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    DJ Marlboro Um dos protagonistas do cenário do funk carioca, DJ Marlboro está na cidade para jogar no batidão quem fez ou vai fazer provas do vestibular




    Fernanda Leonel
    Réporter
    18/12/2006

    DJ Marboro trabalhando Música eletrônica, batidão, funk ou qualquer coisa que faça todo mundo dançar. Diga essas palavras e saiba que Fernando Luis Mattos da Matta, o DJ Marlboro, com seus 24 anos de carreira, é um dos protagonistas. Foi ele um dos primeiros que se destacaram no movimento, em 1989, quando abocanhou o primeiro lugar do "Campeonato Brasileiro de DJs".

    Neste mesmo ano, Marlboro representou o Brasil em Londres e foi o pioneiro na nacionalização do funk: compôs as primeiras letras, fez as primeiras produções e lançou os primeiros cantores na coletânea Funk Brasil, ainda em 1989.

    Depois de muito chão, bailes e amor ao funk, Marlboro chegou ao festival Summer Stage, em junho de 2003, no Central Park, em Nova York, que lhe rendeu uma entrevista para o Manhattan Connection. Foi o primeiro DJ convidado a tocar na história do festival e sua passagem pelos Estados Unidos contou ainda com shows em Nova Jersey, Chicago e Boston.

    Close do DJ Marlboro Marlboro é eclético, e engana-se quem acredita que o seu balacobaco está só nos remixers de músicas. Já estrelou filmes com Xuxa (da qual aliás, foi DJ, residente no seu programa), participou de um longa de Luciano Huck, escreveu dois livros "Funk no Brasil – Por Ele Mesmo" e "Aventura do Dj Marlboro Pela Terra do Funk"

    Nesta segunda-feira, dia 18 de dezembro, é a vez de Juiz de Fora sacudir com os hits preparados por um dos mais conhecidos DJ´s do Brasil. Marlboro volta à cidade para se apresentar em uma festa que pega carona no fim do vestibular da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e início das provas do processo seletivo do Pism.

    Mas antes de cair no meio dos discos e CD´s, a ACESSA.com descolou um jeito de trazer novidades da carreira de Marlboro para os internautas do portal. A entrevista exclusiva você confere a seguir:

    ACESSA.com: De onde surgiu essa paixão pelo funk, carro chefe do seu trabalho?
    DJ Marlboro: Na verdade, música é mensagem. Nós é que somos bons ou maus decodificadores de mensagens. Quando vc toca uma música, sensibiliza as pessoas, para o lado romântico, irreverente, politizado. O funk tem essa versatilidade e essa amplitude de temas. Quando eu faço um baile, tento passar todos esses tipos de mensagens

    O que eu acho mais relevantes é a importância social, de oportunidades que o funk dá para essa galera marginalizada, que não teria muita oportunidade na vida se não fosse para viver de música funk mesmo. Criticam o jeito que essas pessoas cantam, o que elas cantam, mas esquecem de imaginar como é que elas tiverram condição de desenvolver isso. Que isso é uma das únicas oportunidades para muita gente de ser alguém, de se integrar na sociedade. O funk é a voz dessa galera, uma maneira de eles se expressarem.

    ACESSA.com: Pode-se dizer que você está no auge da sua carreira. Como é que vê esse boom do funk nos últimos anos? Já foi muito criticado por tocar o tipo de música que toca?

    Close do DJ Marlboro DJ Marlboro: Acho que tudo na vida acontece aos poucos. Com o funk é isso que está acontecendo. Assim como é a vida da gente, ele já nasceu, cresceu, errou, corrigiu os erros. Acho que agora é esperar para ver como é que essa onda de funk vai continuar acontecendo.

    Eu acho que o funk ainda é um movimento muito novo, que vai crescer muito. Talvez esteja repetitivo para ganhar repercussão, popularidade, mas ele ainda vai crescer. Em 89 saiu o primeiro disco de funk nacional. Ele ainda vai evoluir e se enriquecer muito.

    Com relação ao preconceito, deixa eu tentar resumir. Eu não toco músicas de apologia ao sexo ou à criminalidade, mas as pessoas costumam criticar esse tipo de música e colocar a culpa no funk por ela existir, mas ninguém se preocupa que o que eles estão cantando é o que estão vivendo. Ninguém se indigna com isso.

    Antes de tentar culpar o funk por isso, têm de pensar que om funk é só o veículo para eles se expressarem, falarem de sua vida. As pessoas só se preocupam com o que as pessoas vivem quando bate na sua porta. Quando tá lá só na favela, tudo bem.

    Mas com relação a minha experiência na profissão, eu não só fui criticado, como já fui perseguido, já tive caixa de som perfurada por bala, equipamento sequestrado pela polícia. Já fui muito marginalizado por tocar funk, mas faz parte, com o samba foi igual, com a capoeira. O Brasil é o único país onde quem cuida da cultura é a Secretaria de Segurança Pública...

    DJ Marlboro mostrando quadro que ganhou ao vender várias cópias de seu CD ACESSA.com: Você tem na bagagem muitos shows pelo exterior. Como é a recepção do funk, mais precisamente o funk brasileiro, fora do país?
    DJ Marlboro: Me impressionou muito a repercussão do funk no exterior, na Eslovênia, e até quando eu toquei nas Olimpíadas Tentei descobrir lá por que essa recepção tão calorosa. Um DJ alemão me explicou que eles conhecem a riqueza da música brasileira e quando a música eletrônica dominou o mundo inteiro, eles esperava, ver o que sairia do brasil.

    A fusão sempre foi técnica (tipo batida eletrônica na bossa nova, drum'n'bass). E o funk é a música eletrônica brasileira original, porque não é feita tecnicamente, é feita pela alma, é a expressão brasileira. o DJ é um vendedor de emoção, ele conduz a emoção das pessoas, eu acho isso muito importante, pode-se alegrar, entristecer, integrar as pessoas através da música. É uma sincronia boa. E o DJ não é preso a um tema, pode viajar por vários deles, mexer com vários aspectos, mais que uma banda. Então retratamos a brasilidade de uma forma muito legal. E acho que as pessoas adoram o que a gente constrói.

    DJ Marlboro tocando DJ Marlboro tocando em tenda já ao amanhecer

    ACESSA.com: De onde é vem esse nome: Marlboro?
    DJ Marlboro: Eu sou filho de uma família muito pobre. Gosto de ressaltar o muito, porque me orgulho de não ter tuido nada na vida que tenha me feito chegar onde cheguei que não fosse a minha boa vontade e minha presistência. Pobre como eu era, morava muito longe. Aí, o meu bairro, que era subúrbio de subúrbio era conhecido como terra de malboro, de tão longe que era do centro. Não tem nada a ver com o cigarro ou coisa do tipo. Nem fumo!

    ACESSA.com: E a expectativa para o show em Juiz de Fora? Como é que está? O que quem for até a Pedreira La Rocca vai poder conferir nesta noite?
    DJ Marlboro: Podem esperar tudo, porque é assim que eu preparo cada pedaço do show que apresento na cidade. Vai ser muito legal e acho que as pessoas vão curtir bastante. É música para todo tipo de gente. E música para dançar mesmo. Esse negócio de festa de vestibular, que ainda estou um pouco por fora, ajuda a esquantar o fogo qeu estou preparando também. Essa moçada dessa idade é fogo na roupae sempre me divierte muito também!

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