Lobão Polêmico, autêntico e crítico, Lobão chega em Juiz de Fora para a turnê mais discutida de sua carreira e promete um show arrebatador na cidade

Renata Cristina
Repórter
14/06/2007

Por onde ele passa o "barulho" está garantido. Polêmico, autêntico e crítico, Lobão chega em Juiz de Fora para a turnê mais discutida de sua carreira. Afinal, após anos de reclusão e luta contra o mercado fonográfico, o "velho Lobo" ressurge cheio de gás para apresentar o melhor MTV Acústico de todos os tempos, aclamado pela crítica e público.

Sobre o pacto com uma grande gravadora (Sony-BMG), ele não quer falar, mas deixa claro, em entrevista concedida ao portal ACESSA.com, que "o novo binômio é: criatividade e grana". Será que até o roqueiro "independente" se rendeu ao capitalismo? Pelo seu histórico invejável de brigas com a imprensa e a indústria cultural, a aposta mais palpável seria "não". "Continuo Lobônico como sempre", ele diz.

Mesmo com um disco acústico, não espere muita "pasmaceira" durante o show. No palco, 11 músicos se reúnem, com direito a naipe de cinco cordas, para embalar sucessos da década de 80. A primeira parte da apresentação faz uma homenagem ao amigo Alcir Explosão, mestre de bateria que morreu envolvido com o tráfico de drogas. Ao abrir as cortinas com "El Desdichado II", Lobão acredita que canta sua própria trajetória. "Eu sou a explosão, o Exu, o Anjo, o Rei/ O samba sem canção, o soberano/ de toda a alegria que existia".

O que todo mundo já ouviu, mas está louco para reviver, fica para a metade do espetáculo. "Decadence avec Elegance", "Me chama", "Vou te levar", "Essa noite não", "Noite e dia" e "Bambinos" são algumas das pérolas da noite. Há até um momento "com levadas pervertidas de bossa", ele garante. O bailão da pesada ganha o público no final, com um revival do melhor da década de 70 e 80. Tudo para você curtir e perdoar o lobo-mau, nem tão raivoso assim.

ACESSA.com: Por que o Acústico MTV vem fazendo "tanto barulho" por onde passa?

Pelo que me consta, o projeto acústico está sendo unanimemente aclamado pela crítica e pelo público. E já está entre os mais tocados nas rádios e os mais vendidos. Bom, estão dizendo que é o melhor acústico já gravado.

ACESSA.com: Seu trabalho sempre foi reconhecido nacionalmente pela qualidade e engajamento. Como você definiria o Lobão do século XXI? Ele está menos revolucionário?

É, com certeza, um dos meus trabalhos mais revolucionários, tanto pela excelência de gravação, repertório e conjunto, como pela provocação. E eu? Continuo Lobonico.

ACESSA.com: Como é encarar um novo público, jovem, muito diferente da turma da década de 70, 80?

Eu nunca pensei em encarar um público com a premissa dele ser jovem ou velho... isso nunca me passou pela cabeça... Sempre tive a certeza de que o público, sim, sempre deverá ter que me encarar como um artista que tem a missão de provocar e estimular as pessoas... afinal de contas, o terror não sou e sempre fui... eu?

ACESSA.com: Você continua boicotado pelas rádios?

Talvez... mas isso não prevalecerá... o trabalho é muito bom e o plano de invasão, melhor ainda... "a gente somo maquiavélico"(sic) eheheh...

ACESSA.com: Como avalia o rock nacional neste momento? Ainda decadente como no final da década de 80?

Rock? Bem isso nunca me interessou muito... afinal eu sou aquele cara que proferiu que o rock errou!!! Mas, ok, eu tenho uma revista especializada em novos artistas e os resultados são os melhores possíveis... temos uma nova geração de artistas excelentes, como há muito tempo não se via.

ACESSA.com: Quais as bandas independentes você gosta e anda escutando ultimamente?

Canastra, Astronautas, Cascadura, Autoramas, Cachorro Grande, Carbona... e mais uma porrada de outros.

ACESSA.com: Em relação aos meios de comunicação, você sempre foi claro ao enxergar uma “ditadura”. Como esse movimento poderia tomar o caminho inverso? Há salvação para a mídia brasileira?

A gente tem a obrigação de driblar e aniquilar as adversidades. Se é que ninguém reparou, mais uma vez estou tomando a dianteira... e quem ficar de irmã de caridade, tipo anos 90 indie, xiita e pobre, está fudido. Temos que ganhar grana e espaço em todas as mídias. O novo binômio é: criatividade + grana. Senão a gente vira uma outra edição requentada do hip hop paulista que virou enguetizante e regurgita seus engessados dogmas faz anos, né?

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