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    Gabriel, O pensador O cantor, em entrevista ao portal ACESSA.com, fala sobre suas experiências em outros campos das artes, como a literatura e o teatro

    Em um bate-papo com jornalistas e fãs, o cantor Gabriel - O pensador fez uma homenagem ao falecido rapper juizforano, Jagal. "Foi um dos caras mais talentosos do free style (improviso de rap)." Confira a entrevista realizada pela jornalista Renata Cristina:

    Em sua visita a Juiz de Fora, o rapper mais famoso do Brasil, Gabriel - O pensador, mostrou suas facetas no universo literário. "Sempre gostei de escrever e faço isso como um exercício", revela. Ele esteve na cidade para um bate-papo durante o II Fest Ler e divulgou o livro "Um Garoto chamado Rorbeto", vencedor do Prêmio Jabuti em 2006.

    Considerado por Luís Fernando Veríssimo "uma raridade literária", o músico-escritor revela que, em um primeiro momento, não tinha intenção de publicar a obra infantil. "Fui seguindo minha intuição e acabei gostando muito do texto", declara.

    Devido a onda de sucesso entre os "baixinhos", Gabriel se prepara para gravar o primeiro CD para crianças, produzido por Bens, Cassin e Maurício Pacheco. Ainda sem nome de divulgação, o disco deve sair no segundo semestre. Em seguida, o músico planeja engrenar a produção de uma peça infantil, baseada na história de "Rorbeto", com estréia marcada para 2008. Paralelamente a este trabalhos, Pensador produz o disco para o público cativo, ainda sem data para lançamento.

    ACESSA.com: Como surgiu a história "Um Garoto chamado Rorbeto"?

    O texto nasceu por acaso, veio de um poema, a história é longa, mas um poeminha. Ele nasceu espontaneamente mesmo, não tinha planejado escrever um livro para crianças, veio aquela linguagem infantil e aquela idéia mais em cima do nome do garoto, que é trocado porque o pai é analfabeto e tal. Durante a escrita é que pintou a história principal: um dedo a mais na mão direita. O tema alfabetização, que começa com o pai analfabeto, volta a aparecer quando ele tem que aprender a escrever e tenta esconder a diferença física.

    ACESSA.com: Você já tinha idéia de publicar a história?

    Não. Quando comecei não tinha a idéia de publicar, mas é sempre uma possibilidade. Quando estou escrevendo alguma coisa, fora as letras das músicas, gosto de escrever poemas, contos e muitas vezes nem concluo, vale mais como um exercício, um rascunho de uma idéia, até mesmo que não seja um rascunho, mas não tenho a obrigação de publicar. É uma coisa bem livre, tranqüila, eu fazendo e salvo aquilo ali, talvez para publicar, talvez não. Até com as músicas, na verdade, é assim. Eu faço várias e sei que nem todas eu vou gravar. Então, esta história, de cara, eu me apeguei a ela e quis levar a sério e seguir até o fim. Levei quase um mês, fazendo com calma, sem deixar morrer a história. Foi bem intuitivo o processo de criação.

    Gabriel, O pensador

    ACESSA.com: A deficiência física retratada neste livro critica o preconceito dentro da sala de aula?

    Não. A sala de aula é realmente uma arena para as crianças. Elas têm que enfrentar os colegas, qualquer diferença que eles tenham, não precisa ser uma diferença física, qualquer motivo que a criança der está aberto a "zoação" dos colegas. Talvez por esse motivo eu tenha colocado o personagem na sala de aula para tentar o desafio de revelar aquilo, de perceber como as pessoas iam reagir. O lance da alfabetização eu também queria destacar.

    ACESSA.com: O fato de ser "papai" te ajudou a reviver o universo infantil?

    Ajudou, sim. Porque era uma idéia que as pessoas sugeriam há um tempão e não tinha rolado ainda. E, agora, além do livro, tenho dois filhos. Mas ele era bem novinho ainda, não estava em uma fase de muita conversa, querendo falar. Com certeza, tem uma ligação, o fato de eu já ser pai. Mas ele tem a ver também com o Gabriel criança.

    Gabriel, O pensador Gabriel, O pensador

    ACESSA.com: O CD para crianças vai sair?

    Já comecei a gravar o CD infantil e até me surpreendi ao perceber esse público, ver que havia uma galera que vinha na onda dos irmãos mais velhos. Deve sair lá por agosto ou setembro e, é o primeiro projeto voltado para crianças. É bem descontraído, é claro que acaba tendo alguma letra ou outra com uma mensagem, um recado mais legal. Não é muito preocupado.

    ACESSA.com: Quais as diferenças entre o Gabriel que escreve para crianças e o Gabriel do hip hop?

    Tem a idade que é outra, tem um lado mais leve que vem com as coisas que são para crianças, e no disco infantil senti que foi muito menos estressante. Eu me senti muito mais relaxado fazendo as músicas para crianças do que eu fico normalmente em estúdio. Esse projeto tem um lado bem mais lúdico para mim também.

    Gabriel, O pensador

    ACESSA.com: Como é trabalhar a palavra literária?

    Quando estou fazendo uma letra, eu sei que ela vai ter o suporte musical, ela vai ter uma emoção que vem com a música. No livro, o ritmo foi feito todo nas palavras. Mas eu tive durante a carreira, uma mania de fazer a letra antes das músicas, uma coisa que a galera costuma fazer ao contrário. Já dava um ritmo na letra de certa forma e também nos textos em prosa. Sou muito ligado ao ritmo das frases, ao ritmo do texto. Não foi um problema, gosto de fazer aquilo que sei que não será musicado.

    ACESSA.com: Qual a importância eventos literários como este?

    O que tenho visto é que a galera sabe da importância da leitura, de um bate-papo cultural. O livro é tipo música, comida, que você tem que comprar para experimentar mesmo.

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