrever em português. Ele destaca que em seu último álbum, o auto-fidelidade, ele até se arriscou a escrever, já que o disco comportava canções em inglês.

    Ritchie e o mundo
    Ritchie é apenas o apelido do filho de militares ingleses Richard David Court. Nascido em Beckenham, no Sul da Inglaterra, o menino morou em diversos países durante a infância devido a profissão do pai. Quênia, Dinamarca, Itália, Alemanha, Iêmen do Sul e Escócia, foram os países que o cantor conseguir enumerar de memória.

    Ritchie largou os estudos para tocar flauta em uma banda iniciante de Londres chamada Everyone Involved em 1972. Foi nesse mesmo ano que ele decidiu que só podia ser uma coisa na vida: músico.

    Ritchie e o Brasil

    No ano de 1972, ele conheceu um grupo de brasileiros em Londres, que depois de fazer um som com o "inglesinho de pele clara" chegaram à conclusão que ele precisava vir para o Brasil. O grupo de brasileiros, composto por Liminha e Rita Lee - que na época tocavam no grupo "Os Mutantes"- e Lucinha Turnbull e Sandra Werneck, passeavam na Inglaterra para comprar instrumentos.

    "Essa decisão de vir para o Brasil não foi tão difícil assim", afirma o cantor que já havia ouvido falar muito bem do nosso país. "Depois então que me mudei, não tive a menor dúvida de que tinha tomado a melhor decisão", complementa.

    Para trabalhar com música ele se mudou para São Paulo, mas acabou indo para o Rio pouco tempo depois. Deu aulas de inglês para artistas como Gal Costa e Egberto Gismonti até conseguir uma gravadora e estourar no Brasil inteiro em 1983 com o hit Menina Veneno. O LP "Vôo de Coração" vendeu mais de um milhão de cópias e também emplacou sucessos como "A Vida Tem Dessas Coisas", "Pelo Interfone" e "Vôo de Coração".

    Ritchie em Juiz de Fora

    Durante os anos 80, o cantor afirma ter perdido as contas de quantas vezes chegou a se apresentar em Juiz de Fora. Ele lembra que a cidade tinha muitas apresentações de artistas ligados ao rock nacional, ritmo que se destacava na década. Mais uma vez, um cantor de porte nacional destacou a importância da cidade no cenário musical dos anos 80.

    Depois do boom que a sua carreira teve por volta de 83/89, Ritchie voltou à cidade mais uma vez. Foi em 2002 também em uma apresentação no Cultural Bar. O cantor acabava de lançar o CD Auto-Fidelidade e ficou encantado com a animação do público juizforano: "As pessoas cantavam tudo e dançavam demais também, sai com a melhor impressão possível da cidade", comenta.

    foto de Ritchie foto de Ritchie foto de Ritchie

    O autor de "Menina Veneno" não conhece o trabalho de artistas locais. "Que me desculpem todos, mas minha ignorância e sinceridade não me permitem discutir esse assunto", falou em tom de brincadeira. Mas destacou o Pato Fu como uma banda de Minas Gerais que ele gosta muito. "Conhecendo uma banda do estado, fico perdoado, não?", complementou.

    Ritchie gosta de Pato Fu por causa da liberdade de criação que o grupo mineiro adotou. Esse é o mesmo critério usado para adotar o grupo Los Hermanos como um som que ele também recomendaria a um amigo.

    Além do palco

    Ritchie mantém uma paixão nada secreta com a internet e as novas tecnologias da informação. Além dos trabalhos com música, ele tem se dedicado nos últimos dez anos à produção e edição de páginas na web.

    O site oficial do cantor foi desenvolvido por ele e de acordo com suas explicações, possui um formato web site/blog porque é assim que ele acredita que a internet vai se desenvolver daqui para frente. "A tendência é de personalização, da possibilidade de se envolver a pessoalidade junto com o infinito disponibilizado pelas novas tecnologias"

    Ritchie pretende em breve tirar um antigo projeto da gaveta que vai unir seus dois ofícios. O rockeiro dos anos 80 tem 11 canções compostas em parceria com o guitarrista inglês Dominic Miller, autor, ao lado de Sting, do grande sucesso Shape of My Heart e hoje, músico da banda do ex-vocalista do Police. Ritchie pretende lançar o disco integralmente pela Internet. "Chegou a hora da minha vingança contra a indústria fonográfica. Sei que ainda tenho um público fiel (o seu primeiro disco, Vôo de Coração, foi relançado ano passado pela Sony Music e obteve ótimos resultados de venda) e estou feliz em poder divulgar o meu trabalho sem depender da boa vontade das gravadoras", afirma o cantor.

    foto de Ritchie foto de Ritchie foto de Ritchie

    A indústria fonográfica parece mesmo ser um affair mal resolvido do cantor. Durante toda a entrevista ele destacou que atualmente, faz sucesso quem as gravadoras escolhem para estar na mídia e na mente das pessoas. "Por isso talvez a gente conte com produções musicais tão ruins. Hoje as pessoas pensam na mídia e nas gravadoras e não mais na qualidade do trabalho desenvolvido", destaca.

    Ritchie acredita no poder de democratização da informação e da música na internet. Ele acha que se os artistas apostassem nessa iniciativa, além de possuírem mais liberdade de criação e com isso produzirem mais arte que mercadoria, eles poderiam ampliar o seu público cativo.

    Conheça nossos planos e serviços

    (32) 2101-2000

    A melhor internet está aqui!

    Conteúdo Recomendado

    Envie Sua Notícia

    Se você possui sugestões de pauta, flagrou algum fato curioso ou irregular, envie-nos um WhatsApp

    +55 32 99915-7720

    Comentários

    Ao postar comentários o internauta concorda com os termos de uso e responsabilidade do site.