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    Pedro Cardoso Pedro Cardoso, nos palcos de Juiz de Fora, com a elogiada peça "Os Ignorantes"

    Fernanda Leonel
    Colaboração
    16/03/2006

    Classificar, conceituar, debochar, refletir a ignorância. Trazer para o palco histórias sobre essa palavra de conceito ainda difuso através de uma questão central: a maior ignorância do mundo é a aquela que existe dentro de nós mesmos.

    O que parece confuso, na verdade, promete boas risadas para o final de semana em Juiz de Fora. Pedro Cardoso, o conhecido "Agostinho" da série " A Grande Família" entra em cena para contar a história de José de Oliveira, sobrevivente de uma bala perdida, que quando adulto, escreve um poema de cordel para falar da ignorância que existe dentro de cada um.

    A violência, tema atual e recortado através da história da bala perdida, foi o gancho que Cardoso, ator e diretor da peça, encontrou para refletir sobre o assunto central.

    "A peça é leve, a questão trágica somente expõe o tema. Toda bala perdida tem uma história. Do jeito que se fala parece que ninguém tem culpa", reflete o ator. Segundo Cardoso, todo episódio de violência, assim como o de seu personagem na peça, vem recheado de histórias de ignorâncias. E é a partir desse foco, que ele pretende trabalhar.

    Essa questão, foi aliás, o que levou Pedro a criar "Os Ignorantes". O ator conta que desenvolveu o tema, ao ouvir muita gente repetir a expressão "Que ignorância!", na hora de opinar sobre atitudes violentas.

    Pedro Cardoso sorrindo Essa inspiração aconteceu em 1999 e teve sua reestréia em março de 2004. Desde então, Pedro e seus sete personagens têm rodado o país.

    O objetivo é que, em Juiz de Fora, a peça reproduza o sucesso de público e de crítica que traz na bagagem. Durante os anos de exibição, mais de cem mil expectadores já assistiram ao espetáculo. Mas, de acordo com o autor, essa não é a principal preocupação para a curta temporada na cidade. "Sucesso de público para mim realmente não significa quantidade. Depende muito da qualidade de quem vai assistir. Interação e gosto pelo teatro são duas coisas que eu valorizo muito", frisou.

    Fora do Brasil, o espetáculo também começa a render bons frutos. Pedro acaba de traduzir o espetáculo para espanhol e vender os direitos da peça para o diretor europeu Ricard Requan, que pretende montá-la ainda esse ano. Sobre esse assunto, Pedro é enfático ao afirmar que fica muito feliz com tudo que está acontecendo.

    "É bom para o Brasil exportar sua obra cultural, e não apenas suas mazelas, sua pobreza. É raro nosso país exportar texto de teatro, o que acontece habitualmente com a música. Em dois meses de visita pela Europa, assistindo a diversos espetáculos, voltei encantado com o teatro brasileiro", destaca o ator.

    Expectativa para Juiz de Fora

    É a segunda vez que Pedro Cardoso vem a Juiz de Fora para apresentar uma peça de teatro. Há aproximadamente dez anos atrás, ele esteve na cidade com o espetáculo "Alto falante", mas não soube passar maiores detalhes sobre o assunto.

    "Não me lembro bem do espetáculo, mas sempre que a cidade me vem a mente, lembro da impressão que tive. Vejo Juiz de Fora como uma cidade grande, de infraestrutura, mas cercada por sítios. Algo aconchegante", resume.

    Pedro afirma estar muito animado com a curta temporada na cidade. Curta porque como ele mesmo destaca, ele está em um momento profissional que não permite que se afaste por mais tempo do Rio de Janeiro.

    Pedro Cardoso durante encenação de Os Ignorantes Pedro Cardoso durante encenação de Os Ignorantes Pedro Cardoso durante encenação de Os Ignorantes

    Alías, ao falar do Rio, Pedro trouxe mais impressões suas sobre Juiz de Fora. "Para mim, Juiz de Fora ocupa um lugar muito importante no cenário cultural brasileiro. É um ponto de interiorização da cultura e também de aproximação da cultura mineira com a carioca", diz.

    Com relação a essa miscigenação cultural ele se faz profético e sugere que para acolher um possível festival de teatro mineiro e fluminense, Juiz de Fora seria a sede ideal para o evento, por estar no roteiro e no "caminho" dos dois estados.

    Para os juizforanos que pretendem assistir à peça, Pedro manda um recado. "Todos vão rir muito. Vou pisando de riso em riso. Dentro de um espetáculo que se não tivesse humor, me sentiria desorientado".

    Pedro Cardoso durante encenação de Os Ignorantes Pedro Cardoso durante encenação de Os Ignorantes Pedro Cardoso dando autógrafo

    Se depender do que se conhece do trabalho do ator, tudo é verdade. A carreira de Pedro é recheada de interpretações e textos de grande sucesso no campo da comédia. Para os palcos, Pedro já escreveu "C de Canastra", "A Macaca (em parceria com Felipe Pinheiro) e "Autofalante".

    Para televisão, participou da redação do programas "TV Pirata", "Programa Legal", "A Vida ao Vivo", entre outros. Atualmente, está sendo muito elogiado pela crítica com o sucesso estrondoso do personagem Agostinho de "A Grande Família".

    Foto do livro Os Ignorantes Durante a temporada do espetáculo, Pedro Cardoso também vai fazer o lançamento de seu primeiro livro, que leva o nome da peça. O projeto, que ficou pronto em seis meses, já era um sonho antigo do ator.

    Ela conta que sempre teve vontade de publicar seus textos de teatro, já que muitas pessoas sempre o procuravam ao final dos espetáculos para pedir uma cópia do texto encenado. Com bastante bom humor, ele brinca que o livro é uma coisa meio de camelô. De vendedor de rua. "Primeiro eles mostram o produto, e depois tentam vender", brinca.

    A publicação, escrita pelo ator, traz dois modos de registro da peça de teatro: o texto puro e o texto vestido da encenação e montagem que o ator/autor deu a ela. "O material é uma lembrança para quem viu, e uma novidade para quem não viu. O lançamento deste livro é uma libertação. Quero que este texto exista independente de mim, já interpretei muito, do meu jeito. Agora, outras pessoas podem idealizar do jeito delas", explica Pedro.

    O livro tem 167 páginas e vai ser vendido durante o espetáculo no Cine-Theatro Central. O livro traz fotos, ilustrações e também as partituras das músicas utilizadas por Pedro em sua montagem. A idéia, segundo Pedro, é de realmente inserir o leitor no universo do espetáculo.

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